Descrição de chapéu pets

Cães se aventuram em trilhas, rafting e até stand-up paddle

No interior de São Paulo, hotéis e pousadas recebem bichos com piscina em forma de osso, gramados livres e atividades

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Socorro (SP) e Dourado (SP)

Em meio à quarentena, muitas famílias cresceram com a inclusão de cães e gatos. Quem opta por viajar neste momento de pandemia pode levá-los, dependendo do destino.

Uma opção são os hotéis e pousadas pet friendly, ou seja, que aceitam a presença dos animais de estimação. Há aqueles em que o bicho ganha destaque durante a estadia, como na pousada A Mata que Canta, em Socorro (a 130 km de SP), próxima a Minas Gerais.

Os chalés não se diferenciam de qualquer outra hospedagem, com quarto amplo, banheiro e varanda —gradeada.

Na área das piscinas, porém, os patudos são contemplados com uma unidade cercada, rasa e em formato de osso. Também há a piscina principal, para adultos, com queda d'água que a conecta com uma segunda, para as crianças.

A pousada é voltada aos pets desde a abertura, em 2013. Cinco anos depois, morreria seu fundador, Sebastião Ginghini, devoto de São Francisco de Assis que tinha a companhia constante da cadela Neguinha. Até na tirolesa da pousada (R$ 39, com 300 m).

Segundo a atendente Eliza Zanesco, um dos destaques do local é a receptividade a cães de todos os portes. A pousada tem um vasto gramado, onde o pet pode ficar solto.

O uso de máscaras é obrigatório em locais fechados, porém liberado ao ar livre. Para promover o distanciamento, o café passou a ser entregue embalado em uma cesta deixada na varanda do chalé.

Caso o animal não queira apenas sol e piscina, há o parque Monjolinho, logo em frente e fundado pelo dono da pousada. A trilha São Francisco de Assis é curta, sem dificuldades e com acesso gratuito. Como o caminho margeia o rio do Peixe, há alguns trechos onde animais de pequeno porte podem se refrescar.

Os mais aventureiros podem praticar o supdog, stand-up paddle com cães (R$ 60), ou rafting (R$ 85, por 4 km, ou R$ 105, por 7 km). O ideal é que o patudo goste de água, já que o banho é garantido, principalmente nas corredeiras.

Se o passeio é sem a companhia deles, há mais opções. Entre as atividades na água, também há caiaque, boia cross e trilhas com cachoeiras. O parque oferece também arvorismo, escalada e passeio de quadriciclo.

Os menos aventureiros podem aproveitar o gramado da entrada do Monjolinho, com suas redes, ou o restaurante, que, inclusive, tem uma área para quem estiver acompanhado de seu bichinho.

O Santa Clara Eco Resort, em Dourado (a 280 km de SP), uma antiga fazenda, também é um local onde cães de pequeno porte são bem-vindos.

Na frente da sede, construída pela família do ex-presidente Washington Luís (1869-1957) e onde fica a recepção e o restaurante, há um grande gramado cercado por árvores —um bom espaço para o animal brincar. "Por ser uma fazenda, nascemos pet friendly. Não adianta aceitar o cachorro para depois ele ser tolhido, não poder fazer nada", afirma Taiza Krueder, diretora-executiva da rede Clara Resorts.

Logo no início da quarentena, a unidade de Dourado recebeu orientação da Santa Casa de São Carlos para aderir aos novos protocolos e poder reabrir o hotel de uma maneira segura. Assim, voltou a funcionar após 70 dias fechado. Hoje, oferece espaço com boa internet e café para quem está em home office ou estudando a distância.

Voltado para a família, o resort tem monitores que conduzem brincadeiras com a garotada e organizam trilhas e jogos com os adultos.

Há várias trilhas no bosque em volta do hotel, e Tomé, mascote que há anos habita o local, é presença garantida. Dependendo da opção, cães de pequeno porte podem acompanhar o passeio, mas atenção: em um trecho ou outro é necessário atravessar riachos ou pontes com os bichinhos no colo.

O cão-repórter Café, 4, um pug bastante ativo, acompanhou o grupo tranquilamente pelos 3 km de um dos passeios, tendo de ser carregado no colo apenas em uma ponte de cordas —incompatível para suas patas. No fim, a água gelada da cachoeira recompensou o exercício matinal.

Outra caminhada, com um trecho no qual é necessário andar por volta de 500 metros com água por vezes até o joelho, fez com que o animal aguardasse o restante da equipe no quarto.

O resort tem nove piscinas e um variado bufê nas quatro refeições do dia —na entrada, há totens com máscaras e luvas descartáveis. Os animais, porém, não podem frequentar esses ambientes.

Pousada A Mata que Canta
Diárias a partir de R$ 320 para duas pessoas, pousadamataquecanta.com.br

Santa Clara Eco Resort
Diárias a partir de R$ 1.105 para uma pessoa, clararesorts.com.br/santaclara

O jornalista viajou a convite do Clara Resorts

Os cuidados para o ecoturismo com cães

–Antes da viagem, leve o cachorro ao veterinário para um check-up; certifique-se de que ele não tenha problemas cardíacos ou de locomoção, e se as medicações contra ectoparasitas, como carrapatos, estão em dia

–Aclimate seu animal à natureza antes da viagem, levando-o a parques, se ele não estiver acostumado

–Mantenha o cachorro com guia, de preferência peitoral e com placa de identificação, porque ele pode correr ao se deparar com outros animais ou com barulhos que não reconhece

–É ideal evitar as horas mais quentes do dia, para que não ocorram queimaduras nas patas; animais de pelagem e pele branca também sofrem mais com o sol e podem precisar de protetor solar veterinário

–Não esqueça de levar água para o cachorro em passeios longos

–Não force o animal a fazer alguma atividade se ele estiver assustado

–Respeite o ritmo de caminhada do cachorro e seus sinais de cansaço, como respiração ofegante

–Cachorros com focinho curto, como pugs, boxers e buldogues, exigem mais cuidado em atividades no calor: seu nariz tem dificuldade para resfriar o ar, o que pode causar hipertermia; fique atento aos sinais de cansaço

–Se o cachorro for entrar na água, é indicado colocar tufos de algodão hidrófobo nas orelhas, para evitar infecções de ouvido

–Nunca jogue o cachorro na água, porque nem todos sabem nadar instintivamente; em piscinas ou rios, entre com ele primeiro, segurando-o pelo peitoral, até que o animal se acostume. Além do risco de afogamento, o cachorro pode passar a ter medo de água se a experiência for negativa

–Antes de deixar o cachorro entrar na piscina, verifique se há uma escada adequada, porque ele pode ter dificuldade para sair

–Atenção ao cloro nas piscinas, que pode irritar os olhos dos cachorros e ressecar a pelagem; se está irritando os olhos dos humanos, também está afetando o animal

Fonte: Aldo Marcellaro Júnior, veterinário e fundador do Clube de Cãompo, hotel fazenda para cachorros em Itu (SP)

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