Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Pesquisadores vão monitorar violência em cinco estados brasileiros

Grupo pretende reunir dados oficiais e não oficiais de São Paulo, Rio, Pernambuco, Ceará e Bahia

Júlia Barbon
Rio de Janeiro

Pesquisadores de cinco estados brasileiros decidiram criar um grupo para monitorar a violência para além de dados divulgados oficialmente pelos governos. Batizado de Rede de Observatórios da Segurança, o projeto abarca São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Bahia.

Ele foi inspirado em uma equipe montada durante a intervenção federal no Rio em 2018, dentro do centro de estudos da violência (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, que acompanhou a atuação das Forças Armadas no período em que a segurança do estado ficou sob responsabilidade da União. 

O grupo vai coletar, acompanhar e analisar 16 indicadores, fora os oficiais, a partir de 1º de junho. Entre eles estão feminicídio, racismo, agressões contra pessoas LGBTQ+, intolerância religiosa e linchamentos.

Entram também dados de ataques de facções criminosas, chacinas, tiroteios, abusos por e contra agentes públicos, corrupção policial e operações. Serão analisadas ainda fugas, rebeliões e mortes nos sistemas penitenciário e socioeducativo, como os 55 óbitos que ocorreram no Amazonas entre domingo (26) e segunda (27).

"Queremos entender as dinâmicas locais. Não só pegar os números, mas entender por que está aumentando feminicídio ou mortes por policiais na Bahia, por exemplo. Por isso a rede de pessoas que acompanham cada um desses lugares", disse Silvia Ramos, coordenadora do Cesec, no lançamento do projeto no Museu Histórico Nacional do Rio.

As informações não oficiais serão coletadas a partir da imprensa, páginas de redes sociais e iniciativas como a plataforma colaborativa Fogo Cruzado, que contabiliza disparos e tiroteios na região metropolitana do Rio e em Recife. Os gastos públicos em segurança também serão acompanhados.

Além do Cesec no Rio, farão parte da rede outras quatro organizações que já atuam no setor: Núcleo de Estudos da Violência da USP (São Paulo), Iniciativa Negra (Bahia), Laboratório de Estudos da Violência da UFC (Ceará) e Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Pernambuco).

O grupo pretende ainda organizar fóruns de discussão com pesquisadores, ativistas de favelas, ONGs, parlamentares, membros do Judiciário e jornalistas para debater iniciativas positivas na área de segurança pública.

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