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Alter do Chão surpreende com águas quentes e linguiça de pirarucu com jambu

Vila ocupada por índios Borari foi descoberta por portugueses em meados de 1626

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Vista aérea de Alter do Chão Venceslau Borlina Filho/Folhapress

Venceslau Borlina Filho
Alter do Chão (PA)

Chegar à vila de Alter do Chão, distrito localizado a 37 quilômetros de Santarém, no oeste do Pará, é como entrar no paraíso.

O céu azul com algumas nuvens, a natureza preservada, praias de areia cintilante e a grandeza e beleza do rio Tapajós, com suas águas quentes e mansas, formam o cenário perfeito para uma temporada de, no mínimo, cinco dias, onde o único pecado é não entrar no clima local e curtir a Amazônia como ela merece.

As medidas de prevenção à Covid-19 estão mantidas em Alter do Chão. Após uma temporada inteira sem turistas em razão da doença, hotéis e pousadas exigem o uso de máscara nas áreas internas. A exceção é na hora de comer, desde que com distanciamento entre os hóspedes.

A mesma condição vale para os restaurantes e bares. Nos barcos, o uso da máscara também é obrigatório e há limite de passageiros. Já nas ruas há pessoas com e sem máscara. A pouca aglomeração acontece na praça central, principalmente no período da noite.

O principal atrativo de Alter do Chão, território de índios da etnia Borari descoberto por portugueses no século 17, é a Ilha do Amor, localizada bem em frente à vila.

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Ilha do Amor no Rio Tapajós, que só aparece nos períodos de seca, na vila de Alter do Chão - Rubens Chaves/Folhapress

No pico do verão, que vai de julho a dezembro, dá para atravessar o rio a pé, mas há catraias (canoas) que transportam até quatro adultos por vez por um valor quase simbólico, que representa muito para os trabalhadores locais —afinal, são apenas seis meses para fazer dinheiro por um ano inteiro.

Já na ilha, é possível se instalar em uma das mais de dez barracas que oferecem bebidas e comidas de qualidade –fartas porções de peixe, pratos feitos, cervejas, sucos e drinques.

As mesas com guarda-sóis ficam junto da água, todas viradas para o Lago Verde. O sol nasce nessa direção, cruza a ilha e se despede lentamente do lado oposto, sumindo na imensidão do rio Tapajós –um espetáculo para ser visto e aplaudido todos os dias.

Índio munduruku caminha em banco de areia formado no rio Tapajós
Índio munduruku caminha em banco de areia formado no rio Tapajós - Aaron Elkaim

A partir da ilha, também dá para caminhar para outros cantos do Lago Verde e ficar longe do burburinho, mais comum aos fins de semana.

Seguindo pela margem do rio, você pode chegar a pé à Ponta do Tauá ou, com mais fôlego, à Ponta do Cururu –faixa de areia que entra pelo Tapajós–, onde turistas aportam diariamente para assistir ao pôr do sol. O banho está liberado em qualquer local. Proteção solar e muita água para beber são fundamentais.

Também fica na ilha uma das principais atrações locais, a Serra da Piroca ou Piraoca. Após caminhar por dois quilômetros e subir 110 metros, se tem uma vista em 360 graus de toda a região –praias, lagoas e floresta.

No topo, há um cruzeiro de ferro e placas de madeira indicando a direção e quilometragem de diversos destinos no mundo, desde Nova Iorque, nos EUA, até Sidney, na Austrália, além de Buenos Aires, na Argentina.

Já a partir da vila, também se tem acesso a praias, como a do Cajueiro. Um pouco mais à frente está localizado o CAT (Centro de Atendimento ao Turista).

Uma passarela de madeira construída no local proporciona uma visão espetacular do pôr do sol. Nesse local não há oferta de barracas, bebidas ou entretenimentos diversos como na Ilha do Amor, mas vale a visita para se encontrar com moradores locais e observar costumes.

Caminhando pela areia rio Tapajós acima, também é possível chegar a pé na Ponta do Muretá. As águas transparentes e a areia branca são um convite para um dia inteiro no local, aproveitando a sombra dos cajueiros e outras árvores.

Nesse ponto não há qualquer estrutura de serviços. Portanto, é fundamental levar lanches e frutas, comidas rápidas e muita água. A despedida do sol é cinematográfica e inesquecível.

Subindo o rio, também é possível chegar à Ponta do Caxambu e à praia de Pindobal, essa já no município de Belterra. A caminhada, porém, exige muito preparo físico e disposição.

Para todos esses locais, há a possibilidade de visita por meio de passeios náuticos partindo da orla de Alter do Chão. As saídas em lanchas rápidas são organizadas pela Atufa (Associação de Turismo Fluvial de Alter do Chão), a partir do quiosque em frente à Ilha do Amor.

Um dos passeios imperdíveis é a visita à Floresta Nacional do Tapajós, mais conhecida como Flona do Tapajós. O barco leva os turistas até a comunidade de Jamaraquá, onde é possível uma imersão na floresta na companhia de guias nativos e banho em igarapé de água gelada.

A floresta é uma unidade de conservação federal criada em 1974 sob responsabilidade do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Outro passeio que pode ser feito é até a praia de Ponta de Pedras. Já na cidade de Santarém, vale a pena ver o encontro das águas entre os rios Tapajós e Amazonas, que a partir dali seguem juntos até a foz, no oceano Atlântico, na divisa entre os estados do Pará e Amapá.

Todo esse trajeto pode ser feito de navio, que é um dos principais meios de transporte na Amazônia, ligando cidades como Macapá, Belém, Santarém, Parintins e Manaus.

A oferta de hotéis e pousadas é grande, assim como de restaurantes. O prato típico mais comum é feito com o peixe pirarucu, mas também tem tucunaré, tambaqui, charutinho.

Entre as formas criativas de preparo, estão a linguiça de pirarucu com jambu (planta que causa sensação de adormecimento na boca) e o bolinho de piracuí, uma versão semelhante ao bolinho de bacalhau. A salada de feijão Santarém é acompanhada com orelha de macaco, uma forma de espinafre amazônico.

Jambu, planta encontrada no norte do Brasil, principalmente no estado do Pará. Famosa pelo efeito de adormecer a boca, ela é usada na gastronomia em diversas receitas - Keiny Andrade/Folhapress

A banana-da-terra vai como acompanhamento, assim como a farinha de mandioca. O arroz paraense, o vatapá e a maniçoba também são iguarias que não podem deixar de ser apreciadas. O tacacá está presente, assim como os doces à base de cupuaçu.

Alter do Chão ficou amplamente conhecida em 2009, após o jornal inglês "The Guardian" apontar a Ilha do Amor como a praia mais bela do Brasil.

O turismo se intensificou no local. A vila ganhou novas pousadas e hotéis. Mas a velocidade não tem sido a mesma para a chegada da infraestrutura urbana.

A maioria das ruas ainda é de terra. Quando chove, toda ela desce em direção ao rio, favorecendo o assoreamento. A orla, que teria tudo para ser um grande ponto de encontro, está sem manutenção. Bancos estão quebrados, e grades, destruídas.

O distrito, que no mês de setembro realiza o Sairé –manifestação religiosa e profana em razão da colonização portuguesa e cultura indígena, respectivamente–, não tem saneamento básico.

São cerca de 10 mil moradores sem água tratada e encanada, ou coleta e tratamento de esgoto. A água vem de poços e o esgoto é depositado em fossas, algumas sem impermeabilização. Há obras em andamento no setor, mas sem data de conclusão.


Serviço

PASSEIO FLORESTA NACIONAL DO TAPAJÓS

Trilha de intensidade média/alta dentro da floresta, com banho em igarapé, na companhia de guias nativos credenciados pelo ICMBio.

Ingresso R$ 180 por pessoa, ida e volta de barco, mais R$ 30 do guia.

www.atufa.com.br

ANO NOVO VAI TAPAJÓS 2022

Festa de Réveillon em praia do rio Tapajós, no município de Santarém, com open bar e open food.

Preço - Esgotado. Atrações: DJs Bernardo Pinheiro, Formiga e Galo Preto, das 23h às 7h.

www.vaitapajos.com.br

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