Descrição de chapéu Rio de Janeiro

Massacre que deixou 12 crianças mortas em escola no Rio completa dez anos

Autor da chacina, ex-aluno de colégio municipal em Realengo, se matou ao ser atingido por policial

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Rio de Janeiro

Há dez anos, um massacre que resultou na morte de 12 estudantes em um colégio na zona oeste do Rio de Janeiro chocava o país e marcava para sempre a vida de dezenas de crianças. No dia 7 de abril de 2011, Wellington Menezes de Oliveira, 23, abriu fogo contra alunos da escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, onde também estudou, e se matou em seguida.

Entre os mortos, estão dez meninas e dois meninos, com idades entre 12 e 15 anos. Mais de dez crianças ficaram feridas.

Um ano após a chacina, reportagem da Folha mostrou que as vítimas ainda lidavam com o trauma, relatando efeitos como síndrome do pânico, dificuldade de guardar informações, baixo desempenho escolar, depressão e insônia.

Wellington entrou na escola por volta das 8h, dizendo que daria uma palestra. Conversou com algumas pessoas e seguiu em direção a duas salas de aula do 8º ano, onde entrou atirando com dois revólveres.

Durante o tiroteio, um garoto, ferido, conseguiu escapar e avisar a Polícia Militar. O policial Márcio Alexandre Alves atirou contra Wellington e pediu que ele largasse a arma. Em seguida, o criminoso se matou com um tiro na cabeça.

Segundo a polícia, Wellington carregava muita munição e utilizava um colete a prova de balas, além de um cinturão com armamento.

Homenagem às vítimas do massacre na escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, no dia seguinte ao atentado - Daniel Marenco/Folhapress

Wellington era descrito como uma pessoa tímida, sem amigos ou namorada(o). Sua mãe já tinha cinco filhos biológicos quando o adotou. Quando ela morreu, o rapaz passou a viver isolado em uma casa em Sepetiba, na zona oeste. Antes do atentado, Wellington quebrou todos os eletrodomésticos do local e pôs fogo no computador.

Em entrevista à Folha após o massacre, um dos irmãos de Wellington contou que a família se preocupava porque ele passava muito tempo no computador. De acordo com esse irmão, o criminoso teve atendimento psicológico, mas abandonou porque não queria mais ir às sessões.

Ele também disse que o atentado desestruturou toda a família, que uma das irmãs teve que abandonar a casa onde vivia no Rio de Janeiro e que alguns sobrinhos deixaram seus empregos.

"Quando ele chegava em casa, era sempre com a boca fechada. Ele conversava pouco com a família, mas não era agressivo. Quando havia festa na casa de minha mãe e todos irmãos estavam lá, Wellington fazia um prato e ia para o quarto dele", afirmou.

Alunos relataram momentos de pânico e desespero durante a chacina. Uma menina chamada Jade afirmou que Wellington atirou nos pés dos estudantes para que eles não fugissem. Também disse que ele mandava as crianças virarem para a parede porque iria atirar. "As crianças pediam 'não atira, não atira, por favor' e ele atirava na cabeça delas."

​No dia do massacre, a então presidente Dilma Rousseff (PT) chorou ao lamentar a morte das crianças. "Não vou fazer um discurso porque hoje nós também temos que lamentar o que aconteceu em Realengo com crianças indefesas. Não era característica do país ocorrer esse tipo de crime", disse, antes de pedir um minuto de silêncio.

O atentado teve repercussão em diversos veículos internacionais, como o New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido), El País (Espanha), CNN (Estados Unidos) e Clarín (Argentina).

As famílias das 12 crianças assassinadas foram indenizadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Os acordos foram fechados em segredo de Justiça, para a proteção dos envolvidos.

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