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Visitante faz trilha e dorme na floresta em reserva de SP

Área no Vale do Ribeira reúne mais de 1.700 espécies de plantas e animais

Carolina Muniz
São Paulo

A cerca de duas horas de carro de São Paulo, fica a maior reserva privada de mata atlântica do país, com 31 mil hectares, tamanho equivalente ao de Ilhabela, no litoral norte do estado. Ali, é possível fazer trilhas de diferentes níveis, descer o rio de caiaque e até dormir na floresta —em uma barraca ou no conforto de uma cama. 

Localizado no Vale do Ribeira, o Legado das Águas está dividido entre os municípios de Miracatu, Juquiá e Tapiraí. Dentro dessa área, foram catalogadas mais de 1.700 espécies de plantas e animais —entre elas, a raríssima anta albina e o macaco muriqui, o maior primata das Américas.

Há dois meses, o local recebe visitantes de terça a domingo e nos feriados, com ingressos a R$ 30 —estudantes, idosos e pessoas com deficiência pagam meia-entrada. A reserva está aberta ao ecoturismo desde 2017, mas antes era necessário agendar o passeio com antecedência.

 

O bilhete dá direito a duas trilhas autoguiadas de nível fácil. Uma delas, percorrida sobre uma passarela de 300 metros de extensão, é acessível a cadeirantes. Sua atração é uma figueira de quase 200 anos, com 40 metros de altura e 16 metros de diâmetro.

Para quem gosta de pedalar, há também 40 quilômetros de estradas de terra. O visitante pode levar a própria bicicleta ou alugar uma por R$ 70, a hora, ou R$ 160, o dia. 

Outras atividades são contratadas à parte, caso das trilhas guiadas e da canoagem. Cada dia da semana tem uma programação diferente, com uma saída de passeio às 10h e outra às 14h. A agenda pode ser consultada no site loja.legadodasaguas.com.br

Vale se planejar para ir à reserva em um dia de canoagem. De dentro do caiaque, remando pelas águas calmas do rio Juquiá, o visitante tem aquela noção da imponência da floresta. A mata densa está por todo lado, e o único barulho que se ouve ali é o das águas. 

No percurso de 7,4 quilômetros, há uma parada em uma prainha —boa para banho e para praticar standup paddle— e outra em uma cachoeira que deságua no rio. A atividade custa R$ 60.

O mesmo passeio pode ser feito à noite em datas determinadas, anunciadas no site. Também são oferecidas outras atividades noturnas, que incluem trilhas e observação do céu.

Durante visita, a reportagem andou à noite por um caminho dentro da mata, próximo à base da reserva. De animais, só viu aranhas de diferentes tipos —e suas teias. Mas o passeio vale a pena só pela sensação de estar no meio da mata na completa escuridão.

Com 23 quilômetros, a maior trilha do Legado tem duração de dois dias, o que exige pernoite em uma barraca na mata. Guias acompanham os participantes, que precisam ter bom preparo físico para enfrentar os trechos íngremes. O preço da atividade, que inclui a entrada na reserva, é R$ 352,63.

Quem quiser acampar sem tanta aventura pode montar sua barraca no espaço destinado ao camping, à beira da represa —há quatro usinas hidrelétricas no local, que fornecem energia para a Companhia Brasileira de Alumínio, do grupo Votorantim, dono da reserva. O preço da diária vai de R$ 40, com barraca própria, a R$ 70, com o aluguel do equipamento.

Para aqueles que buscam algo mais confortável, a melhor opção é se hospedar na pousada que fica na base da reserva. Os quartos têm banheiro privativo, mas não têm TV. É preciso levar xampu e sabonete. A diária, com café da manhã, custa R$ 160 em quarto individual, R$ 200 em duplo e R$ 270 em triplo.

No local, não há sinal de celular, mas os hóspedes têm acesso gratuito a um wi-fi não muito estável —bom para quem busca se conectar só com a natureza.

Na base, também há um restaurante que oferece lanches e refeições. O café da manhã sai por R$ 23; almoço e jantar custam R$ 35, com suco e comida à vontade.

 

O horário de entrada na reserva vai das 7h às 13h. Para quem não vai dormir por lá, o recomendado é deixar o local até as 17h, para que o percurso na estrada de terra que conecta o Legado à rodovia Regis Bitencourt seja feito durante o dia.

A única forma de chegar ali é de carro. Saindo de São Paulo, o motorista deve pegar a Regis Bitencourt até o km 348. Ali, o ponto de referência é o Graal Japonês (pode colocar assim no Waze).

Logo depois do posto está a entrada para a estrada de terra. O trecho tem 26 quilômetros, que são percorridos em mais ou menos uma hora de curvas e sacolejos.

Não é necessário que o veículo tenha tração 4x4, mas carros baixos vão sofrer mais com os buracos —assim como seus passageiros. Também é importante entrar na estrada com o tanque abastecido, porque não há postos a partir dali.

 

A jornalista viajou a convite das Reservas Votorantim

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