Câmara de SP aprova plebiscito sobre o destino do Minhocão

A votação popular prevê três alternativas para o elevado, de transformação em parque a desmonte

São Paulo

Os vereadores de São Paulo aprovaram nesta quarta-feira (9) à noite um projeto de decreto legislativo que prevê a realização de um plebiscito sobre o destino do elevado Presidente João Goulart, o Minhocão.

A proposta do vereador Caio Miranda Carneiro (DEM) recebeu 54 votos a favor e apenas um contra.

O plebiscito prevê alternativas como a possibilidade de transformar o elevado em um parque público, a transformação parcial ou o desmonte total do viaduto.

"Lembrando que o Plano Diretor de São Paulo já prevê a desativação total para veículos até 2029", disse o autor do projeto, que defende o desmonte do Minhocão.

Os projetos de decreto legislativo não dependem da sanção do prefeito, ou seja, a proposta sobre o plebiscito do Minhocão não passará pela decisão de Bruno Covas (PSDB).

A via expressa elevada foi construída em 1971, tem 3,5 km de extensão e liga a região da praça Roosevelt, no centro de São Paulo, ao largo Padre Péricles, na Barra Funda, na zona oeste.

É uma das mais importantes ligações entre o centro e a zona oeste e recebe ao dia cerca de 78 mil veículos.

O Minhocão está interditado para pedestres e ciclistas desde abril, por causa do novo coronavírus - Karime Xavier / Folhapress

Antes da pandemia, o Minhocão era aberto para pedestres e ciclistas nos finais de semana e feriados. O risco de contaminação pelo novo coronavírus levou a prefeitura a fechar os acessos em abril, o que irritou quem não consegue mais usar o espaço para algumas horas ao ar livre.

A construção do elevado, na primeira gestão de Paulo Maluf como prefeito de São Paulo (1969-1971), deixou uma imagem de paisagem degradada no entorno. Em alguns pontos, o elevado quase encosta nos prédios.

A via homenageava o general Costa e Silva, que decretou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), responsável pelo período de maior repressão da ditadura militar. O Minhocão mudou de nome em 2016, passando a homenagear Joao Goulart, o presidente derrubado pelo golpe de 1964.

Antes da pandemia, a gestão Bruno Covas tocava um projeto para transformar a pista elevada num parque linear. A primeira fase da obra estava orçada em R$ 38 milhões.

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