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Ausência de desejo sexual não é falta de libido, diz médica

Ginecologista da USP explica os sintomas, as causas e os tratamentos para o desejo sexual hipoativo

São Paulo | Revista Sogesp

Especialistas estimam que 4 em cada 10 mulheres apresentam queixas sobre a ausência de desejo sexual. Quando persiste por, no mínimo, seis meses, a condição pode ser diagnosticada como desejo sexual hipoativo (DSH).

Um dos critérios para o diagnóstico de DSH é a percepção de que a ausência de desejo sexual vai além de situações como experiências insatisfatórias ou falta eventual de excitação. A mulher sente que não pode ou não quer participar de qualquer atividade com cunho sexual.

“O DSH causa sofrimento, denota uma incapacidade de participar de atividade sexual com vontade, com prazer, além da não satisfação”, explica a médica Flávia Fairbanks, coordenadora do Setor de Ginecologia do ProSex do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A ginecologista também alerta para a diferenciação entre o DSH e a falta de libido, que não é, necessariamente, causada por alguma disfunção do organismo. “O termo libido já é bem complicado, pois o entendemos como pulsão sexual, uma energia sexual, energia de vida. Então não o utilizamos muito no campo científico”, diz.

Os sintomas do DSH são progressivos. Antes de chegar à redução ou à completa ausência do desejo sexual, os primeiros sinais podem se manifestar com dificuldade de atingir o orgasmo e mudanças físicas como a falta de lubrificação e a dor durante a penetração. Além de comprometer o desejo, os sintomas levam a relações desconfortáveis e sem prazer e são sinais específicos de que é o momento de procurar ajuda médica.

Mulheres com essa disfunção, em geral, são tratadas em uma abordagem multiprofissional. Segundo Fairbanks, especialistas em sexologia, ginecologistas, urologistas, psiquiatras e psicólogos estão entre os profissionais habilitados para tratar o DSH. 

As causas da ausência de desejo sexual podem estar relacionadas à faixa etária da paciente. Um marco importante é a época da menopausa, quando, além da queda da produção hormonal, podem surgir conflitos psicológicos, como ansiedade e depressão. Estresses mais agudos do dia a dia e situações de desgaste de relacionamentos são outros complicadores frequentes.

“Antes da menopausa, é mais raro um problema hormonal como estopim da disfunção sexual”, diz a ginecologista. “Já o inverso acontece na pós-menopausa, fase em que a deficiência hormonal, em parcela considerável das mulheres, é uma das principais causas”.

A multiplicidade de fatores dificulta o diagnóstico de DSH. Como diversos sintomas são comuns a outras disfunções, como problemas de tireoide e doenças cardiovasculares, o primeiro trabalho dos especialistas é afastar hipóteses de outras doenças.

Para chegar a um diagnóstico por exclusão, o diálogo entre médico e paciente é fundamental. Raramente são encontradas alterações nos resultados de exames físicos, já que o desejo sexual não se relaciona a um órgão específico.

Para Fairbanks, os benefícios do cuidado com a saúde sexual são evidentes. “Os tratamentos atuais são eficientes e podem devolver às mulheres boa parte da alegria de viver."

A comunicação também é fundamental quando a ausência de desejo se dá em meio a um relacionamento. A dica dos especialistas é esclarecer ao parceiro ou parceira que o DSH é uma condição de saúde que nada tem a ver com falta de amor.

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