Descrição de chapéu Coronavírus

Corrida por vacina contra Covid-19 tem mais de 200 candidatas no mundo; conheça

Veja a proveniência e o status de desenvolvimento dos diferentes imunizantes

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São Paulo
O Reino Unido foi a primeira nação no mundo a aprovar uma vacina contra a Covid-19, a da Pfizer, que foi a primeira a concluir seus testes clínicos, com anúncio de eficácia de 95% feito em 18 de novembro. A segunda vacina a receber autorização para uso no Reino Unido foi a da Universidade de Oxford/AstraZeneca.
No Brasil, as vacinas Coronavac e Covishield (Oxford/AstraZeneca) foram aprovadas para uso emergencial, enquanto a vacina da Pfizer foi a única a receber o registro definitivo, no último dia 23 de fevereiro.
Nesta quarta-feira (3), o governo federal decidiu fechar contrato para a compra das vacinas da Pfizer e também da Janssen, que foi aprovada para uso emergencial nos EUA pela FDA no último sábado (27).
A vacina da Moderna, que havia recebido autorização para uso emergencial nos EUA no dia 18 de dezembro, foi aprovada também pela agência regulatória da União Europeia. Ao todo, mais de 70 países no mundo já começaram a vacinação contra Covid-19.
Existem ainda dezenas de imunizantes em fases de testes em humanos e mais quase duzentos em fase pré-clínica, provenientes de diferentes países e com o emprego de tecnologias distintas.

Acompanhe a corrida global pela vacina, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), veja quais candidatas estão mais próximas da produção para uso em massa e quais delas têm acordo para produção ou uso no Brasil (última atualização em 2 de março de 2021).

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Pfizer/BioNTech - BNT162b2

País: Estados Unidos e Alemanha

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Moderna/Niaid

País: Estados Unidos

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Esta é a última fase antes da aprovação para uso na população. Não há previsão específica de duração desta etapa, já que os testes podem ser suspensos e retomados. Nela, com base nos resultados de segurança e de possível eficácia, milhares de pessoas são vacinadas e outras milhares recebem placebo (uma injeção que não contém o imunizante propriamente dito) para quantificar o potencial de imunização da candidata a vacina.

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Universidade de Oxford/AstraZeneca

País: Reino Unido

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Sinovac - Coronavac

País: China

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Instituto Gamaleya/Fundo Russo de Investimento Direto - Sputnik V

País: Rússia

  • Dados divulgados pelo governo russo apontam 92% de eficácia da vacina
  • A vacina foi aprovada para uso emergencial em diversos países; o laboratório União Química, que tem acordo para importar e produzir o imunizante no país, aguarda aprovação de uso emergencial do imunizante pela Anvisa, que argumenta documentos faltantes para conceder a autorização
  • Acordo no Brasil: parceria com a União Química para produzir no país. O governo da Bahia fechou a compra de 50 milhões de doses da Sputnik V; o governo federal também fechou compra de 30 milhões de doses do imunizante russo, esperados ainda para março
  • Prazo prometido: o governo russo já registrou a vacina, a primeira no mundo a obter a certificação.
  • Tecnologia: vetor viral não replicante (combina dois adenovírus de resfriados em humanos, Ad26 e Ad5)
  • Capacidade de produção: O RDIF espera produzir até 1,2 bilhão de doses, sendo 230 milhões para a América Latina
  • Armazenamento: 2˚ a 8˚C (refrigerador)
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Janssen (Johnson & Johnson)

País: Bélgica

Bharat Biotech - BBV152

País: Índia

  • A vacina teve sua análise interina divulgada nesta quarta-feira (3) com eficácia de 81% após a comprovação de 43 casos de Covid-19;
  • A empresa indiana iniciou os ensaios clínicos de fase 3 em novembro
  • A agência regulatória indiana aprovou, no dia 3 de janeiro, a Covaxin e a vacina da Oxford/AstraZeneca para uso no país; a aprovação da Covaxin gerou críticas pela falta de dados de eficácia (os ensaios clínicos estão previstos para serem concluídos no final de janeiro)
  • Acordo no Brasil: governo federal apresentou contrato para compra de 20 milhões de doses; Precisa Medicamentos, laboratório localizado no Distrito Federal, fechou acordo para oferta da vacina no país, ainda sem detalhes
  • ​Prazo estimado: expectativa é de conclusão dos testes no primeiro trimestre de 2021
  • Tecnologia: vírus inativado
  • Capacidade de produção: capacidade atual de 200 milhões de doses; empresa diz poder produzir até meio bilhão de doses já no primeiro semestre de 2021
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Pfizer/BioNTech + Fosun Pharma

País: Estados Unidos

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Novavax – NVX-CoV2373

País: Estados Unidos

  • A vacina da Novavax apresentou eficácia de quase 90% de seu imunizante; taxa, no entanto, encontrou queda e ficou ligeiramente abaixo do limiar de 50% preconizado pela OMS quando avaliado um pequeno grupo de voluntários do estudo na África do Sul, indicando uma possível fuga imunológica da variante presente naquele país
  • Acordo no Brasil: não há
  • Prazo estimado: não há, mas a farmacêutica ampliou sua capacidade de produzir
  • Tecnologia: fragmentos de proteínas
  • Capacidade de produção: até 2 bilhões de doses
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CanSino Biologics

País: China

  • A vacina de dose única da CanSino apresentou eficácia de 65,7%
  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia que utiliza: vetor viral não replicante - adenovírus Ad5
  • Capacidade de produção: o governo chinês aprovou o uso limitado no país em militares do Exército em junho, mas não há dados sobre produção em larga escala
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Sinopharm e Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan

País: China

  • A estatal chinesa divulgou, nesta quarta-feira (30), que a eficácia do imunizante é de 79%
  • A vacina já tinha sido aprovada para uso emergencial nos Emirados Árabes Unidos, que anunciaram eficácia de 86%, no dia 9 de dezembro, sem apresentar dados oficiais
  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: vírus inativado
  • Capacidade de produção: 200 milhões de doses ao ano (anunciada)
  • Armazenamento: 2˚a 8˚ C
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Anhui Zhifei Longcom Biopharmaceutical/Institute of Microbiology/Chinese Academy of Sciences

País: China

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas
Curevac escrito em laranja e azul

Curevac

País: Alemanha

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: RNA
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Institute of Medical Biology/Chinese Academy of Medical Sciences

País: China

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: vírus inativado
Logo com o símbolo da biologia, um DNA e um microscópio e Instituto de Pesquisa para Problemas de Segurança Biológica escrito do lado

Instituto de Pesquisa para Problemas de Segurança Biológica

País: Cazaquistão

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: vírus inativado
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Cadila Healthcare Ltd.

País: Índia

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: DNA (sequência codificante da protéina S)
Reuters
Covax Facility (OMS)

País: consórcio de países - Organização Mundial da Saúde

  • A organização anunciou, no início do mês de fevereiro, o início do envio das doses à América Latina, a ser concluída até o final de 2021; o Brasil deve receber, ainda neste trimestre, 1,6 milhão de doses via Covax Facility; outras 6 milhões chegarão no segundo trimestre de 2021
  • Acordo no Brasil: governo federal assinou sua participação no consórcio
  • Fase: são várias vacinas em desenvolvimento com diferentes prazos
  • Capacidade de produção: os países participantes receberão doses para vacinar até 20% da sua população; no Brasil, o acordo prevê parcela de 10% da população

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Nesta fase, com algumas centenas de voluntários, deseja-se saber se o fármaco, além de seguro, tem chances de funcionar. No caso de uma vacina, a ideia é que sejam gerados anticorpos contra o patógeno (ainda resta saber se eles de fato imunizam). É uma fase que, quando há urgência, pode ser combinada ou praticamente suprimida.

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Medicago Inc.

País: Estados Unidos
​Tecnologia: VLPs (partículas semelhantes a vírus)

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Inovio Pharmaceuticals - INO-4800

País: Estados Unidos
Tecnologia: DNA (sequência codificante da protéina S)

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Osaka University/AnGes/Takara Bio - AG0301-Covid19

País: Japão
Tecnologia: DNA

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Clover Biopharmaceuticals Inc./GSK/Dynavax

País: China, Reino Unido e Estados Unidos
Tecnologia : aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

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Covaxx

País: Estados Unidos
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas

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Medigen Vaccine Biologics Corporation/NIAID/Dynavax

País: Estados Unidos
Tecnologia que utiliza: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

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Hospital da China Ocidental, Universidade Sichuan

País: China
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas

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Duke University/Arcturus Therapeutics – ARCT-021

País: Estados Unidos
Tecnologia: RNA

Beijing Minhai Biotecnologia Co.

País: China
Tecnologia: vírus inativado

Beijing Wantai Biological Pharmacy/Universidade Xiamen/Universidade de Hong Kong

País: China
Tecnologia: usa vírus como vetor

Instituto Finlay de Vacunas

País: Cuba
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas (duas vacinas candidatas)

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Genexine Consortium – GX-19

País: Coreia do Sul
Tecnologia: DNA

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Kentucky Bioprocessing Inc. - KBP-Covid-19

País: Estados Unidos
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logo

Sanofi Pasteur/GSK

País: França
Tecnologia: proteínas ou fragmentos dela

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SpyBiotech/Serum Institute of India

País: Índia
Tecnologia: VLPs (partículas semelhantes a vírus)

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Instituto de Virologia e Biotecnologia Vector - EpiVacCorona

País: Rússia
Tecnologia: fragmentos de proteínas do vírus

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Instituto Pasteur/Themis/Universidade de Pittsburg CVR/Merck & Co.

País: Estados Unidos e França
Tecnologia: vírus inativado

Shenzhen Kangtai Biological Products Co., Ltda.


País: China
Tecnologia: vírus inativado

Instituto de Pesquisa Biológica de Israel

País: Israel
Tecnologia: vetor viral não replicante

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Merck Sharp & Dohme/IAVI

País: Estados Unidos
Tecnologia: usa vírus como vetor

Alvita Biomedical, Inc./National Institute of Health Research and Development, Ministry of Health

País: Canadá e Indonésia
Tecnologia: vetor viral replicante + células dendritícas modificadas

Center for Genetic Engineering and Biotechnology (CIGB)

País: Cuba
Tecnologia: subunidades de proteínas

Valneva/NIH

País: Áustria e Reino Unido
Tecnologia: vírus inativado

Biological E Ltda.

País: Índia
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

Cellid Co., Ltd.

País: Coreia do Sul
Tecnologia: vetor viral replicante

GeneOne Life Science, Inc.

País: Coreia do Sul
Tecnologia: vacina de DNA

Nanogen Pharmaceutical Biotechnology

País: Vietnã
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

Shionogi/Universidade de Kyushu

País: Japão
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

University Medical Center Groningen/Akston Biosciences

País: Holanda e EUA
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

Vaccine and Infectious Diseases Organization (VIDO)/Seppic and the Vaccine Formulation Institute (VFI)

País: Canadá
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

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Na etapa que inaugura a fase clínica dos ensaios, o teste é feito, pela primeira vez, com dezenas de seres humanos saudáveis. A ideia é ver se o fármaco é seguro e não causa efeitos colaterais. Esta fase de pesquisa pode demorar alguns meses, e muitas candidatas a vacina falham. Quando há urgência, autoridades regulatórias permitem que ela seja executada de forma combinada com a fase seguinte.

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Vaxine Pty Ltd./Medytox

País: Austrália
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

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Universidade de Queensland/CSL/Seqirus

País: Austrália
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

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Imperial College London

País: Reino Unido
Tecnologia: RNA

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People’s Liberation Army (PLA) Academy of Military Sciences/Walvax Biotech

País: China
Tecnologia que utiliza: RNA

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ImmunityBio, Inc. & NantKwest Inc

País: Estados Unidos
Tecnologia: adenovírus como vetor

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ReiThera/LEUKOCARE/Univercells

País: consórcio de países europeu
Tecnologia: adenovírus como vetor

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Vaxart

País: Estados Unidos
Tecnologia: adenovírus como vetor

Ludwig-Maximilians - Universidade de Munique

País: Alemanha
Tecnologia: usa vírus como vetor

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Hospital Universidade Tuebingen

País: Alemanha
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas

Symvivo

País: Canadá
Tecnologia: DNA

City of Hope

País: Estados Unidos
Tecnologia: vetor viral replicante

Entos Pharmaceuticals Inc.

País: Canadá
Tecnologia: subunidades de proteínas

Universidade de Chulalongkorn

País: Tailândia
Tecnologia: vacina de RNA

Shenzhen Geno-Immune Medical Institute

País: China
Tecnologia: usa vírus como vetor

Codagenix/Serum Institute of India

País: Estados Unidos e Índia
Tecnologia: vírus atenuado

Adimmune Corporation

País: Taiwan
Tecnologia: subunidades de proteínas

Providence Health & Services

País: Estados Unidos
Tecnologia: vacina de DNA

Altimmune, Inc.

País: Estados Unidos
Tecnologia: vetor viral não-replicante

Erciyes University

País: Turquia
Tecnologia: vírus inativado

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Pesquisa pré-clínica
São os ensaios feitos antes dos testes em humanos, envolvendo, por exemplo, entender como o patógenos agridem o organismo do hospedeiro e a busca por possíveis antígenos. Pode demorar vários anos até esse corpo de conhecimento ser sólido o suficiente.

No caso da vacina para conter o vírus SarsCoV-2, uma forma de encurtar o prazo é, nesta etapa, aproveitar o conhecimento adquirido sobre os vírus da Sars (síndrome respiratória aguda grave) e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio), ambos coronavírus.

Outros trâmites que podem retardar o processo

  • Construção de fábricas Via de regra a construção da fábrica pode levar anos e só acontece após a aprovação da vacina, dado que ela pode se mostrar insegura ou ineficaz em alguma das etapas de pesquisa clínica, e a obra se torna um investimento perdido. Com a pandemia do novo coronavírus, porém, grandes indústrias e consórcios estão considerando a construção de fábricas em paralelo à realização dos ensaios clínicos.
  • Produção em larga escala Produzir uma vacina requer equipamentos específicos e técnicas também específicas –enquanto algumas vacinas são produzidas após a infecção de ovos de galinha com vírus, outras dependem da produção de antígenos por micro-organismos, por exemplo. Quando se deseja acelerar o processo, inicia-se a produção industrial com a comprovação de eficácia parcial às autoridades reguladoras. No caso da vacina para Covid-19, a Anvisa aceitará 50% de eficácia.
  • Distribuição Além de garantir a quantidade necessária para imunizar potencialmente toda a humanidade, é preciso ter meios para que ela consiga chegar aos diversos países. Para encurtar o prazo, a vacina pode começar a ser distribuída antes mesmo de que sua eficácia esteja totalmente comprovada, e pode ser empregada para imunizar profissionais de saúde e segurança, por exemplo.

Fontes: Diego Moura Tanajura (Universidade Federal de Sergipe), NIH, Universidade Harvard, Universidade de Oxford

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