Descrição de chapéu Coronavírus

Isolamento social sobe de 47% para 57% em SP, diz gestão Doria

Central analisa movimento de telefones celulares da população; meta é 70%

São Paulo

O índice de isolamento social no estado de SP na sexta-feira (10) foi de 57%, de acordo com boletim divulgado pelo governo João Doria (PSDB).

O percentual aumentou no primeiro dia do feriado prolongado de Páscoa, segundo o monitoramento do govenro. Na quinta (9), segundo o boletim, houve 47% de isolamento —na quarta (8), foi de 50%.

Segundo dados desde março, o índice de adesão ao isolamento é maior aos finais de semana, quando há menos gente circulando para trabalhar.

A meta do governo é que o estado atinja 70% de isolamento, índice que o estado nunca teve desde o ínício da crise.

Doria disse na noite de quinta-feira (9) que pode publicar um novo decreto na próxima semana caso o número de pessoas cumprindo o isolamento social não aumente.

O governo passou a ter acesso aos dados a partir do dia 1º, a partir de uma operadora de telefonia. Hoje, porém, já possui os dados da série desde o início de março.

Nesta semana, o índice de quinta foi o mais baixo desde o do dia 20 de março, quando foi registrado 44% de isolamento. Os maiores índices foram no dias 29 de março e 5 de abril, de 59%, dois domingos.

Segundo o infectologista Julio Croda, do centro de contingência do governo de SP, entre 50% e 70%, o estado ainda conseguiria suprir os leitos de UTI necessários, embora o ideal seja acima de 70%. Se menos da metade da população aderir ao isolamento, como aconteceu nesta semana, o sistema hospitalar de SP pode colapsar.

Também nesta semana, o estado passou a ter metade dos 12,5 mil leitos de UTI ocupados.

Na avaliação do governo, o estado pode sofrer pelo relaxamento no isolamento nos últimos dias. Isso poderia tirar a vantagem de São Paulo ter adotado as medidas de distanciamento social antes de países que sofreram mais com a doença.

A central de monitoramento do governo analisa o movimento de telefones celulares da população, em uma parceria com as centrais telefônicas. Assim, é possível apontar em quais regiões a adesão à quarentena é maior e em quais as campanhas de conscientização precisam ser intensificadas, inclusive com apoio das prefeituras.

O algorítimo da central consegue definir onde a pessoa mora, devido ao tempo em que permanece no local durante a noite. Quem sai do perímetro entra na conta dos que não ficaram isolados naquele dia.

No momento, porém, há acesso a dados referentes a 40 cidades, número que deve subir gradualmente.

O governo não tem acesso a dados individuais da população, apenas a dados agregados, que mostram tendências de aglomeração. Quando essas situações são captadas, é possível enviar mensagens aos celulares das pessoas naquele raio para tentar dissipar as aglomerações.

Apesar de o monitoramento ser anônimo, esse ponto tem sido usado por bolsonaristas para atacar Doria. O tucano tem usado entrevistas coletivas diárias para se contrapor ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que é contrário ao isolamento social e prega a volta das atividades.

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