Evento discute papel dos investimentos e negócios sociais na recuperação econômica

Versão online do Fórum de Investimentos e Negócios de Impacto debateu durante dois dias cenários e perspectivas da crise social e sanitária

São Paulo

Com 1.500 inscritos nos dois dias de evento online e gratuito, o Impacta Mais ON reuniu nesta terça-feira (30) e quarta-feira (1º) representantes do ecossistema de impacto para discutir o papel das organizações e negócios sociais na recuperação econômica e no combate à desigualdade.

Organizado pelo Ice (Instituto de Cidadania Empresarial), Impact Hub e Vox Capital —parceiros do Prêmio Empreendedor Social—, em conjunto à CoCriar, o fórum convidou para discussão 30 especialistas nacionais e três internacionais.

Os painelistas variam entre empreendedores sociais, investidores, filantropos, além de representantes de governo, grandes empresas, institutos e fundações.

As transmissões dos dois dias de Impacta Mais ON estão salvas no canal do Fórum de Investimentos e Negócios de Impacto no YouTube.

De acordo com Célia Cruz, diretora-executiva do Ice, o evento uniu públicos muito diferentes que tinham em comum o compromisso de colocar o impacto social no centro das decisões.

“Usamos o fórum como um espaço para criar conversas relevantes e pensar coletivamente os objetivos para 2025”, afirma Célia. “Trouxemos diferentes olhares sobre as manchetes, posicionamentos e encaminhamentos para essa visão, e onde podemos depositar nossa energia para atingi-la.”

O empresário britânico Sir Ronald Cohen, um dos painelistas internacionais do fórum, enfatizou em sua fala a necessidade de colocar o impacto social no centro de todas as decisões de movimentação de capital.

Sir Ronald Cohen, Chair do GSG Group, durante sua fala na Cúpula Global sobre Investimento de Impacto
Sir Ronald Cohen, Chair do GSG Group, durante sua fala na Cúpula Global sobre Investimento de Impacto - Alberto Brescia/Divulgação

Para Cohen, não se pode mais medir apenas risco e retorno financeiro dos investimentos, é preciso somar isso ao impacto que pode ser causado.

Entre os palestrantes estava Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta que levou o Troféu Grão 2019 e integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

Adriana participou do primeiro painel do evento, na manhã de segunda-feira (30), sobre a contribuição dos investimentos e negócios de impacto para a economia.

Para a empreendedora, é importante que neste momento o ecossistema discuta sobre investimento social e filantropia voltados à população negra, mais impactada pela Covid-19.

Ela acredita que há um movimento crescente de grandes empresas voltando seu olhar à questão racial, como observou na mobilização de recursos para o fundo Éditodos, iniciativa que lidera junto a outras cinco organizações. O fundo beneficia pequenos empreendedores negros impactados pela pandemia.

A fundadora da Feira Preta também apontou a remodelação do Matchfunding Enfrente, da Fundação Tide Setubal, como um grande avanço do investimento social em relação à recuperação econômica.

O Enfrente é um financiamento coletivo, feito em conjunto com a plataforma Benfeitoria, que destina recursos a projetos periféricos de combate ao coronavírus. Até agora, já foram doados quase R$ 7 milhões às iniciativas inscritas.

A fala de Adriana foi seguida por Neca Setubal, representante da Fundação Tide Setubal na discussão.

Para ela, a pandemia trouxe ao ecossistema e à sociedade como um todo um sentimento maior de responsabilidade coletiva, abrindo maior espaço para os negócios e investimentos sociais para uma mudança sistêmica e para o combate à desigualdade.

“É importante pensarmos uma economia com desenvolvimento central das pessoas”, levantou Neca. “Existe um grande desejo de mudança, e cada um de nós precisa ser agente dessa mudança, que será feita em várias dimensões.”

Outro integrante da Rede Folha presente no fórum foi Gustavo Glasser, fundador da Carambola. Ele foi o vencedor do Prêmio Empreendedor Social de Futuro em 2019.

Em painel sobre impacto impulsionado por governos, tecnologias e periferias, Glasser falou sobre a Carambola, negócio social voltado para a inclusão de jovens periféricos, negros e LGBT+ no mercado de tecnologia.

O fórum também contou com diversos grupos de discussão e sessões paralelas sobre eixos do tema de cocriação de cenário favorável para o setor.

Os participantes discutiram sobre o compromisso dos investidores com os negócios, o reconhecimento do mercado, a participação de grandes empresas no ecossistema e as oportunidades de formação e aceleração de empreendedores sociais.

O evento contou também com intervenções artísticas, como a performance musical de abertura de Marcelo Rocha, mais conhecido como DJ Bola.

Além de músico, ele é empreendedor social: fundou a produtora social cultural A Banca e a Anip (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia). Em março, ele participou da 10ª edição do Diálogos Transformadores, evento realizado pela Folha.

O Impacta Mais ON é a versão online do Fórum de Investimentos e Negócios de Impacto, que está previsto para ocorrer presencialmente nos dias 10 e 11 de novembro deste ano.

Para Célia Cruz, o evento virtual proporcionou a presença de pessoas de várias regiões e realidades do país, sem que precisassem gastar dinheiro com emissão de carbono, espaço e comida.

“De repente nos víamos numa sala com seis pessoas muito diversas com quem eu nunca teria caído se tivesse escolhido o grupo presencialmente”, conta a diretora-executiva do Ice. “O evento virtual propiciou esses encontros, nos fez criar novas conexões relevantes mesmo que a distância.”

Segundo Célia, o cenário atual é emergencial e traz muitos desafios para os investimentos de impacto, o que torna ainda mais importante a realização de um evento como o Impacta Mais ON, que discute as medidas a serem tomadas pelo ecossistema para gerar mudanças.

“Precisamos construir um mundo diferente e queremos impacto no centro, portanto as ações para esse futuro precisam ser tomadas desde já”, completa.

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