Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

Vencedores do Prêmio Octavio Frias de Oliveira destacam a importância do trabalho científico

Cerimônia virtual da 11ª edição do prêmio falou sobre o valor da pesquisa de ponta em oncologia

São Paulo

O 11º Prêmio Octavio Frias de Oliveira, iniciativa do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) e do Grupo Folha, foi entregue nesta quarta (5) a pesquisadores que se destacaram no campo da relação entre o sistema imunológico e o câncer.

O prêmio, que leva o nome do então publisher da Folha, morto em 2007, tem três categorias: Pesquisa em Oncologia, Inovação Tecnológica em Oncologia e Personalidade de Destaque.

Pela primeira vez em ambiente virtual, devido ao novo coronavírus, a cerimônia de premiação teve como plateia os espectadores do Ao Vivo em Casa, série de lives da Folha durante a pandemia.

Live da entrega do 11º Prêmio Octavio Frias de Oliveira. A jornalista Claudia Collucci e Caio Abner Leite, um dos premiados
Live da entrega do 11º Prêmio Octavio Frias de Oliveira. A jornalista Claudia Collucci e Caio Abner Leite, um dos premiados - Gabriel Cabral/Folhapress

“Parece que foi ontem que nós começamos essa iniciativa, que nos deixa tão contentes a cada ano, de no dia do nosso patrono, Octavio Frias de Oliveira, celebrarmos a qualidade na pesquisa de câncer destacando pessoas, trabalhos e instituições", disse Roger Chammas, coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Icesp, ao abrir a cerimônia.

Chammas lembrou que o prêmio foi criado como algo que "deixasse um legado, que reconhecesse a qualidade da ciência que fazemos no nosso país”.

Anamaria Aranha Camargo, diretora do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, frisou a importância de premiações para o âmbito científico. “Incentivo e reconhecimento à pesquisa nunca são demais. Sabemos que isso é fundamental e estratégico, e o Icesp e a Folha são pioneiros nisso”, afirmou ela, que foi vencedora da categoria Personalidade de Destaque em Oncologia.

Prêmio Octavio Frias de Oliveira 2020
Prêmio Octavio Frias de Oliveira 2020 - Núcleo de Imagem

A pesquisadora foi premiada pelas suas contribuições em estudos que combinaram a biologia molecular e a medicina para encontrar alternativas que facilitam diagnósticos de cânceres.

Luiza de Macedo Abdo, vencedora da categoria Inovação Tecnológica em Oncologia, falou sobre a importância de todos os envolvidos nas etapas de pesquisa e das dificuldades dos jovens em fazer pesquisa hoje no Brasil.

“Faltam perspectiva e oportunidades de emprego, que vêm só depois dos 30. Muita gente acha que somos pagos [com bolsas de estudo] para estudar, mas o que fazemos é trabalho, e não temos direitos”, disse.

Abdo também defende que novas ferramentas desenvolvidas pela ciência sejam democratizadas.

Seu trabalho, desenvolvido em um grupo de pesquisa no Inca (Instituto Nacional do Câncer) no Rio de Janeiro, pode tornar mais barata uma terapia para tratar leucemias. O custo do procedimento hoje pode chegar a R$ 2,6 milhões.

O premiado na categoria Pesquisa em Oncologia foi Caio Abner Leite, líder do projeto que aprofundou o conhecimento sobre a relação entre doenças inflamatórias e tumores no intestino. Iniciada na Universidade Federal do Ceará, a pesquisa foi concluída na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto.

Leite, que também tem especialização em saúde da família, comentou a respeito da dificuldade do sistema de saúde de conectar a atenção primária ao atendimento especializado, um problema para tratamentos oncológicos, que têm melhores resultados quanto mais precoce forem.

“Talvez o sistema de saúde seja insuficiente para lidar com o grande número de pacientes, ou talvez exista muita burocracia para realização de exames. Quando o paciente tem acesso, muitas vezes o câncer está em estágio avançado”, disse.

A apresentação do evento foi feita por Cláudia Collucci, jornalista especializada em saúde, e teve a presença de Roger Chamas, coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Icesp e membro da comissão julgadora do prêmio, e de André Abrahão, diretor de oncologia da Novartis, patrocinadora do prêmio.

“Se por um lado é um momento triste que vivemos diante da pandemia, por outro lado é um momento de satisfação da Folha e do jornalismo, porque estamos vendo o valor da ciência. A pesquisa vai continuar melhorando nossas vidas, isso está muito claro”, disse Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal.

Foram 32 trabalhos examinados pela comissão julgadora do prêmio, formada por representantes do Icesp, da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital das Clínicas da USP, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da Academia Nacional de Medicina, da Academia Brasileira de Ciências, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), da Fundação Oncocentro de São Paulo e da Folha. Cada vencedor recebeu um certificado e R$ 20 mil.

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