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Jornalista e roteirista de TV.

Masculinidade mata?

Ações podem ser atribuídas à insatisfação da perda de poder

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O bullying já foi apontado como o fio condutor de ataques em escolas, depois do massacre de Columbine, nos EUA, que completa 20 anos em abril. Mas fica cada vez mais claro que não é o único gatilho para episódios de horror, como os de Suzano e de Christchurch. Fosse assim, gays, negros e gordos seriam os principais protagonistas porque são as maiores vítimas de assédio moral na infância e adolescência. 

Outro aspecto pouco discutido voltou ao debate: o papel da masculinidade no perfil dos assassinos, homens, brancos e héteros, na maioria dos casos. Entendo que a teoria cause incômodo, pois, de um tempo para cá, tudo parece culpa dos homens. Não é. Ao menos não de todos. Mas a igualdade conquistada pelo feminismo deixou homens, que não aceitam as mudanças de papéis, ressentidos, frustrados e, às vezes, com raiva. 

No livro “New Demagogues: Populism, Religion and Masculinity” (novos demagogos: populismo, religião e masculinidade), Joshua Roose, professor da Universidade Católica Australiana, explora o que chama de masculinidade ideológica. Para ele, os homens que aceitam essa ideologia acreditam que o empoderamento das mulheres os levou à condição de discriminados e de vítimas. 

“Eles demonstram sua raiva e ressentimento por meio de violência, justificando-a como mera reivindicação do que acreditam ser seu por direito. Do abuso online à violência em lugares públicos, a masculinidade ideológica está emergindo como uma forma de extremismo violento”, escreveu Roose. 

São homens que não aprenderam a lidar com fracassos, rejeições, frustrações e dão de cara com um mundo diferente daquele em que a supremacia masculina era a realidade. 

Mesmo que as vítimas não sejam apenas mulheres, muitas ações podem ser atribuídas à insatisfação da perda de poder. E, para coroar tudo isso, há a internet, em que jovens têm encontrado eco para sua revolta e acabam se radicalizando.

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