Descrição de chapéu Coronavírus

Sistema de saúde da Lombardia deve atingir capacidade máxima na próxima semana

País busca locais, equipamentos e equipes para montar hospitais provisórios e ampliar número de leitos

Milão (Itália)

Com 9.820 casos positivos para o novo coronavírus, o que representa 55% do total registrado na Itália, a região da Lombardia, no norte do país, está em busca de lugares, equipamentos e equipes para montar hospitais provisórios, para dar conta de atender os casos mais graves, que não param de crescer.

Nesta sexta-feira (13), eram mais de 5.000 mil internados, sendo 650 na terapia intensiva, só na Lombardia.

Segundo o secretário de Bem-estar da região, Giulio Gallera, a estimativa é que na semana que vem, quando a crise completa um mês na Itália, será superada a capacidade máxima do sistema de saúde regional, mesmo com a recuperação de doentes e a transferência entre cidades.

Um dos projetos apresentados por ele é a montagem de um hospital com ao menos 500 leitos de UTI em dois pavilhões de um centro de feiras e exposições de Milão. Segundo Gallera, o tempo necessário é de uma semana para deixar o espaço pronto para os pacientes mais graves.

"É um projeto ambicioso, modular, que depois estaria a serviço do país, porque pode inclusive se deslocar para outras áreas", disse.

A inspiração é repetir o que Wuhan, cidade chinesa epicentro do coronavírus, fez em janeiro, quando ergueu um hospital em dez dias.

No entanto, o projeto ainda não pode começar por falta de maquinário. O Departamento de Proteção Civil, que centraliza em Roma, no centro do país, a operação contra o coronavírus, avisou nesta sexta (13) que não tem camas e respiradores para enviar para a estrutura provisória.

"No momento não estão disponíveis no mercado os equipamentos sanitários necessários
para o funcionamento da estrutura de Fiera Milano", disse comunicado da Proteção Civil.

Como plano B, o governo da Lombardia, que desde o início da crise trava uma disputa política com Roma pelo comando das ações emergenciais contra o coronavírus, respondeu que irá procurar no mercado internacional o que estiver faltando para viabilizar o projeto do hospital.

Na cidade de Bréscia, a segunda mais atingida da Itália, com 1.836 casos, somente atrás de Bérgamo (2.390), ambas na Lombardia, uma tenda fora do hospital Civil foi improvisada com camas para acomodar aqueles que precisam esperar pelo resultado do teste ou que apresentam problemas de saúde de baixa intensidade e precisam ficar sob observação. Com isso, leitos dentro do hospital foram liberados para os pacientes mais graves.

Um dos médicos, no entanto, afirmou que a tenda está longe do ideal, já que há possibilidade de contaminação entre pacientes. A cidade também tem um projeto de hospital provisório a ser montado no espaço para feiras e exposições, mas sem equipamentos para executá-lo.

No Vêneto, a terceira área do norte mais atingida pelo coronavírus, todos os atendimentos e tratamentos não urgentes estão sendo cancelados. Além do covid-19, estão garantidos somente casos urgentes, oncológicos, psiquiátricos e pediátricos. Cirurgias cardíacas não urgentes e colocação de próteses estão sendo desmarcadas para que não ocupem leitos de UTI.

"Estamos enfrentando um vírus terrível, que manda as pessoas para a terapia intensiva, e não só os idosos. Se os jovens pensam de serem invencíveis, se enganam", disse nesta sexta o governador Luca Zaia.

Como forma de aliviar as carências na Itália, uma equipe da China chegou à Roma nesta sexta com cerca de 30 toneladas de materiais e equipamentos sanitários, além de nove médicos que trabalharam em Wuhan. O carregamento inclui respiradores, ventiladores e máscaras de proteção.

Mas a previsão do Instituto Superior Sanitário, em Roma, é pessimista. Uma alta de casos positivos está sendo esperada para este fim de semana nas regiões do centro e do sul do país.

"A incubação é entre quatro e sete dias. E vimos multidões em praias, estações de esqui ou em bares, lugares onde provavelmente o vírus circulou. Uma parte dessas pessoas nos próximos dias provavelmente mostrará sintomas", disse Silvio Brusaferro, diretor do ISS.

Além disso, muitos italianos viajaram das cidades do norte, para tentar escapar, no domingo (8), da quarentena compulsória que começou a vigorar ali e, dias depois, foi estendida a todo o país.

A Itália, o mais atingido depois da China, terminou o dia nesta sexta com número total de 17.660 casos positivos e 1.266 mortes.

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