Profissões - Opção por formação de professor cresce
FÁBIO PORTO SILVAda Folha de S.Paulo
Apesar de o professor ser visto como um profissional desvalorizado no país e conviver com baixos salários e greves periódicas, a opção pela licenciatura nas universidades tem aumentado significativamente.
Segundo Márcia Strazzacappa, professora e coordenadora de licenciatura da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a procura dos alunos pela área aumentou 50% nos últimos anos. O coordenador de metodologia de ensino da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), Claudemir Belintane, sem citar números, diz que o aumento da demanda a partir de 98 é evidente.
É que a maioria das carreiras oferecidas no vestibular têm a opção "dois em um", como diz a professora Márcia, ou seja, o aluno pode se graduar em bacharelado e depois, a partir geralmente do terceiro ano, freqüentar as disciplinas de licenciatura.
Para Belintane há uma grande demanda pela reciclagem e formação de professores, e não devido apenas às exigências da Lei de Diretrizes e Bases de 1996. Por ela, professores de 5ª a 8ª série e do ensino médio contratados a partir de 2007 precisam ter diploma de licenciatura. "Muitos ex-alunos voltam à USP para assistir aulas como ouvintes, já que no passado não deram importância para a licenciatura", diz o professor.
Outro motivo para o aumento da demanda é que a licenciatura funciona também como uma espécie de garantia para o aluno de bacharelado, pois num momento de crise ele tem a opção de atuar como professor.
Existem também os cursos específicos, como o de licenciatura integrada em física e química oferecido pela Unicamp e criado em 1999. Nos quatro primeiros semestres do curso, os alunos têm disciplinas comuns e, nos últimos dois anos, eles optam pela licenciatura em física ou em química, podendo ainda fazer os dois por meio do reingresso na universidade. De acordo com Elizabeth Mercuri, ex-coordenadora do curso, sua abertura ocorreu a partir da demanda por formação de professores do ensino médio e da forte integração entre essas duas áreas de conhecimento.
Outro exemplo é o curso de licenciatura em ciências exatas da USP de São Carlos. Segundo seu coordenador, Sérgio Paulo Campana, uma das virtudes do curso é o de ensinar o conteúdo transmitindo também ao futuro professor a didática mais adequada. O objetivo é desenvolver um ensino prático, e não apenas expositivo, por meio da valorização dos laboratórios. "Muitas escolas possuem laboratórios que são pouco usados nas aulas por falta de preparo do docente", diz Campana.
Fovest - 25.out.2001
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