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Baja California Sur, no México, é aquário que fica bem longe da vida real

Península pequena no oeste do país é éden dos mergulhadores e lar do tubarão-baleia

Fernanda Ezabella
La Paz (México)

O pequeno estado mexicano de Baja California Sur parece flutuar sozinho no oceano Pacífico, desprendido do continente numa península estreita na costa oeste do país. Fica a milhas e milhas de distância dos problemas do mundo real e, talvez não à toa, sua capital e maior cidade se chame La Paz, com 220 mil habitantes.

No ‘malecón’ decorado por palmeiras de La Paz, sempre com um magnífico pôr-do-sol, descansa uma simpática estátua de bronze do explorador Jacques Cousteau (1910-1997), que um dia chamou a região de “o aquário do mundo”.

Além de paraíso para mergulhadores em Cabo Pulmo, a pontinha ao sul da península atrai celebridades em busca de sossego nos luxuosos resorts de Los Cabos e surfistas atrás de ondas constantes no vilarejo de Todos Santos. Mas há uma boa diversidade de turistas, a maioria de olho nos tacos de peixe frito, especialidade local.

Baja California Sur (BCS) fica colado no estado mexicano ao norte, Baja California, por sua vez colado no estado americano da Califórnia. Ao contrário dos imigrantes ao norte concentrados em Tijuana, à espera de um dia cruzar a fronteira, os imigrantes ao sul são americanos aposentados que compraram casas, abriram cafés e vivem na tranquilidade e segurança das cidades à beira-mar.

Quem chega de avião avista de cima curiosas paisagens de deserto que escondem sua vibrante fauna marinha. Ao aterrissar, seja nos aeroportos de La Paz ou Cabo San Lucas, fileiras de cactos recebem os visitantes na entrada das praias. E logo na beira das águas cristalinas, peixinhos coloridos dão as boas-vindas.

O principal personagem de Baja California Sur é o tubarão-baleia, criatura “muito gentil”, como os guias logo avisam. Apesar de ser o maior peixe do mundo (média de 12 metros) e ter uma boca imensa (até 1,5 metro), ele não tem dentes e se alimenta de plâncton. Mais: parece pintado de bolinhas brancas.

Os passeios para mergulhar de snorkel e ver de perto o tubarão-baleia acontecem no mar de Cortez, em barcos que partem de La Paz (US$ 50 ou R$ 192 por pessoa).

O governo mexicano, segundo o qual mais da metade desses animais já foram feridos por lanchas de turismo, tenta restringir a atividade emitindo a cada ano um número menor de licenças para barco.

Há outros protagonistas além do tubarão-baleia. Muitos dão as caras para quem visita a Isla Espíritu Santo, patrimônio mundial desde 1995. No percurso de lancha de mais de uma hora a partir de La Paz, a reportagem avistou arraias saltitantes, golfinhos sincronizados, tartarugas solitárias e dois tipos de baleias, incluindo uma jubarte.

O destino final era Los Islotes, um conjunto de ilhotas vulcânicas colonizadas por centenas de leões marinhos. É possível nadar próximo dos animais, que são curiosos e chegam bem perto, às vezes até demais. O guia comenta, discretamente, que já viu turista levando uma mordida.

Uma volta de snorkel por corais coloridos também está no pacote (US$ 70 ou R$ 263), assim como almoço de ceviche numa praia “deserta” (com meia dúzia de barcos que fizeram o mesmo passeio). 

Para quem tiver orçamento generoso, é possível passar duas noites na ilha no Camp Cecil por US$ 700 ( R$ 2.633), em barracas estilosas de “glamping” (glamour com camping).

Para explorar o resto de Baja California Sur, é recomendado alugar um carro e descer até o sul da ilha para Los Cabos, como são conhecidas as cidades de San José del Cabo e Cabo San Lucas. No entanto, antes de deixar La Paz, pegue a estrada até a praia imperdível de Balandra, a 30 km.

Ela já liderou listas das mais lindas do país e está dividida por um morro, formando duas praias. A primeira, mais movimentada, fica perto do estacionamento. Já à segunda só se chega andando pela água ou atravessando a colina. As águas são cristalinas e rasas. A vista das montanhas é cinematográfica.

O símbolo de Balandra é uma formação rochosa em forma de cogumelo. De tanto subirem em cima, a rocha quebrou, mas foi arrumada com canos. Sapatinhos para proteger os pés são bem-vindos.

Se Cabo San Lucas é muvucado de bares e baladas para turistas adolescentes, a vizinha San José del Cabo é bem mais charmosa com sua praça principal ampla e galerias de arte. Nas noites de quinta, as galerias abrem até tarde e as ruas ficam apinhadas, embaladas por grupos de mariachis.  

A taqueria La Lupita Taco & Mezcal fica bem no meio do agito e serve 26 tipos de tacos. Outra experiência gastronômica é passar a tarde numa das fazendas orgânicas da cidade, como a Flora Farms, um oásis com restaurante, spa, lojas de roupas e vinhos.

Uma parada em San Lucas é necessária para conhecer o cartão-postal de Baja California Sur: El Arco, parte de uma coleção de montanhas rochosas que despontam entre o mar de Cortez e o Pacífico, no extremo sul da península.

Passeios de barco levam os turistas até a região de manhã, para fazer snorkel, ou no final do dia, para o pôr de sol. De dia, há quem desça nas pequenas praias formadas entre as rochas, como a dos Amantes e a do Divórcio. Um barco a vela com dez pessoas, regado a drinques de tequila e porções de guacamole, custou US$ 85 (R$ 320).

Entre San Lucas e San José, a estrada é pontilhada de praias tranquilas, como Santa Maria Bay e Chileno Bay, e também de resorts de luxo. 

Prejudicados pelo furacão de 2014, muitos foram reformados e mais de dez abriram no último ano. O destaque vai para o Solaz e o Viceroy, que investiram em arquitetura de tirar o fôlego, de olho nas celebridades de Hollywood.

Quem se identifica com o estilo cultural de San José pode parar na cidade Todos Santos, na ida ou na volta a La Paz.

Virada para o Pacífico, suas praias trazem ondas perfeitas para os surfistas, enquanto seu centrinho é repleto de lojas de artefatos mexicanos, como tapetes e vestidos.

Os cafés moderninhos servem kombucha, favorito dos californianos que habitam o vilarejo de 6.000 pessoas. E dá para experimentar os cafés locais, como o de olla, feito com canela. É como um encontro de culturas das califórnias mexicana e americana.


PACOTES

R$ 920 
4 noites em Los Cabos, na Flot Viagens (flot.com.br)
Saída em 6 de outubro. Preço por pessoa. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Sem aéreo

R$ 6.077 
7 noites em Baja California Sur, na CVC (cvc.com.br)
Hospedagem em quarto duplo no Holiday Inn Express Suites Mexicali, com café da manhã. Sem passeios. Inclui aéreo a partir de São Paulo

R$ 7.295 
7 noites em Los Cabos, na Azul Viagens (azulviagens.com.br)
Saída em 6 de dezembro. Hospedagem em quarto duplo, sem regime de alimentação e sem passeios. Inclui passagem aérea a partir do aeroporto de Guarulhos (SP)
 

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