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José Manuel Diogo

Pilar Saramago, cátedra 8: o amor é eterno

A grande mulher e o grande homem reforçam união na Universidade Federal do Paraná

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José Manuel Diogo

Empresário e especialista em Intelligence, é fundador da Associação Portugal-Brasil 200 anos

Por trás de um grande "ser" está sempre outro grande "ser". Antes se dizia que uma grande mulher estava sempre por trás de um um grande homem, mas felizmente hoje isso é anacrônico e quase não faz sentido.

Hoje, cada vez mais, por trás de grandes mulheres também estão grandes homens e, verdadeiramente, a diferença de gênero não é precisa porque o que interessa salientar é a importância da "dupla". O que o aforismo quer dizer é que, se a dupla for boa, um mais um são três.

O que se aplica à "empresa" familiar tradicional, de onde o dito é originário, pode aplicar-se hoje a todas as famílias menos tradicionais —que são cada vez mais numerosas e relevantes— na sociedade. A união faz a força, e é ela que faz a conquista, independentemente de a face visível ser um ou outra, uma ou outro, um ou outro ou uma ou outra.

O escritor José Saramago (1922-2010), vencedor do Nobel de Literatura em 1998, e a sua mulher, a jornalista espanhola Pilar del Rio - Divulgação

Feito a "ressalva", porque essas questões de gênero são muito sensíveis, chegamos à história de Pilar del Rio e José Saramago, da grande mulher por trás de um grande homem, homem esse que continua ativo e vivo, muito para além da sua morte porque teve e tem por trás dele uma grande mulher.

A Universidade Federal do Paraná, (UFPR) no sul do Brasil, inaugurou na última sexta-feira (6) a Cátedra Saramago, coincidindo com o ano do centenário do nascimento do Nobel português da literatura. Esta cátedra, na UFPR, é já a oitava a ostentar o nome do Nobel português desde que em Vigo (Espanha), em 2015, a primeira foi criada. Desde então, mais ou menos ao ritmo de uma por ano, elas foram acontecendo na América Latina e na Europa, nomeadamente em Espanha, Itália, Bulgária, México e Peru.

Essas cátedras fazem parte da história do José e da Pilar. Da mulher por trás do grande homem, que hoje faz com que esse grande homem seja imortal e uma referência cultural para todos os seres humanos, mas particularmente para os que amam a língua portuguesa.

A energia de Pilar e de quem a acompanha na fundação com o nome de José tem conseguido feitos culturais verdadeiramente extraordinários e que merecem o reconhecimento de todos, inclusive de quem tem a responsabilidade política de aplaudir os protagonistas numa determinada época.

Na sua primeira sessão (a de inauguração) a "dupla" maravilha consegue juntar o presidente da Assembleia da República Portuguesa, Augusto Santos Silva; o embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos; o coordenador para as comemorações do centenário saramaguiano, Carlos Reis (que dará uma aula inaugural); e, ainda, o reitor Ricardo Marcelo Fonseca, "entre outras autoridades acadêmicas" da universidade.

A cátedra vai ser coordenada por uma mulher, Patrícia da Silva Cardoso, professora do Departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas do Setor de Ciências Humanas da UFPR —o que, como afirma João Ribeiro de Almeida, presidente do Instituto Camões, permitirá o desenvolvimento de mais investigação na área de estudos portugueses, fomentando a história, a promoção e a difusão da literatura portuguesa e de expressão portuguesa no mundo.

A nova conquista da "dupla" Pilar e José —nomear a 61ª Cátedra Camões em todo o mundo— é, antes de qualquer outra coisa, um ato de amor. Este sim uno. E eterno.

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