Descrição de chapéu Tragédia em Brumadinho

Em protesto contra a Vale, MST bloqueia ferrovia em Brumadinho

Acampamento onde vivem 2.000 pessoas fica às margens do rio Paraopeba, contaminado pelos rejeitos

Isabel Seta
São Joaquim de Bicas (MG)

Membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) bloquearam, nesta quinta-feira (31), a ferrovia do terminal de Sarzedo, que escoa a produção de minério de empresas como a Vale, na região de Brumadinho (MG). Famílias em acampamento usavam água do rio Paraopeba, agora poluído por rejeitos

Segundo o movimento, o objetivo do bloqueio é chamar a atenção da Vale para a situação do acampamento "Pátria Livre", após o rompimento da barragem da empresa na última sexta-feira (25). Mais de 15 caminhões estão parados na estrada, sem poder cruzar para o outro lado da ferrovia. 

Neste momento, representantes do MST e da Polícia Militar de Minas Gerais discutem a liberação de uma via para os caminhões. A Polícia argumenta que os galhos e troncos usados para bloquear o trilho não vai parar o trem. Agentes de uma empresa privada de segurança que presta serviço para a transportadora MRV também estão no local.

O acampamento Pátria Livre, onde vivem 600 famílias (cerca de 2.000 pessoas), fica localizado às margens do rio Paraopeba, contaminado pelo rejeitos da barragem. A água era usada pelo MST para irrigar lavouras, cuidar dos animais e lavar

Segundo Cristiano Meirelles da Silva, coordenador do MST, desde o dia da tragédia, nenhum representante da Vale foi até o acampamento. Eles também não foram procurados pelo governo estadual ou municipal. 

Sem água, dizem os moradores, as hortas e os animais já estão morrendo. "Estamos cobrando providências imediatas das autoridades", afirma Meirelles. 

Algumas famílias também foram diretamente atingidas pelo desastre, porque perderam parentes soterrados no mar de lama. 

O MST estabeleceu o acampamento em julho de 2017. A maioria das casas fica próxima ao rio, o que pode impossibilitar a permanência das famílias no local. 

O futuro de uma escola, construída pelo MST no acampamento e reconhecida pelo governo estadual, também está em xeque por estar ao lado do Paraopeba. A água era usada para irrigação da horta da escola, hoje parte da rede estadual e que conta com 350 alunos.

Neste momento, o MST aguarda a chegada de representantes da Vale.

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