Descrição de chapéu Colunista em casa

Demétrio Magnoli sugere álbum dos Novos Baianos para a quarentena

Crônica sobre a peste bubônica é a indicação de leitura para o período

Diariamente, durante a crise do coronavírus, um colunista ou um blogueiro da Folha indica sugestões para o período de quarentena, como livros, filmes, séries, entre outras opções.

Veja as dicas do sociólogo Demétrio Magnoli.

Acompanhe todas as dicas dos colunistas aqui.

Para ouvir

Acabou Chorare
Álbum, 1972. 36 min.

Moraes Moreira se foi —e não por coronavírus. Lá atrás, em 1972, explodiu uma bomba de ritmo e criatividade: o primeiro LP dos Novos Baianos. Médici no poder, prisões na noite, ecos ainda recentes de Woodstock. O LP contém joias preciosas, como a faixa-título, "Mistério do Planeta" e "Preta pretinha". Era tudo ao mesmo tempo agora: sons do Brasil e do mundo, fusão sem saltos, virtuosidade musical que nunca mais o grupo conseguiu repetir. Ouça sem parar, como fizemos na época.

Para ler

Um Diário do Ano da Peste
Ed. Artes e Ofícios, 2002. R$ 44 (288 págs.)

Escrito em 1722, crônica de Daniel Defoe da peste bubônica de Londres de 1665. Há paralelos evidentes com a nossa Peste Negra do coronavírus: a chegada da epidemia, da Holanda; a primeira morte suspeita; a imposição da quarentena.

Mas —e isso é o principal— a narrativa revela as diferenças radicais. Hoje sabemos quase tudo sobre o agente da morte. Hoje, apesar de tudo, as taxas de mortalidade são incomparavelmente mais baixas. É a ciência e a tecnologia médica que fazem a diferença.

E, mesmo assim, como em meados do século 17, pessoas clamam a Deus para nos livrar da praga.

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