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Editado por Guilherme Seto (interino), espaço traz notícias e bastidores da política. Com Danielle Brant

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Presidentes de partidos descrevem desfile militar como reprovável, injustificável e tentativa de gerar temor

Líderes de siglas da centro-direita à esquerda condenam evento com Jair Bolsonaro nesta terça (10)

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Presidentes de partidos de orientações políticas diversas lamentaram a realização de desfile de veículos militares blindados em Brasília nesta terça-feira (10), dia em que está prevista a votação da PEC do voto impresso.

Eles disseram ver uma tentativa de intimidação ao Congresso por parte dos militares para que aprovem a PEC, defendida por Jair Bolsonaro. Lideranças de oposição farão um protesto em defesa do Legislativo também nesta terça (10).

"Esse desfile era dispensável e tenho a impressão de que está sendo feito para trazer temor. Triste do Brasil se isso for verdade", diz Gilberto Kassab, do PSD.

"Continuo insistindo que o Brasil tem outras prioridades. Lamentável haver energia concentrada nisso sendo que há tantos problemas como vacina, fome e falta de internet nas escolas", completa.

"É um desfile completamente sem sentido, mas que não tem nenhuma força intimidatória sobre o Congresso Nacional ou as lideranças políticas do país", afirma ACM Neto, presidente do DEM.

Em nota, PT, PSB, PC do B, PDT, REDE, PSOL, PSTU e Solidariedade, siglas de oposição, descreveram o desfile como "tentativa de constrangimento ao Congresso Nacional".

No texto (veja íntegra abaixo), eles apontam o evento como "desnecessário, injustificável e reprovável por várias razões de interesse sanitário público."

"É inaceitável, ainda, que as Forças Armadas permitam que sua imagem seja exposta desta maneira, usada para sugerir o uso de força em apoio à proposta antidemocrática e de caráter golpista, defendida pelo presidente da República", afirma a nota.

"Acho que é um sinal de fraqueza. Quando você põe blindado na rua é porque perdeu a batalha da política. Vamos enfrentar. Estou até brincando: com blindado ou sem blindado, Bolsonaro será derrotado", afirma Paulinho da Força, presidente do Solidariedade.

Carlos Lupi, do PDT, afirma que vai ingressar com ação no Ministério Público nesta terça (10) para que Bolsonaro seja submetido a uma prova de sanidade mental.

"O único jeito é internar, não dá mais para brincar. Vamos radicalizar também da nossa parte", diz Lupi.

O ex-deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade
O ex-deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade - Pedro Ladeira-16.mai.2016/Folhapress

Nota em repúdio ao desfile militar assinada por PT, PSB, PC do B, PDT, REDE, PSOL, PSTU e Solidariedade:

Um comunicado oficial do Ministério da Marinha anunciou a realização de um desfile de blindados, acompanhado de sobrevoos pela Esplanada, em Brasília, nesta terça-feira, tendo como destino o Palácio do Planalto.

O motivo alegado é marcar a entrega a Bolsonaro e ao ministro Walter Braga Netto (Defesa) de um convite para que as autoridades acompanhem um tradicional exercício da Marinha previsto para 16 de agosto, em Formosa (GO).

Em meio às sucessivas declarações golpistas de Bolsonaro, e da votação do projeto do "voto impresso" nesta mesma terça-feira, com previsão de derrota, o desfile é uma clara tentativa de constrangimento ao Congresso Nacional.

Estranhamente, e diferente das edições anteriores, é a primeira vez que o convite é feito com um ostensivo e desnecessário desfile de blindados militares, injustificável e reprovável por várias razões de interesse sanitário público.

Neste momento em que o Brasil acumula a trágica marca de quase 600 mil mortes, não tem sentido expor pessoas, inclusive os militares, promover aglomeração e gastar recursos públicos com tal atividade.

É inaceitável, ainda, que as Forças Armadas permitam que sua imagem seja exposta desta maneira, usada para sugerir o uso de força em apoio à proposta antidemocrática e de caráter golpista, defendida pelo presidente da República.

O Brasil ainda está em guerra contra o coronavírus, embate agravado pela variante Delta, pelo desemprego e pela fome, o que exige de toda a sociedade compromisso com a defesa dos verdadeiros interesses dos brasileiros.

O povo não quer ver desfile de tanques de guerra, quer vacina no braço, respeito à democracia e instituições e governantes que trabalhem para gerar empregos e para acabar com a fome no país.

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