Mundo
03/07/2009 - 07h30

Chefe da OEA chega a Honduras para exigir retorno de Zelaya

Publicidade

da Folha Online

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, desembarca nesta sexta-feira em Tegucigalpa, capital de Honduras, para exigir a restituição do presidente eleito hondurenho, Manuel Zelaya, ao novo governo interino liderado por Roberto Micheletti.

Entenda a crise política existente em Honduras
Golpe em Honduras repete roteiro do século 20
Sem apoio do partido, Zelaya espera reação popular
Veterano, Micheletti chega à Presidência após golpe

Em um discurso mais ameno, Micheletti afirmou estar disposto a antecipar a eleição presidencial para resolver a crise que isolou o país sob críticas unânimes da comunidade internacional.

Insulza deve permanecer menos de 24 horas em Honduras e anunciou que não vai negociar, e sim exigir o retorno de Zelaya, que foi expulso do país pelos militares no domingo passado (28).

"Não vamos a Honduras para negociar. Vamos pedir que se deixe de fazer o que estão fazendo até agora", afirmou o secretário da OEA em Georgetown, capital da Guiana.

A agenda de Insulza em Tegucigalpa inclui uma reunião com a Corte Suprema de Justiça e com a Procuradoria Geral de Honduras, mas não está previsto um encontro com Micheletti, cujo governo não é reconhecido pelo organismo regional.

Neste sábado, acabará o prazo de 72 horas concedido pela Assembleia Geral da OEA para que o governo interino de Honduras devolva a Presidência a Zelaya. A resolução do órgão prevê a suspensão de Honduras da entidade caso o governo interino não restaure a ordem democrática.

Antecipado

Micheletti descartou de modo taxativo o retorno de Zelaya ao poder, apesar do ultimato da OEA. Em um gesto de flexibilidade, contudo, afirmou que não teria problemas em antecipar a data das eleições, inicialmente previstas para 29 de novembro.

"Sempre e quando o Tribunal [Superior Eleitoral] acertar isto com o Congresso Nacional, baseado na lei, qualquer dia será bom para nós", declarou Micheletti.

A posse do presidente eleito está programada para 27 de janeiro, mas Micheletti não informou se também estaria disposto a antecipar esta data.

Venezuela

A possibilidade de antecipação das eleições foi rejeitada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, que lidera uma ofensiva para a restituição de Zelaya, um de seus aliados na Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA).

Chávez reforçou a pressão na noite de quinta-feira ao anunciar a suspensão do envio de petróleo venezuelano a Honduras. Este país se beneficia de um fornecimento subsidiado do combustível da Venezuela, do qual depende para um abastecimento normal.

O venezuelano insistiu que não reconhecerá o governo eleito em uma eventual votação antecipada e colocou em dúvida a honestidade de um resultado nestas condições.

Zelaya

Zelaya anunciou que pretende retornar ao país no domingo. Em visita a El Salvador pediu aos compatriotas para marchem a Tegucigalpa para protestar pacificamente contra o golpe de Estado.

Ele informou ainda que será acompanhado no retorno pelos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do Equador, Rafael Correa, além de prêmios Nobel da Paz como a guatemalteca Rigoberta Menchú.

Novas manifestações estão programadas nesta sexta-feira, tanto de partidários de Zelaya como de organizações que respaldam o governo surgido após o golpe de Estado.

Ao mesmo tempo, organizações de defesa dos direitos humanos denunciam uma onda de repressão, com dezenas de detenções por parte do governo de Micheletti, que suspendeu as garantias constitucionais e que mantém um toque de recolher.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder neste domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: "se não soltar o celular, atiramos". Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo"."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

Comentários dos leitores
Gedeão Barros (74) 23/11/2009 00h34
Gedeão Barros (74) 23/11/2009 00h34
Conclusão.
Caro Sr. FABRIZIO,
Na verdade, o território israelense só diminui. A maior parte do que os israelenses haviam ganho em guerras DEFENSIVAS (território ganho em guerra defensiva, ninguém é obrigado, legalmente, a devolver) eles devolveram: O Sinai, entregue ao Egito em troca unicamente de paz. Se houvesse perspectiva de paz, eles teriam entregue também todo o resto que ganharam SE DEFENDENDO. Os palestinos demonstram não quererem a paz, pois são incentivados por estrangeiros (o Brasil, inclusive) a rejeitar qualquer acordo. Mas, Israel está perto de fechar um acordo com os países árabes, excetuando-se a Síria e o Irã. A tendência desses dois países é sofrerem o isolamento regional. Por isso o presidente porralouca do Irã está se bandeando para a América do Sul. Aliás, entre os próprios árabes, há uma relação de ódio às vezes maior do que contra os judeus. E o Lula vai se meter nesse assunto, a mando do Chapolin, sem entender nada da complexa situação no Oriente Médio. Outro dia li um comentário de uma jovem que disse não entender a última do Lula: ele é contra Israel construir casas em terreno palestino, considerando Israel invasor e os palestinos, os invadidos. Portanto, ele é partidário das vítimas. Mas, aqui no Brasil ele ajuda os invasores (MST) e dá uma banana pros invadidos A jovem disse, arrematando, que não entende nada de coerência, assim como 80% dos brasileiros. Eu faço parte dos 20%. Um abraço. Fui.
sem opinião
avalie fechar
Gedeão Barros (74) 23/11/2009 00h19
Gedeão Barros (74) 23/11/2009 00h19
Parte 2
Sr. FABRIZIO,
Ninguém contestaria que o bem principal é a vida. No Direito Penal, em qualquer país democrático do mundo, se alguém está em perigo de vida, ele pode se defender sem que se considere crime. É o instituto da legítima defesa. Tal princípio é válido também quando extrapolamos o campo individual. Ninguém, em tempos normais, seria a favor de construir um muro para separar comunidades. Mas, se esse muro for a única solução para reduzir ou impedir os ataques de homens-bomba contra civis, então, deve ser construído. E os fatos comprovam que o muro praticamente acabou com os ataques de homens-bomba. Os judeus vivem o medo 24 horas por dia, todos os dias, há séculos. Eles sabem que numerosos e poderosos inimigos querem destruí-los. Preparar-se para a guerra é questão de sobrevivência para os judeus. Quanto a tratorar casas, lembro que em agosto de 2005, o mundo assistiu ao Plano de Desligamento, a retirada de todos os 21 assentamentos judaicos que ocupavam o território palestino da Faixa de Gaza, uma região de cerca de 360 km2. O Plano também desmantelou 4 assentamentos no ainda ocupado território da Cisjordânia. Foi um passo doloroso dado por Israel em direção à paz e ao fim do conflito. A par disso, Israel é forçado a construir assentamentos em pontos estratégicos para se defender.
Conclusão no próximo post.
sem opinião
avalie fechar
Gedeão Barros (74) 23/11/2009 00h09
Gedeão Barros (74) 23/11/2009 00h09
Sr. FABRIZIO,
Quando eu disse que os palestinos se acomodarão em seu canto e viverão em paz com os judeus, não significou que devessem ir para uma espécie de senzala, com todas as conseqüências de um sistema escravagista. A sua dedução foi equivocada. Seu canto significa seu território. A disputa pelo espaço físico acarreta todos esses conflitos. Mas, não se pode olhar somente sob um único ângulo. Os europeus quiseram ver-se livres dos judeus e, em particular os nazistas, passaram à conhecida "solução final". Povo algum desejaria se espalhar pelo mundo. Os judeus foram arrancados do seu país, expulsos, mortos, tiveram todos os bens pilhados ou destruídos. Todo um povo que construiu a nação israelense, teve que largar tudo para trás e, com famílias fracionadas pela mortandade, teve que fugir e se espalhar pelo mundo, para não ser dizimado totalmente. Após mais de 18 séculos, o ódio e a inveja se voltaram contra esse mesmo povo, tentando extingui-lo por completo, só porque ele conservou as suas tradições. Falam tanto nos índios, que tem o direito de manter a sua cultura e a sua língua. E por que os judeus teriam que renunciar à sua tradição? Para onde esse povo iria fugir? Os curdos encontraram o seu lugar, mas como sofrem por ninguém defender o seu direito a um país. Para os judeus, era uma questão de sobrevivência. Não os queriam na Europa, saquearam todos os seus bens, mataram famílias inteiras. Como poderiam permanecer inertes nos países estrangeiros agressores?
SEGUE ...
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4591)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca