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Veterinária faz próteses de resina para bichos acidentados em SP

Atropelamentos, choques em prédios e bichos atingidos por armas de chumbinho são causas das mutilações

Fernanda Testa
Ribeirão Preto

Eles são resgatados em estado crítico. Mutilados, chegam à clínica muitas vezes sem patas ou sem parte do bico. Pelas mãos da veterinária Maria Ângela Panelli Marchió, mamíferos e aves ganham uma nova chance de sobreviver e voltar à natureza. 

Há um ano, a especialista em ortopedia animal reabilita bichos acidentados na região de Barretos (a 423 km de São Paulo) com próteses de resina plástica feitas à mão.

O trabalho voluntário é feito em parceria com a Polícia Ambiental e ONGs da região, que resgatam os animais e os levam até a clínica veterinária. De acordo com a veterinária, grande parte dos acidentes com os animais envolve atropelamentos e choques em construções e prédios (no caso das aves). Há ainda casos em que os bichos são atingidos por armas de chumbinho.

“Alguns dos animais reabilitados correm o risco de perder a prótese caso sejam soltos novamente na natureza. No entanto, ela confere mais conforto a esses bichos, já que a adaptação é rápida e eles voltam a utilizar com facilidade a parte do corpo que havia sido amputada”, diz a veterinária.

A reconstituição das partes atingidas é feita a partir de uma resina plástica. O material utilizado é o polimetilmetacrilato, que misturado a um pó catalisador resulta em uma resina extremamente resistente. O processo de endurecimento do material é rápido —acontece entre três e cinco minutos.

“A resina fica com uma consistência de acrílico. Como o processo de endurecimento é muito rápido, a prótese é moldada no animal no momento do ato cirúrgico, e é reforçada por implante de pinos metálicos para dar mais firmeza. É um trabalho feito totalmente à mão. Não envolve impressora 3D, nada disso. É totalmente artesanal. Dessa forma conseguimos um resultado mais confortável para os animais”, afirma Marchió.

A resina plástica utilizada pela veterinária serve para reconstituir bicos de aves e fixadores externos de patas. No caso das próteses feitas para substituir os bicos, a resina implantada na ave é tão resistente que demandaria uma serra para ser retirada, segundo a veterinária.

A durabilidade das próteses, de acordo com Marchió, é de cerca de cinco anos para aves que se alimentam de sementes. No caso de aves carnívoras, como gaviões, por exemplo, o bico de resina resiste até o fim da vida do animal.

Já foram resgatados dez animais, entre eles periquitos, papagaios, curicacas e até gaviões. Para cada cirurgia realizada, o custo médio fica entre R$ 1.000 e R$ 1.500. “Próteses para animais ainda são raras no Brasil, por isso acaba sendo uma cirurgia de custo elevado. Faço gratuitamente por amor, e porque visamos o bem-estar desses animais.”

Metade dos animais que recebeu as próteses conseguiu voltar para a natureza. “É um sentimento maravilhoso. A gente se emociona quando vê o bicho podendo ter um pouco de conforto novamente. No estado que eles chegam à clínica, muitos certamente iriam a óbito”, diz.

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