Doria demite Capez no 2º dia de governo após nomeação irregular em São Paulo

Governador não seguiu trâmites convencionais para escolher diretor-presidente do Procon

São Paulo

O governador João Doria (PSDB) terá que demitir em seu segundo dia de governo o ex-deputado estadual tucano Fernando Capez, que ele escolheu para ser o diretor-presidente da Fundação Procon. 

O novo governador não seguiu os trâmites convencionais ao nomear Capez e também Jorge Damião para a presidência do Memorial da América Latina e deverá anular as nomeações nesta quinta-feira (3). A informação foi dada pelo G1 e confirmada pela Folha.

Ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Capez foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por suposto envolvimento na chamada máfia da merenda. Em junho, o STF trancou a ação penal.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa Fernando Capez (PSDB)
O ex-presidente da Assembleia Legislativa Fernando Capez (PSDB) - Eduardo Anizelli/Folhapress

Mobilizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, a Operação Alba Branca, para apurar desvios e fraudes na compra de suco para a merenda escolar em São Paulo, veio a público em 19 de janeiro de 2016, quando membros da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), de onde partiu a investigação, acusaram políticos de receber propina para liberar contratos com o governo e municípios.

Detidos, os então integrantes da Coaf disseram em depoimento que, nos contratos relativos ao Estado (de R$ 11,4 milhões), a propina foi negociada com ex-assessores do gabinete de Capez (PSDB). À época, todos negaram participação em crimes.

A escolha de Capez transformou-se em pressão sobre Doria desde o primeiro momento. O governador, que marcou eventos públicos para anunciar praticamente todos os secretários e diretores de empresas de sua gestão, somente confirmou que Capez participaria do governo do estado depois de perguntado por jornalistas.

A Fundação Procon e o Memorial da América Latina possuem leis que especificam que os conselhos dos órgãos devem encaminhar uma lista tríplice ao Executivo com os nomes dos concorrentes aos cargos de direção. 

O governador deve escolher um dos nomes das listas tríplices, o que não aconteceu no caso das nomeações de Doria.

A assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes informou, por meio de nota, que "os atos serão tornados sem efeitos uma vez que a Assessoria Técnica não cumpriu o rito que determina os estatutos das fundações".

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