Novo chanceler crê poder provar que não houve golpe em Honduras
FABIANO MAISONNAVE
enviado especial da Folha de S. Paulo a Tegucigalpa (Honduras)
O recém-empossado ministro de Relações Exteriores de Honduras, Enrique Ortez, terá a tarefa mais difícil do novo governo do país: convencer o mundo de que não houve um golpe de Estado. Até esta segunda-feira, nenhum país havia reconhecido a posse do presidente Roberto Micheletti.
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
O presidente eleito Manuel Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28), em um golpe orquestrado pela Justiça e o Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica, provocando uma condenação mundial unânime.
O golpe foi realizado horas antes de o país iniciar uma consulta pública sobre um referendo para reformar a Constituição. O presidente deposto queria incluir o referendo sobre a convocação da Assembleia Constituinte --que, segundo críticos, era uma forma de Zelaya instaurar a reeleição presidencial no país-- nas eleições gerais de 29 de novembro. A proposta, contudo, foi rejeitada pelo Congresso.
Os parlamentares afirmaram que a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições". O presidente deposto defendeu-se dizendo ser vítima de "um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".
Ex-assessor de Defesa de Zelaya, Ortez, advogado de formação, é um antigo membro do Partido Liberal. Em governos anteriores, foi ministro de Governo e embaixador. Ele concedeu entrevista, minutos antes de assumir, à Fabiano Maisonnave, publicada nesta terça-feira pela Folha
(a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).
Ele afirma que ainda não sabe qual será a estratégia do novo governo para se legitimar. "Só o que vou dizer é que não vou brigar com ninguém. Existem leis nacionais e leis internacionais. Vamos respeitar todos os tratados internacionais assinados, inclusive a Alba [bloco liderado pelo venezuelano Hugo Chávez]".
Ortez falou ainda das críticas do governo Lula, que afirmou que reconhece apenas o governo de Zelaya.
"Eu não ouvi, mas vou pedir explicações oficiais ao embaixador brasileiro para que ele tenha a informação adequada. Além disso, o cangaceiro [sic] e o hondurenho às vezes divergem pela forma de falar", disse.
Leia mais notícias sobre Honduras
- Presidente de Honduras quer apoio da ONU para voltar ao cargo; protestos deixam feridos
- Presidente deposto diz que voltará a Honduras ao lado de líder da OEA
- Honduras fecha rádios e TVs após golpe; entidades de mídia protestam
Outras notícias internacionais
- Marinha comorense encontra sobrevivente de avião que caiu no Índico
- Chega a 13 o número de mortos em explosão de trem na Itália
- Governo diz que 66 franceses viajavam em avião que caiu no Índico
Especial
livraria


avalie fechar
Está sumidão...
Teria sido "abduzido" ?
avalie fechar
avalie fechar