Sevilha oferece muitas camadas de história e prédios de beleza eterna

Com sua mistura de heranças islâmica, judaica e cristã, capital andaluz é boa para andar a pé

Ana Luiza Tieghi
Sevilha (Espanha)

​Ponto de partida para incursões de navios espanhóis à América, o rio Guadalquivir é hoje espaço de lazer em Sevilha, capital da Andaluzia, e funciona como um divisor entre o centro e o território da boemia.

De um lado do rio está o bairro de Triana, destino certo de quem quer ver shows de flamenco e tapear —sair para comer tapas, porções de comida que às vezes acompanham bebidas. A calle (rua) San Jacinto é uma das mais movimentadas.

A outra margem é mais calma: gente sentada para ler e conversar no Paseo del Alcalde Marqués del Contadero. 

Barco navega em rio, com casas coloridas ao fundo
O bairro boêmio de Triana, em Sevilha, nas margens do rio Guadalquivir  - Jon Chica/Adobe Stock

Lá também fica a Torre del Oro, que era usada para vigiar a entrada de barcos e, apesar do nome, não é dourada. É um começo para ver Sevilha do alto e conhecer seu passado.

Fica ali o Museu Marítimo, com toda a história das navegações e do próprio desenvolvimento da cidade.

Por conta da localização do Guadalquivir, que desemboca no golfo de Cádiz, no Atlântico, e de sua vocação para o comércio, Sevilha foi disputada por diferentes impérios. Passou por dominações de fenícios e visigodos, do Império Romano e de árabes, até ser conquistada pelo rei cristão Fernando 3º, em 1248.

No topo da torre, construída sob domínio árabe, em 1221, um mirante oferece vista para o rio, para Triana e para o centro. A entrada para o museu e o mirante custa € 3 (R$ 13).

Uma caminhada separa a Torre del Oro de outras atrações —Sevilha é boa para ser percorrida a pé, com os principais pontos de interesse separados por distâncias curtas. 

Em dez minutos chega-se à Plaza de Toros, casa das touradas, parte da cultura local, para desgosto de grupos de proteção animal. Eles, é claro, são contrários aos espetáculos nos quais um touro é espetado até ser abatido. Protestos são frequentes ali. No testemunhado pela reportagem, os participantes gritavam: "Tortura não é cultura". 

Só 500 metros separam a arena da Catedral de Sevilha. Era uma mesquita, aberta em 1198. Foi convertida em igreja em 1248, quando o rei Fernando 3º conquistou a cidade. 

Mas a construção como é hoje, em estilo gótico, só foi erguida em 1517. Da mesquita restou o minarete, a tal La Giralda, torre com 90 metros de altura e 34 andares, vencidos por rampas íngremes. 

Os visitantes sobem e descem em fila indiana, porque o espaço é estreito. No topo, é preciso revezar com outros turistas um espaço nas bordas, para avistar Sevilha inteira.

Depois de descer tudo, o melhor que o viajante cansado pode fazer é relaxar no Patio de los Naranjos, espaço dentro da área da catedral com laranjeiras e bancos. 

Há ainda, claro, a visita pelo interior da igreja, com altares, capelas e túmulos de personalidades, incluindo o que se chama de sepulcro de Cristóvão Colombo. É fácil achar sua localização: basta procurar por quatro estátuas tristes que carregam um caixão.

Se os restos mortais na catedral são mesmo do explorador, no entanto, é dúvida. Testes de DNA provaram a autenticidade dos ossos, mas o exame é controverso, já que os tecidos estavam bastante fragmentados e o material genético foi comparado com o de parentes de Colombo.

Há guias de áudio que discorrem sobre detalhes da catedral. O ingresso de € 9 (R$ 38) pode ser comprado antecipadamente. Sem ele, a espera para entrar foi de 20 minutos.

Convém, também, agendar a ida ao Real Alcázar de Sevilha, antigo palácio árabe do século 11, e um dos mais antigos da Europa em operação —hoje, recebe exposições e eventos. Reserve pela internet, no site (€ 11,50 ou R$ 49), para evitar a fila. 

É indicado comprar o ingresso que inclui guia de áudio. Como os cômodos não têm móveis, fica difícil entender a função de cada um sem algum tipo de ajuda. 

Só não vale se apegar demais à sequência proposta pelo guia: o Alcázar é tão grande que é fácil se perder dentro dele. O mais provável é que a pessoa saia da sala 15 direto para a 60, sem perceber. 

A falta de mobiliário ajuda a manter a atenção no revestimento das paredes, no piso e no teto —às vezes em formato de renda, ou com desenhos de castelos e brasões. 

A Catedral de Sevilha e o Alcázar ficam em Santa Cruz, o bairro judeu. Tem ruas estreitas, só para pedestres, cercadas por prédios baixos, com lojas, restaurantes e hotéis. 

Dá para ir dali até outro ponto importante, o parque Maria Luisa, de carruagem. O passeio de 40 minutos, para quatro pessoas, custa cerca de € 45 (R$ 193).

Na plaza de América, dentro do parque, há muitos pés de laranja, onipresentes na cidade. A tentação de pegar uma fruta e comer ali mesmo é grande, mas é melhor não: a variedade mais encontrada é amarga, indicada para geleias.

Também no parque está a plaza de España, construída para a mostra Ibero-Americana de 1929, sediada em Sevilha. Tem 48 portais que representam as províncias do país. Em forma de meia-lua, é familiar para quem viu "Star Wars: Ataque dos Clones" (2002), que teve cenas gravadas ali. 

Uma caminhada de meia hora separa o parque Maria Luisa do centro comercial. Lá está o Setas de Sevilha, que também atende pelo nome de Metropol Parasol. O prédio, que lembra dois ninhos conectados, foi projetado pelo alemão Jürgen Mayer e entregue em 2011 para revitalizar a área.

Há uma praça no térreo, usada por jovens para praticar skate e coreografias de k-pop. No topo da estrutura de madeira, uma passarela permite observar a cidade. Suba no pôr do sol, mas vá com tempo, porque a fila é longa. A bilheteria fica no subsolo —paga-se € 3 (R$ 13) para subir. 

Também no subsolo está o Antiquário, sítio arqueológico descoberto quando começaram as obras para o Setas. Há vestígios da ocupação do Império Romano e de uma casa islâmica dos séculos 12 ou 13. O ingresso custa € 2 (R$ 9).

Não estranhe se avistar a palavra "Macarena" em placas ou mapas de Sevilha. Há uma região com o nome da famosa música dos anos 1990. 

Ali fica um trecho da muralha que cercava a cidade. Ao lado está a basílica com a imagem de María Santísima de la Esperanza Macarena.

Há uma ligação entre a moça da música, que dá alegria ao corpo, e a santa. A dupla que lançou a canção, Los del Río, é da região. Macarena é um nome comum ali. 

Churros andaluzes são gordos e um pouco salgados

Entre uma caminhada e outra, o turista pode recarregar as energias com um quitute típico de Sevilha, o churro, também chamado de calentito.

Prato com churros, caneca de chocolate e copo com café
Churros típicos de Sevilha, servidos com café com leite e chocolate cremoso, no restaurante El Pilar - Ana Luiza Tieghi/Folhapress

Na capital da Andaluzia, a iguaria frita é grossa, de textura crocante e sabor levemente salgado. É servida em porções com pelo menos quatro unidades de 20 centímetros. 

Em Triana, uma opção para provar churros é a banca Los Especiales, no início da ponte que leva o nome do bairro. Mas há muitos outros lugares: basta procurar os que servem café da manhã, como a Casa Pilar, próxima à plaza de España. Lá, a porção com chocolate e café custa € 2,80 (R$ 12).

Como chegar

Os 534 km entre Madri e Sevilha podem ser percorridos em uma hora de voo ou duas horas e 30 minutos de trem (em média € 45 ou R$ 190). Também é possível chegar via Lisboa, em voos de uma hora

Pacotes

US$ 540 (R$ 2.030)
4 noites em Sevilha e Granada, na RCA ( rcaturismo.com.br)
Duas noites em Sevilha e duas em Granada. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios pelas cidades e seguro-viagem. Sem passagem aérea

US$ 1.102 (R$ 4.143)
6 noites em Madri, Sevilha e Granada, na Maringá Lazer (maringalazer.com.br)
Três noites em Madri, duas em Sevilha e uma em Granada. Partida em 15 de outubro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui seguro-viagem e traslados. Sem passagem aérea

US$ 1.102 (R$ 4.143)
6 noites em Madri, Sevilha e Granada, na Venice Turismo ( veniceturismo.com.br)
Três noites em Madri, duas em Sevilha e uma em Granada. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui city tour e traslados. Sem passagem aérea

R$ 4.575
6 noites em Sevilha, na Submarino Viagens ( submarinoviagens.com.br)
Hospedagem em quarto duplo, sem café da manhã. Inclui passagens aérea a partir de Guarulhos (SP)

R$ 4.801
9 noites em Madri, Barcelona, Sevilha, Granada e Valência, na CVC (cvc.com.br)
Três noites em Madri, duas em Barcelona, duas em Sevilha, uma em Granada e uma em Valência. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios panorâmicos com guia em português. Sem passagem aérea

R$ 7.460
9 noites em Barcelona, Valência, Granada, Sevilha e  Lisboa, na Abreu ( abreutur.com.br)
Três noites em Barcelona, uma em Valência, uma em Granda, duas em Sevilha e duas em Lisboa. Partida em 7 de novembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios pelas cidades e traslados. Sem aéreo

€ 2.810 (R$ 11,9 mil)
9 noites em Barcelona, Madri, Sevilha e Granada, na Interpoint (interpoint.com.br)
Três noites em Barcelona, três em Madri, duas em Sevilha e uma em Granada. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui quatro dias de locação de carro. Sem passagem aérea

A jornalista viajou a convite do WTT (Conselho Mundial de Viagens e Turismo) 

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