Homicídios dolosos em SP crescem 17% em setembro, a maior alta desde 2013

Governo diz que polícias farão estudo para entender crescimento; crimes patrimonais tiveram redução

São Paulo

Um dos principais indicadores de violência do estado de São Paulo, os homicídios dolosos (intencionais) cresceram 17% em setembro deste ano em comparação com o mesmo mês de 2019. É a sexta alta de 2020 e o maior salto registrado desde 2013.

De acordo com dados divulgados nesta segunda (26) pela gestão João Doria (PSDB), foram 248 vítimas de assassinatos no mês passado contra as 212 mortes contabilizadas no mesmo período de 2019.

Por outro lado, ainda segundo as estatísticas oficiais, quase todos os crimes patrimoniais tiveram queda. O fenômeno vem se repetindo desde que a quarentena foi decretada em março deste ano, por causa da pandemia de Covid-19.

A alta nas mortes intencionais observada em setembro foi a terceira consecutiva e sexta do ano. No acumulado do ano, o crescimento é de 6,6% —nos primeiros nove meses de 2019 foram 2.081 mortes contra as 2.218 registradas pela polícia em 2020.

Policial militar de São Paulo - Karime Xavier / Folhapres

Parte desse aumento em setembro no estado se deve à Grande São Paulo, que teve um aumento de 45% no número de mortes. Em setembro de 2019, foram 40 vítimas contra 58 no mês passado.

De acordo com a Secretaria da Segurança, embora ainda tenhamos os melhores indicadores do país, com uma taxa de 6,82 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes, a nova alta preocupa e há uma ordem para que policiais de todas as regiões do estado façam um estudo dos motivos desse crescimento.

Até agora, segundo o secretário-executivo da PM, o coronel da reserva Álvaro Camilo, foram identificados aumentos nos crimes ligados a conflitos interpessoais, como briga de casais, mas também nas mortes decorrentes de disputas por venda de drogas entre criminosos.

“É motivo de preocupação. Tudo bem que é a menor taxa, a melhor do Brasil, mas a quantidade de pessoas que ainda estão morrendo é muito grande. Temos menos de 3.000 [homicídios por ano], mas é ainda é muito para o estado de São Paulo. A gente pretende diminuir mais isso daí”, disse o secretário.“A ordem é estudar muito o que está acontecendo com o homicídio em cada região."

Para ele, o combate ao homicídio doloso ocorre de maneira indireta, com investimentos na redução do porte ilegal de armas e com o enfrentamento do tráfico de drogas. Por isso, segundo Camilo, o governo paulista está investindo na compra de novas viaturas e na contratação de mais policiais.

A maior aumento registrado no estado havia ocorrido em janeiro de 2013, quando a elevação chegou a 18% —os homicídios foram de 386 para 456. Na época, porém, havia uma guerra não declarada entre criminosos do PCC e policiais militares, o que levou a uma série de mortes.

Quanto aos crimes patrimoniais, os roubos de veículo, por exemplo, tiveram queda de 32% em setembro. Eles foram de 3.294 unidades levadas pelos criminosos em setembro de 2019 contra 2.249 no mês passado.

No acumulado no ano, a queda de roubos de veículos chega a 33% —de 34.197 crimes para 23.047.

O governo afirma que a redução dos crimes patrimoniais está ligada a uma mudança de comportamento das pessoas que ainda não retomaram os hábitos de antes da pandemia. Além disso, muitos estabelecimentos comerciais fecharam as portas nesse período. Tudo isso reduz as oportunidades dos criminosos.

Camilo afirma que o mês de outubro deve registrar uma nova queda. Já em novembro e dezembro as compras de final de ano podem provocar um aumento nos furtos e roubos.

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