Pela 17ª vez, muro de vidro na USP é quebrado em SP

Mistério da quebra de placas continua e 'paternidade' da obra está no limbo

São Paulo

Mais um dos painéis de vidro do muro que separa a marginal Pinheiros da raia olímpica da USP (Universidade de São Paulo) foi encontrado quebrado, na madrugada desta terça-feira (14). Com este, sobe para 17 o número de danos registrados à estrutura.

A estrutura foi encontrada danificada por volta das 2h por agentes da Guarda Civil Metropolitana, órgão responsável por fazer rondas diárias pelo espaço. A promessa de monitoramento da área por câmeras segue sem previsão.

A Guarda Municipal disse que não é possível dizer que a peça foi depredada ou o se vidro quebrou devido ao impacto causado pelo fluxo de veículos na marginal. Cada placa quebrada é avaliada em R$ 4.000.

A polícia e a gestão Bruno Covas (PSDB) desconfiam que os outros painéis foram alvos de ataques e não acidente devido a existência de um padrão nos dias em que as quebras foram registradas.

A suspeita é que tenha relação com as escalas de trabalho de algum funcionário, devido à sequência de dias ímpares ou pares dependendo do mês, além de os casos ocorrerem sempre de madrugada.

A última quebra de placas foi registrada na madrugada do último dia 2 de agosto, uma quinta-feira. O painel foi encontrado danificado e a estrutura que apoia o vidro estava fora do encaixe, segundo a Guarda.

ABANDONO

Sem dono, o muro de vidro já tem sinais de abandono e é alvo de investigação policial que deve ser arquivada sem nenhuma conclusão.

O modelo de muro com vidraças foi anunciado em julho do ano passado. A construção foi feita por meio de doação de empresas à USP, sob intermediação do então prefeito e atual candidato ao governo, João Doria (PSDB).

A negociação para a construção do muro não dispõe de um contrato entre as companhias e a universidade, apenas um termo de doação, o que dá margem ao atual limbo em que se encontra a execução dos serviços.

Para a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB), apesar de a obra ter sido desenhada sob os moldes das doações de empresas à prefeitura, praticadas desde o início da gestão Doria, não cabe ao município fazer nenhuma intervenção por não se tratar de obra da administração. O chamamento público foi feito pela universidade, ressaltou a gestão. 

Por outro lado, a universidade afirma que, até a obra ser entregue, qualquer intervenção é de responsabilidade das 44 empresas que aceitaram participar das doações, inclusive a substituição de ao menos 20 placas de vidro quebradas de forma misteriosa nos últimos quatro meses.

 A USP diz ainda que não está definido quem irá pagar a conta de toda a manutenção do muro após o fim da obra —são 1.222 placas de vidro, cada uma delas avaliada em cerca de R$ 4.000.

Diante de grave crise financeira, a universidade terá dificuldade com esses custos.

Mesmo assim, a definição a respeito da manutenção do muro de vidro deve ser decidida em breve, já que resta pouco a ser feito na obra.

Há quase três semanas, o muro recebeu as últimas placas de vidro, e a empresa responsável pela instalação afirma que, com isso, sua participação na obra chegou ao fim.

A fabricante doadora dos vidros ainda disponibilizou cerca de 120 placas extras para servir como um estoque em caso de quebras.

Na tarde da última terça (7), havia sinais de abandono no local. Ainda restava um vão com vidros estilhaçados desde a última quinta-feira (2) e que ainda não tinham sido substituídos. Parte do estoque de placas está armazenada ao ar livre, disposto em cavaletes de ferro, à beira da marginal Pinheiros, sem proteção.

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