Descrição de chapéu Enem

Professores elogiam diversidade de temas do 1º dia do Enem 2019

Educadores da Organização Educacional Farias Brito comentaram prova na TV Folha

São Paulo

Apesar de deixar de abordar ditadura militar pela primeira vez desde 2009, a prova do Enem deste ano foi considerada ampla, diversificada e bem elaborada por professores da Organização Educacional Farias Brito. Os docentes participaram neste domingo (3) de comentários e correção do exame na TV Folha.

Os candidatos fizeram as provas de ciências humanas, linguagens e redação neste primeiro dia do Enem. No próximo domingo (10), é a vez de matemática e ciências da natureza -- professores do Farias Brito voltarão a comentar a prova na TV Folha após o fim do exame.

Neste domingo, participaram do debate os professores Adriano Bezerra (Geografia), Dawison Sampaio (História), João Saraiva (Filosofia/Sociologia) e Tom Dantas (Português e Redação). A mediação foi do jornalista da Folha Paulo Saldaña

"Foi melhor que as expectativas", diz o professor João Saraiva, que falou sobre as áreas de filosofia e sociologia. "Diante de um início de governo meio turbulento, entra e sai gente no Inep [Instituto nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais], aquela coisa de como ia ficar o Enem, muitas falas do sobre tamanho da provam, críticas a edições anteriores, não houve mudança tão drástica". 

O professor de história Dawison Sampaio diz que a diversidade temática foi preservada, com um componente cultural muito forte, passando pelo período colonial, questões de patrimônio e o papel do direito.

"Realmente sentimos a falta da temática [da ditadura militar], porque sempre vem abordados desde 2009", diz. "Mas a prova foi dentro daquilo que é marca do Enem, e não deixou de abordar expressões culturais importantes".

Esta foi a primeira edição do Enem sob o governo Jair Bolsonaro (PSL). O presidente havia feito críticas ao Enem na última edição e o Inep criou uma comissão para fazer um pente fino ideológico nas questões. 

Por isso, havia grande expectativa sobre o conteúdo do exame. Não houve questão que citasse homossexualidade, temática que foi alvo de Bolsonaro na última edição.

Segundo os professores, foi positivo que a prova tenha trazido questões sobre agressões contra religiões de matrizes africanas, expansão da fronteira agrícola e a questão de refugiados. Também elogiaram a diversidade de pensadores citados, como Michael Foucault, Adam Smith e Maquiavel.

O professore de português Tom Dantas elogiou o tema da redação. Os candidatos tiveram que escrever sobre a "Democratização do acesso ao cinema no Brasil". 

"Ainda que não tenha sido um dos temas ventilados pelos cursinhos, por várias pessoas, ele faz parte do eixo cultural, que é um dos eixos temáticos para a proposta de redação", diz. "Acho que os alunos não tiveram muita dificuldade para abordar esse tema".

A prova foi considerada de dificuldade similar às últimas edições. "Foi mais do mesmo, a prova seguiu o mesmo padrão das provas passadas e contemplou os mesmo assuntos", diz Adriano Bezerra, professor de Geografia.

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