Tribunal libera edital que prevê implantação de reconhecimento facial em São Paulo

Conselheiros do município manifestaram preocupação com risco de violação de direitos, mas autorizaram pregão da prefeitura suspenso em novembro

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São Paulo

O TCM (Tribunal de Contas do Município) decidiu liberar o edital do programa Smart Sampa, que deve instalar 20 mil câmeras com tecnologia de reconhecimento facial em São Paulo. A prefeitura agora pode retomar o pregão, suspenso em novembro do ano passado após o envio de sete representações à corte.

O edital foi liberado por unanimidade em sessão no final da manhã desta quarta-feira (26). Os conselheiros, no entanto, manifestaram preocupação com o risco de violação de direitos e de liberdades individuais por causa do monitoramento.

O edital havia sido suspenso após sete representações questionarem no TCM pontos como o modelo de licitação e possíveis violações da Lei Geral de Proteção de Dados e dos direitos de minorias, como a população negra.

tela mostra câmera de segurança com números e informações em desenhos sobrepostos às pessoas filmadas, indicando que monitora informações sobre elas
Demonstração de tecnologia de reconhecimento facial no Metrô de SP - Eduardo Knapp - 21.nov.22/Folhapress

As representações foram condensadas em 35 questionamentos discutidos nos últimos meses por auditores do tribunal e técnicos da prefeitura, que fizeram uma mesa técnica na semana passada.

"A prefeitura finalmente adequou o edital conforme a última reunião técnica realizada. Desse modo, restando apenas três questões, o meu entendimento foi de que poderia acolhê-las", afirmou o conselheiro Roberto Braguim.

O acolhimento significa que esses pontos não vão impedir a licitação. Um deles é a divisibilidade do processo. Parte das representações questionava a aquisição de um serviço tão complexo por meio de uma licitação única, o que foi liberado pelo tribunal, que vê uma possibilidade de economizar recursos.

Outro era a exigência de uma prova de capacidade financeira das empresas concorrentes, o que foi flexibilizado pelo relator.

Por último, havia críticas sobre a falta de publicidade das contribuições ao programa feitas nas consultas, mas o tribunal liberou o processo e determinou que isso seja observado nos próximos.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) vê no Smart Sampa uma chance de integrar diversos serviços públicos e aumentar o monitoramento de segurança pela cidade. O texto do edital, no entanto, foi criticado por conter, na versão inicial, termos como "vadiagem" e menção à cor da pele como critério para identificação de eventuais suspeitos.

Após as discussões, a prefeitura deve ajustar o texto para seguir as recomendações do tribunal e republicar o edital. A gestão Nunes afirmou, em nota, que a primeira versão da plataforma, com 200 novas câmeras, será implantada dois meses após a assinatura do contrato.

O total de câmeras de monitoramento pode chegar a 40 mil. Além das 20 mil câmeras que serão adquiridas, o programa pode integrar 10 mil câmeras de moradores da cidade que concordem com a cessão de imagens e outras 10 mil de concessionárias.

Pela proposta, a central do Smart Sampa ficará na sede da prefeitura e poderá ser transferida para o Palácio dos Correios, caso avance uma concessão debatida entre o governo federal e a administração municipal.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirma que inseriu uma política de segurança da informação e um relatório de impacto de proteção de dados no edital.

O programa é alvo de um inquérito do Ministério Público de São Paulo e de questionamentos do Ministério Público Federal, que perguntou, entre outras coisas, quais bancos de dados seriam usados no programa para reconhecimento facial.

A prefeitura respondeu, em ofício, que as informações para identificar desaparecidos, procurados e foragidos seriam importadas do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Secretaria da Segurança Pública paulista.

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