Centavos doados na hora da compra chegam a R$ 6 milhões em auxílio a causas como educação

Movimento Arredondar incentiva marcas a abrirem canal de vendas para micro e pequenas doações

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São Paulo

Fazer uma doação para ONGs que atuam com educação é uma maneira de mitigar os efeitos da pandemia sobre crianças e jovens. Micro ou pequenas doações são alternativa em momento de queda na renda e achatamento da classe média.

Os centavos recolhidos nos caixas e no carrinho de lojas virtuais foram a maneira que o Movimento Arredondar encontrou de incentivar a cultura de doação no país.

“O brasileiro é solidário, mas muitas vezes deixa de participar por não saber como”, diz Ari Weinfeld, fundador do Arredondar, que já arrecadou R$ 6 milhões a 58 organizações sociais espalhadas pelo país.

Funciona assim: no momento de pagar a conta, os clientes são convidados a arredondar o valor total até o próximo número cheio. Uma compra de R$ 24,80 vira R$ 25. Os centavos são doados para apoiar causas sociais, ambientais e animais.

caixa de lanchonete recebe moeda como pagamento
Micro e pequenas doações apoiam educação de crianças e adolescentes pelo país - Divulgação / Movimento Arredondar

O Monitor das Doações, que contabiliza contribuições a partir de R$ 3.000, aponta R$ 6,8 bilhões doados durante a pandemia no Brasil. Somente 4% foram destinados à educação.

Em parceria com a BK Brasil, master franqueado do Burger King e Popeyes no Brasil, o Arredondar arrecadou R$ 2,6 milhões para 13 ONGs voltadas à educação desde 2018. São 585 doações por hora nos 700 estabelecimentos da rede no país, o que demonstra a força da cooperação coletiva.

Iuri Miranda, CEO da BK Brasil, afirma que apoiar estas organizações significa garantir o desenvolvimento social, cultural e econômico do país. “Neste Dia Mundial da Educação, encorajo todos os nossos consumidores: Arredonde! Esses centavos podem promover um futuro melhor para milhares de pessoas.”

Para Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, que conta com recursos do arredondamento pela rede BK, todo o apoio à recuperação do Brasil precisa contemplar a educação. “Ela é política central para criarmos as condições de retomada de um desenvolvimento sustentável e duradouro.”

Com o agravamento da fome e da desigualdade social no país, organizações adaptaram seus projetos para fortalecer a assistência social. “Precisamos pensar na educação dessas crianças, mas primeiro precisamos matar a sua fome”, diz Jacqueline Olegário, assistente social do Instituto Constelação, que atende crianças e adolescentes em situação de extrema pobreza em Pernambuco.

Em 2020, os arredondamentos na rede BK possibilitaram a doação de R$ 52 mil ao Instituto. A reinvenção passou por investimentos em aulas online e internet, criação de canal de acesso entre crianças e professores via WhatsApp e atendimentos psicológicos, além do incremento nas cestas básicas. “Com as crianças alimentadas e seguras, damos continuidade ao trabalho que vai mudar suas vidas”, afirma Jacqueline.

A ajuda também chega ao Projeto Uerê, que atua com jovens na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro. “Os arredondamentos foram o principal alicerce para o sucesso das cestas com alimentos não perecíveis, proteínas, vegetais e produtos de higiene pessoal”, diz Francis Roberta, assistente social do Uerê. Foram R$ 52 mil destinados à ONG no ano passado.

Mesmo com o fechamento dos salões dos restaurantes nas piores fases da pandemia, a taxa de cupons arredondados no Burger King e Popeyes subiu 1,13% de 2019 para 2020. A média de arrecadação ficou 5,3% menor. Neste ano, o primeiro trimestre apontou crescimento de 4% na arrecadação mensal em relação a 2020.

Para Ari Weinfeld, do Arredondar, a sociedade brasileira pode fazer a diferença na crise destinando os centavos das compras. “A ideia é simples: a marca que abre o canal de venda, gerando engajamento no varejo físico ou online, operadores de caixa que fazem o convite, consumidores que doam e as ONGs que fazem um trabalho incrível na ponta.”​

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