'Hipocrisia', diz Covas sobre críticas por ter ido à final da Libertadores durante licença

Prefeito de SP que trata de câncer estava afastado das funções quando foi a jogo no Rio

São Paulo

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), rebateu na tarde deste domingo (31) as críticas que recebeu por, de licença médica, ter ido ao Rio de Janeiro assistir à final da Copa Libertadores da América no sábado (30). Santista, o tucano assistiu seu time ser derrotado no Maracanã por 1 a 0 pelo rival Palmeiras.

Ele chamou as críticas de "lacração da internet" e "hipocrisia generalizada". O prefeito trata um câncer na cárdia, localizado na transição entre o estômago e o esôfago, e se afastou da prefeitura em 19 de janeiro. Ele deve retomar a função nesta segunda (1º).

"Depois de 24 sessões de radioterapia meus médicos me recomendaram 10 dias de licença para recuperar as energias. Isso foi até a última quinta (28/01). Resolvi tirar mais 3 dias de licença não remunerada para aproveitar uns dias com meu filho", escreveu o prefeito em rede social.

"Fomos ver a final da libertadores da América no Maracanã, um sonho nosso. Respeitamos todas as normas de segurança determinadas pelas autoridades sanitárias do RJ. Mas a lacração da internet resolveu pegar pesado. Depois de tantas incertezas sobre a vida, a felicidade de levar o filho ao estádio tomou uma proporção diferente para mim", continuou.

"Ir ao jogo é direito meu. É usufruir de um pequeno prazer da vida. Mas a hipocrisia generalizada que virou nossa sociedade resolveu me julgar como se eu tivesse feito algo ilegal. Todos dentro do estádio poderiam estar lá. Menos eu. Quando decidi ir ao jogo tinha ciência que sofreria críticas. Mas se esse é o preço a pagar para passar algumas horas inesquecíveis com meu filho, pago com a consciência tranquila", concluiu.

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, assiste ao jogo entre Palmeiras e Santos, no Maracanã
Bruno Covas, prefeito de São Paulo, assiste ao jogo entre Palmeiras e Santos pela final da Libertadores, no Maracanã - Arquivo pessoal

O prefeito foi criticado por deixar a cidade em um momento de alta nos números de novos casos e novas mortes pela Covid-19. O jogo no Rio teve a maior aglomeração vista em um evento de futebol profissional no país desde que as torcidas foram vetadas nos estádios.

Nas redes sociais, o gesto do prefeito foi comparado ao do governador João Doria (PSDB), que foi para Miami em um momento crítico da doença no estado. Após as críticas, no entanto, o governador pediu desculpas e voltou para São Paulo.

O oncologista Tulio Eduardo Flesch Pfiffer, que acompanha Bruno Covas, disse que a licença foi uma ordem médica. ​

Covas foi submetido a uma sessão complementar de radioterapia, parte do tratamento contra o câncer na cárdia, localizado na transição entre o estômago e o esôfago, diagnosticado em outubro de 2019.

Após esse período, está prevista a continuidade do tratamento com exames de controle e imunoterapia, iniciada após resultados da biópsia revelarem, em fevereiro do ano passado, que o câncer não desapareceu com a quimioterapia.

Covas passou por oito sessões de quimioterapia, mas elas não foram suficientes para vencer o câncer.

Desde dezembro de 2020, as sessões de radioterapia já estavam previstas, mas os médicos não divulgaram detalhes sobre essa mudança no tratamento.

Naquele mês, Covas fez uma avaliação médica completa no Hospital Sírio-Libanês, e os exames mostraram a eficácia da imunoterapia. Os linfonodos acometidos pela doença estavam estabilizados.

A equipe médica informou ainda que Covas estava clinicamente bem e não havia recomendação de restrições naquela ocasião. Por isso, o prefeito manteve o ritmo normal de trabalho na prefeitura.

Ele está sendo acompanhado pelas equipes coordenadas pelos médicos David Uip, Roberto Kalil Filho, Artur Katz, Tulio Eduardo Flesch Pfiffer e João Luiz Fernandes da Silva.

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