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04/04/2011 - 19h38

Mulher liga para 190 e denuncia PMs por assassinato; ouça

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EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO

Uma moradora de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, ligou para o telefone de emergência da Polícia Militar --190-- e informou presenciar um assassinato cometido por dois PMs dentro de um cemitério.

O crime ocorreu no último dia 12, um sábado. A vítima, Dileone Lacerda de Aquino, tinha passagens pela polícia e havia saído de uma prisão no interior em agosto de 2010.

A Corregedoria da PM informou na tarde desta segunda-feira que os policiais estão presos no presídio Militar Romão Gomes, respondem a inquérito por suspeita de homicídio e podem ser expulsos da corporação.

A mulher tem a identidade mantida sob sigilo e está sob proteção da própria PM.

OUÇA A GRAVAÇÃO DA LIGAÇÃO:

Ocorrência

DIÁLOGO

"Olha, eu estou no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos, e a Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura aqui dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro. Eu estou aqui próximo à sepultura do meu pai", disse a mulher.

O policial que atende a ligação pede à mulher o prefixo do carro, diz que vai "fazer um alerta" e recomenda à testemunha que faça uma denúncia à Corregedoria da PM.

Durante a conversa, gravada pela PM, a mulher aborda um dos policiais e o questiona sobre a execução. O policial diz apenas que estava prestando um socorro.

"Ele falou que estava socorrendo. É mentira. É mentira, senhor. É mentira. Eu sei bem o que ele fez", diz a mulher ao atendente do 190.

Os policiais presos são Ailton Vital da Silva, 18 anos de Polícia Militar, e Felipe Daniel Silva, 5 anos de trabalho.

Viltal, segundo o tenente-coronel Roberto Fernandes, comandante da PM na zona leste da capital, já havia participado de três ocorrências de "resistência" --a pessoa abordada resiste à prisão e é morta pelos policiais. Felipe Daniel nunca havia participado de uma ocorrência desse tipo.

De acordo com o comandante, a investigação interna da PM deve ser concluída até o fim deste mês e a tendência é que os dois sejam expulsos da corporação.

Segundo Fernandes, os policiais disseram apenas que houve resistência e prestaram socorro à vítima, mas se negaram a prestar depoimento quando foram presos --só devem depor na Justiça.

O caso começou no Itaim Paulista, extremo leste de São Paulo, a cerca de 1 km do Cemitério das Palmeiras. Um carro de uma empresa de produtos de beleza foi roubado e, informados pelo rádio da polícia, Vital e Daniel fizeram a abordagem.

O assaltante teria entrado em um condomínio residencial, batido em dois carros e, durante a fuga a pé, atirado contra os policiais, que revidaram e o acertaram na perna.

Segundo o comandante, até aí o procedimento foi correto. Eles colocaram o assaltante no carro da polícia para levá-lo ao pronto-socorro.
Só que, no caminho, passaram pelo cemitério onde foram flagrados pela testemunha. "Talvez eles tenham acreditado que não tivesse ninguém. Mas num cemitério, num sábado à tarde, sempre tem alguém chorando por alguém", afirmou.

Fernandes disse que conversou com os dois policiais separadamente e que houve divergência de versões, por isso eles foram presos.

 

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