Sem zíper, novo traje espacial russo ameaça tradição de cosmonautas

Ritual de urinar na roda do ônibus foi inaugurado por Iuri Gagárin em 1961

Moscou | AFP

A Rússia apresentou na última quinta-feira (29) um novo traje espacial para seus cosmonautas. O design do uniforme, no entanto, causou ruído por poder acabar com uma tradição de várias décadas —a de urinar em uma roda do ônibus que leva os cosmonautas ao foguete antes da decolagem. 

O protótipo do traje Sokol-M foi apresentado ao público no salão aeroespacial MAKS 2019, perto de Moscou. No futuro, o uniforme deverá substituir os usados atualmente nos lançamentos de foguetes Soyuz em direção à Estação Espacial Internacional (ISS).

De acordo com o fabricante do uniforme, a empresa aeroespacial russa Zvezda, o traje é feito com novos materiais e é adaptável ao corpo de cada usuário, enquanto os modelos atuais são feitos sob medida para cada pessoa.

No entanto, existe um problema: o novo modelo não tem um zíper na região da virilha. Isso impede que os cosmonautas cumpram um ritual inaugurado por Iuri Gagárin (1934-68), quando se tornou o primeiro homem a viajar ao espaço, na missão Vostok 1, em abril de 1961. 

Pouco antes de ser lançado para o espaço, o soviético precisou ir ao banheiro, e acabou urinando na roda traseira direita do ônibus que o levou ao ponto de lançamento.

Desde então, esse gesto é repetido cosmonautas —homens, evidentemente—, em homenagem ao pioneiro e para trazer boa sorte antes da decolagem. Mulheres não são forçadas a seguir a tradição, mas algumas chegam a carregar uma garrafa com urina para jogar sobre a roda. 

Diante da situação, o fabricante do novo traje espacial comunicou as agências russas que o design do uniforme poderia ser adaptado para manter a tradição.

Os lançamentos de naves Soyuz são precedidos por muitos outros rituais, como a projeção na véspera da decolagem do filme “O Sol Branco do Deserto”, um clássico do cinema soviético, da década de 1970. 

Além disso, no dia do voo, cosmonautas tradicionalmente autografam a porta do quarto de seu hotel e depois brindam com a equipe. 

Por uma superstição, eles não também não presenciam a colocação do foguete de lançamento no local da decolagem. Mas não precisam se preocupar: o foguete é abençoado por um padre cristão ortodoxo, de acordo com outra tradição instituída em 1993, após o colapso da União Soviética.

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