Descrição de chapéu Coronavírus

São Paulo atinge 55% de isolamento social e Doria nega 'lockdown'

Governador diz que estado pode ter 'quarentena inteligente'; medidas atuais vão até domingo (31)

São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria, disse nesta segunda-feira (25), dia em que se observou o feriado antecipado de 9 de Julho, que neste momento o "lockdown" (bloqueio total) não será adotado em nenhuma cidade. Na véspera, a taxa de isolamento no estado foi a 55%, o maior percentual registrado desde o último dia 3 de maio, quando havia sido de 59%.

A quarentena atualmente em vigor no estado vai até o próximo domingo, dia 31 de maio. São Paulo tem medidas de isolamento social em vigor desde 24 de março.

Em entrevista à Globonews, o governador disse que a partir de 1o de junho pode ser adotada uma "quarentena inteligente".

"Ela vai levar em conta toda a regionalização de São Paulo, no interior, capital, região metropolitana, litoral. A decisão não será homogênea. Até agora foi porque precisava ser. Agora, podemos fazer heterogênea, seguindo orientação do comitê de saúde. Em áreas que definam flexibilização cuidadosa e em etapas, isso será levado em consideração. Onde não puder, não será."

O governador disse que os detalhes da nova quarentena serão divulgados nesta quarta-feira (27) em uma entrevista coletiva.

O feriado de 9 de Julho, que comemora a Revolução Constitucionalista, foi antecipado para esta segunda a fim de aumentar a taxa de isolamento e conter o avanço do coronavírus.

Doria vinha dizendo que, caso a taxa de isolamento não aumentasse no estado, poderia ser necessário adotar o "lockdown".

Na capital, os feriados de Corpus Christi (celebrado em junho) e Consciência Negra (novembro) haviam sido antecipados para quarta e quinta (21), com a sexta sendo ponto facultativo, criando assim um megaferiado de quarta até segunda. Proposta pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), a antecipação dos feriados foi aprovada pela Câmara Municipal.

No domingo na cidade de São Paulo, a taxa de isolamento chegou a 57%, em um dia em que os termômetros da cidade marcaram 11,2°C, recorde de frio do ano, segundo o InMet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Desde que Doria anunciou, no dia 22 de abril, um plano para o afrouxamento da quarentena e reabertura da economia no estado, a taxa de isolamento vem se mantendo abaixo de 55%, número citado pelo governo como mínimo para permitir a reabertura, com exceção de alguns poucos dias.

A taxa de isolamento caiu quase 10 pontos percentuais já no dia da coletiva do governo sobre a reabertura e apenas em três ocasiões esteve acima do mínimo necessário estipulado pela equipe depois dela.

Em 22 de abril, o estado tinha tido 805 novos casos de coronavírus e apresentava 55,3% de ocupação dos leitos de UTI de tratamento da Covid-19.

Já nesta segunda, a taxa de ocupação dos leitos de UTI do estado era de 73,80%. Na Grande São Paulo, a situação era mais preocupante: 88,1% dos leitos de UTI reservados para doentes da Covid-19 estavam ocupados.

Até segunda, o estado registrava 83.625 casos e 6.220 mortes pelo novo coronavírus, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. A pasta também informa que 16.814 pacientes, internados em hospitais devido complicações da Covid-19, já tiveram alta.

Além disso, dos 645 municípios de São Paulo, 510 já registram casos de infectados, o que representa 79,06% do território paulista. Um estudo do Instituto Butantan mostrou que se a taxa média de isolamento for de 47%, a expectativa é de que todo o estado terá casos e óbitos por Covid-19.

À Folha, Marco Vinholi, secretário do desenvolvimento regional, afirmou que as taxas de isolamento do domingo demonstram "sucesso na estratégia do feriado". Segundo o secretário, não foi verificado aumento de fluxo de veículos para outros municípios do estado de São Paulo. Ele reforça o pedido para que as pessoas fiquem em casa.

Vinholi também diz que "[o estado de São Paulo] representava 70% dos casos do Brasil, em março, e hoje somos menos de 27%, graças ao isolamento implementado, o que comprova o sucesso dessa política".

​O governo monitora a movimentação dos cidadãos por meio de dados de celular. Durante a quarentena, autoridades da saúde afirmam que a meta é uma redução de mobilidade de 70% da população —o parâmetro se baseia na taxa que permitiu à Itália estabilizar o número de casos.

Uma redução de 60% é aceitável; com menos de 50% de adesão, o governo teme que faltem leitos de UTI.

A cidade de São Paulo está conseguindo controlar os índices de transmissão do novo coronavírus, no entanto, segundo disse o secretário municipal de saúde, Edson Aparecido, à coluna Mônica Bergamo.

O índice de reprodução do vírus (Rt) da cidade, que detecta para quantas pessoas cada infectado transmite a doença, está em 1.1, enquanto o do estado, incluindo o interior, chega a 1.7. A capital já registrou índice de transmissão de 1.5.

A boa notícia, para a capital, foi discutida em reunião do comitê de combate ao coronavírus no domingo (24), da qual participou Aparecido. "Estamos conseguindo manter o controle", diz Edson Aparecido. "O isolamento social que conseguimos com os bloqueios de trânsito, o rodízio e os feriados antecipados fizeram com que o número de infectados por 100 mil habitantes caísse", afirma ele.

A prefeitura contabiliza hoje 1.007 leitos de UTI para Covid-19. Destes, 286 foram alugados de 19 hospitais particulares.

Erramos: o texto foi alterado

O índice de isolamento foi o maior em 21 dias, e não menor, como dito antes nesta reportagem. O texto foi corrigido.

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