Brasil está no 'top 3' de países com maior aumento de casos de sarampo em um ano

País, que até 2017 não tinha registros da doença, enfrentou um surto em 2018 com 10.302 casos

Cláudia Collucci
São Paulo

O Brasil figura como o terceiro país do mundo com maior aumento de casos de sarampo entre 2017 e 2018, atrás da Ucrânia e das Filipinas, revela relatório do Unicef, divulgado nesta quinta (28). O país, que até 2017 não tinha registros da doença, enfrentou um surto em 2018 com 10.302 casos. Na Ucrânia e Filipinas, houve 30.338 e 13.192 ocorrências, respectivamente.

Segundo o Unicef, os casos de sarampo estão surgindo em níveis alarmantes no mundo, puxados por dez países, responsáveis por mais de 74% do aumento. Vários países, como o Brasil, haviam sido previamente declarados livres da doença.

Globalmente, 98 países reportaram mais casos de sarampo em 2018 do que em 2017, impedindo os avanços contra essa doença que é fácil de prevenir mas tem grande potencial de causar mortes.

“Esse é um alerta. Temos vacinas seguras, eficientes e baratas contra essa doença tão contagiosa, vacinas que têm salvado quase um milhão de vidas por ano nas duas últimas décadas”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do Unicef.

“Esses casos não apareceram da noite para o dia. Assim como os sérios surtos que estamos vivendo no momento tiveram início em 2018, a falta de ações hoje trará consequências desastrosas para as crianças amanhã."

Infraestrutura precária de saúde, conflitos civis, baixa conscientização da comunidade, complacência e hesitação com as vacinas levaram a vários surtos em países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de casos de sarampo aumentou seis vezes entre 2017 e 2018, chegando a 791 casos. Mais recentemente, os EUA viram surtos em Nova York e no estado de Washington.

"Quase todos esses casos são evitáveis ​​e, no entanto, as crianças estão se infectando, mesmo em lugares onde simplesmente não há desculpa”, afirma Fore.

“O sarampo é a doença, mas, na maioria das vezes, o verdadeiro problema é a desinformação, junto com a falta de confiança e a complacência. Precisamos fazer mais para informar todos os pais de forma consistente, para que nos ajudem a vacinar com segurança todas as crianças”.

Em 2018, o Brasil enfrentou um grande surto de sarampo, envolvendo 11 estados, com 10.302 casos confirmados, sendo 90% deles concentrado no estado do Amazonas.

Dados preliminares de 2018 apontam que, dos 5.570 municípios do país, 2.751 (49%) não atingiram a meta de cobertura vacinal de sarampo, que é igual ou menor de 95%.Os dados são ainda mais preocupantes nos estados com surtos: no Pará, 83,3% dos municípios não atingiram a meta; em Roraima foram 73,3% e no Amazonas, 50%.

No último dia 14, em reunião com representantes de secretarias municipais e estaduais da saúde, o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta disse que o país terá que refazer o pacto sobre vacina.

“O índice de vacinação está perigosamente baixo. Alguns estados dizem que está muito bom, mas enquanto todos não estiverem com níveis elevados de vacinação os caminhos estarão abertos para a disseminação do vírus”, afirmou.

Os dados mais atualizados de sarampo são do dia 28 de janeiro e contam com informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde. Atualmente, três estados ainda apresentam transmissão do vírus: o Amazonas, com 9.803 casos confirmados, Roraima com 355 casos e o Pará, com 62 casos. Segundo o ministério, ainda permanecem em investigação 50 casos de sarampo nesses Estado, sendo 33 casos notificados entre janeiro e fevereiro deste ano.

O SUS oferece duas vacinas que protegem contra o sarampo: a tetra viral que imuniza também contra a rubéola, caxumba e varicela, e é administrada aos 15 meses, e a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), também aos 15 meses.

Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério da Saúde tem orientado os gestores locais que organizem suas redes, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina dos moradores.

Outra orientação é o reforço das parcerias com as creches e escolas, ambientes que podem potencializar a mobilização sobre a vacina por envolver também a família. Outro alerta é para que estados e municípios mantenham os sistemas de informação devidamente atualizados.

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