Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Sargento baleado em bar é o 4º militar morto após intervenção federal no RJ

Crime aconteceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense

Rio de Janeiro

Mais um militar foi morto no Rio após o início da intervenção federal na segurança pública no Estado.
Na madrugada deste domingo (26), a vítima foi o segundo-sargento do Exército Gilson Alberto de Souza Amaral, morto a tiros em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). 

Ele foi atingido quando estava em um bar, no bairro de Austin. Segundo a Polícia Civil, homens em duas motos se aproximaram do local por volta das 3h30 e dispararam contra o militar, que foi atingido pelo menos três vezes.

Amaral foi o quarto membro das Forças Armadas a morrer a tiros desde que começou a intervenção intervenção federal, decretada pelo presidente Michel Temer, seis meses atrás.

Na semana passada, três militares (um cabo e dois soldados) morreram em uma operação das forças de segurança nos complexos de favela do Alemão e Penha, zona norte no Rio.

Em junho, um soldado morreu após um acidente de trânsito na Avenida Brasil. Eles se somam à estatística de 65 policiais militares mortos no Estado neste ano. 

O comandante do Exército, general Eduardo Villa Bôas, reclamou na última sexta-feira (24) das condições que a instituição vem enfrentando no Estado.  "Passados seis meses, apesar do trabalho intenso de seus responsáveis, da aprovação do povo e de estatísticas que demonstram a diminuição dos níveis de criminalidade, o componente militar é, aparentemente, o único a engajar-se na missão." Essa foi uma crítica indireta à classe política.

A intervenção, que vale até dezembro, foi decretada às pressas e sem um plano pronto, logo depois do Carnaval, quando cenas de roubos em áreas nobres da capital foram amplamente divulgadas pela imprensa e aumentaram a percepção de insegurança e vácuo no governo do estado. A intervenção ainda não conseguiu reduzir os homicídios, acumula o maior índice de mortes por policiais desde 2008 e tem retirado menos armas das ruas.

O Exército, porém, está nas ruas da cidade desde julho de 2017, quando Temer, diante da grave crise financeira e de segurança pública, decretou a chamada operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A medida dá poder de polícia às Forças Armadas no estado até o fim deste ano, mas pode ser renovada.

Tanto a GLO (poder de polícia ao Exército) como a intervenção valem até 31 de dezembro. Em entrevista à Folha na semana passada, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que a intervenção deve mesmo acabar no prazo inicialmente previsto, pois os responsáveis pela medida já demonstraram não querer a sua renovação.

O apoio dos moradores da cidade do Rio de Janeiro à presença do Exército vem caindo nos últimos dez meses, apesar de ainda ser majoritário, segundo pesquisa Datafolha publicada na semana passada. O índice dos que são a favor da convocação dos militares diminuiu de 76%, em março, para os atuais 66%, enquanto aqueles que são contrários passaram de 20% para 27%. 

Sobre a morte deste domingo, o Comando Militar do Leste informou que o sargento era lotado no Batalhão Escola de Comunicações, em Deodoro, zona oeste da capital, e estava desde março de 2017 afastado de suas funções em razão de um tratamento de saúde. 

A Polícia Civil descartou a hipótese de latrocínio como causa da morte do sargento. A vítima havia sido presa em flagrante “há pouco tempo” por porte irregular de arma de fogo de uso restrito, ainda de acordo com a polícia. 

A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense assumiu a investigação do caso. O Exército lamentou a morte do sargento e afirmou que as circunstâncias serão investigadas em inquérito policial. 

Militares não morriam em circunstância semelhantes à das quatro vítimas deste ano desde 2014, durante a ocupação da favela da Maré. Naquela ocasião, um cabo morreu em confronto com traficantes.

No último dia 20, o cabo Fabiano de Oliveira Santos, 36, foi morto após ser baleado no ombro, em um confronto ocorrido em área do Complexo da Alemão conhecida como Serra da Misericórdia.

No mesmo dia, João Viktor da Silva, 21, soldado paraquedista, foi atingido por um tiro na cabeça na favela Vila Cruzeiro, também no Alemão. Os dois foram atingidos quando um grande cerco foi montado nos complexos de favelas da zona norte. 

Na ocasião, um terceiro militar também foi baleado. Inicialmente, o Comando Militar do Leste havia informado que ele não corria perigo de morte, mas veio a morrer dois dias depois. Ele foi baleado na perna e chegou a ficar internado no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, zona norte do Rio.

O Comando Militar do Leste não deu detalhes sobre as circunstâncias das mortes. Sabe-se que, na operação, houve intensos confrontos.

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