Câmara arquiva processo contra Fraga, que postou boato sobre Marielle

Deputado pelo DEM espalhou notícias falsas sobre vereadora nas redes sociais

Ranier Bragon
Brasília

O Conselho de Ética da Câmara arquivou nesta terça-feira (29) por 10 votos a 1 a representação contra o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), que postou nas redes sociais acusações falsas sobre Marielle Franco pouco depois do assassinato da vereadora.

Apenas o deputado Léo de Brito (PT-AC) votou a favor do prosseguimento da representação feita pelo PSOL, partido da vereadora. Em caso de condenação, Fraga poderia ter tido o mandato cassado.

A publicação que motivou a representação afirmava que Marielle tinha sido eleita com a ajuda da facção Comando Vermelho e tinha sido casada com o traficante Marcinho VP.

“Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-esposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho, exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou, foi a PM", publicou o deputado dois dias após o crime. 

Fraga afirmou logo depois ter errado e apagou a postagem. Nesta terça, disse que não checou a informação porque a recebeu de uma fonte do meio policial em quem ele confiava.

"Reconheço meu erro. Por confiar na fonte, repassei a informação sem checar, mas reconheço que como coronel da polícia deveria ter checado antes de repassar". Fraga, que integra a chamada "bancada da bala", não revelou o nome da pessoa que teria lhe enviado a fake news. "Ele posteriormente se desculpou e lamentou a lambança feita."

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou na sessão do Conselho que gostaria de deixar registrado a gravidade do fato, mesmo havendo reconhecimento de erro. "Mesmo que todas aquelas informações fosse verdadeiras, nada justifica o assassinato de uma pessoa."

Marielle, 38, foi morta em março na zona norte do Rio de Janeiro após deixar encontro com mulheres negras. Também foi assassinado seu motorista Anderson Gomes, 39. A morte dos dois levou a protestos em diversas cidades do país pedindo o esclarecimento do crime. Mas até hoje isso não ocorreu.
 

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