Descrição de chapéu Coronavírus

Projeções não se consolidaram, diz prefeito de São José dos Campos (SP) ao defender reabertura

Felicio Ramuth (PSDB) tentou reativar comércio, mas foi impedido pela Justiça

Ribeirão Preto

Defensor do fim do isolamento e da reabertura de atividades econômicas em sua cidade, o prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), afirma que as projeções sobre o total de casos da Covid-19 no interior não se confirmaram e que seu município tem condições de suportar o estágio atual da pandemia do novo coronavírus.

A maior cidade do Vale do Paraíba tem 351 casos da doença, com 16 mortes, e 8 pacientes internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

O prefeito, que tentou reabrir o comércio mas foi impedido pela Justiça, critica estudo feito pela Unesp sobre projeções da pandemia para o interior do estado e diz que é preciso reabrir o comércio para dar oportunidade às pessoas para tomarem decisões e exercerem a cidadania.

Distribuição de máscaras no transporte público de São José dos Campos (SP)
Distribuição de máscaras no transporte público de São José dos Campos (SP) - Claudio Vieira - 27.abr.20/Divulgação/Prefeitura de São José dos Campos

“O estudo da Unesp falava que em três semanas a situação da capital estaria no interior. Já se passaram essas três semanas [...] Todo o cálculo era de que a situação seria diferente”, afirmou.

Segundo ele, a capital e a região metropolitana devem ter medidas até mais drásticas que as já tomadas em razão do total de casos, mas que as cidades do interior devem ser analisadas levando-se em consideração suas estruturas e as características de cada uma.

A pesquisa da Unesp (Universidade Estadual Paulista) mostra que a quarentena na capital retardou em três semanas a explosão de casos da Covid-19 no interior. Como o movimento entre a capital e os municípios caiu, isso proporcionou tempo às prefeituras para adequarem estruturas de saúde para combater a pandemia.

Entre os dias 17 de abril e esta sexta-feira (8), o total de cidades com casos da doença passou de 215 para 398 em São Paulo, enquanto os casos subiram de 12.841 para 41.830.

Autoridades de saúde dizem que o isolamento social, apesar de os índices estarem abaixo do ideal, têm contribuído com o achatamento da curva de casos, salvando vidas.

“Eu não me perdoaria se ao fazer a flexibilização não tivesse infraestrutura necessária para atender a população. Temos leitos UTI nas áreas pública e privada ociosos”, disse.

Na segunda-feira (11), ele e prefeitos de cidades sedes de regiões administrativas se reunirão no Palácio dos Bandeirantes para começar a discutir como serão os próximos passos em relação a um possível afrouxamento das medidas após 31 de maio —data em que vence o decreto do governador João Doria (PSDB).

Ele e ao menos outros dois prefeitos —de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira, e Bauru, Clodoaldo Gazzetta (ambos PSDB)— devem apresentar propostas para defender a flexibilização em suas cidades.

“Quem sabe a decisão possa ser revertida pelo governador escutando o comitê de 16 prefeitos. Acredito no diálogo e o governador pode ter tomado a decisão embasado em dados que suas equipes deram, levando em conta dados da capital, sem o olhar detalhado do que tem acontecido no interior. Não falo das projeções, mas do histórico. Todas as projeções de um mês atrás não se consolidaram. Por isso defendo [a reabertura]”, disse Ramuth.

JUSTIÇA

O prefeito tentou reabrir o comércio em 27 de abril, mas a Justiça suspendeu no dia 22 a decisão, alegando que a medida é de competência do estado.

O decreto de Ramuth permitia a reabertura de comércio e serviços em geral, incluindo shoppings (exceto praça de alimentação), e previa num segundo momento a volta das operações de bares e restaurantes.

A prefeitura recorreu ao TJ (Tribunal de Justiça), que manteve a decisão do fechamento. Ramuth disse que irá ao STF (Supremo Tribunal Federal).

“Ficou claro no plenário [do STF] que estados e municípios têm competência concorrente. Estamos entrando com embargos de declaração para fazer valer meu decreto, levando em consideração o posicionamento dos ministros no julgamento.”

Apesar de pregar a reabertura, disse que se o cenário mudar o governo local pode recuar e se adequar. “Sempre defendi que não devemos tutelar o cidadão, mas dar oportunidade de ele tomar as decisões para agir, para que ele exerça de fato a cidadania.”

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