Descrição de chapéu Coronavírus

Corrida por vacina contra Covid-19 tem cerca de 200 candidatas no mundo; conheça

Veja a proveniência e o status de desenvolvimento dos diferentes imunizantes

São Paulo
​Não há, ainda, uma vacina aprovada para uso na população que combata a Covid-19. A Pfizer foi a primeira a concluir seus testes clínicos, com anúncio de eficácia de 95% feito em 18 de novembro. Ao todo, dezenas de imunizantes estão em testes em humanos, provenientes de diferentes países e com o emprego de tecnologias distintas.

Acompanhe a corrida global pela vacina, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), veja quais candidatas estão mais próximas da produção para uso em massa e quais delas têm acordo para produção ou uso no Brasil.

*

Esta é a última fase antes da aprovação para uso na população. Não há previsão específica de duração desta etapa, já que os testes podem ser suspensos e retomados. Nela, com base nos resultados de segurança e de possível eficácia, milhares de pessoas são vacinadas e outras milhares recebem placebo (uma injeção que não contém o imunizante propriamente dito) para quantificar o potencial de imunização da candidata a vacina.

logos empresas vacinas covid

Pfizer/BioNTech - BNT162b1 e BNT162b2

País: Estados Unidos e Alemanha

  • Vacina da Pfizer foi a primeira a concluir os testes e anunciar resultados finais, que apontam para eficácia de 95%
  • Acordo no Brasil: Pfizer Brasil (ensaios clínicos no país); farmacêutica está em negociação com o governo federal
  • Prazo estimado: os testes foram concluídos em novembro; a aprovação por agências reguladoras é esperada para antes do final de 2020
  • Tecnologia: RNA (utiliza o material genético do vírus para induzir resposta imune)
  • Capacidade de produção: pretende produzir 100 milhões de doses para diferentes países até 2020, com capacidade para 1,2 bilhão até final de 2021
  • Armazenamento: -70˚C (ultracongelador)
logos empresas vacinas covid

Universidade de Oxford/AstraZeneca

País: Reino Unido

  • A farmacêutica anunciou na segunda-feira (23) resultados preliminares do ensaio de fase 3 apontando para uma eficácia de até 90% da vacina
  • Acordo no Brasil: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde
  • Prazo estimado: até dezembro de 2020, o governo espera receber as primeiras 15 milhões de doses (interrompida temporariamente em setembro devido a um evento adverso; testes já retomados)
  • Tecnologia: vetor viral não replicante - adenovírus de chimpanzé modificado e inativado (ChAdOx1)
  • Capacidade de produção: MS fechou acordo para compra de 100 milhões de doses
  • Armazenamento: 2˚ a 8˚ C (refrigerador)
logos empresas vacinas covid

Sinovac - Coronavac

País: China

  • O Instituto Butantan anunciou nesta segunda-feira (23) que atingiu o número mínimo de casos de Covid-19 necessários para fazer uma análise preliminar de eficácia; dados devem ser apresentados na primeira semana de dezembro
  • Acordo no Brasil: Instituto Butantan (Governo de São Paulo)
  • Prazo estimado: até dezembro de 2020 o governo pretende receber as 46 milhões de doses (interrompida no último dia 9 devido a um evento adverso grave; Anvisa aprovou retomada dos testes no dia 11)
  • Tecnologia: vírus inativado
  • Capacidade de produção: o acordo prevê 46 milhões de doses vindas da China; o Butantan tem capacidade para produzir mais 60 milhões de doses até maio de 2021.
  • Armazenamento: 25˚C por 42 dias, a 37˚C por 28 dias e refrigerada entre 2˚ a 8˚ C por até cinco meses
logos empresas vacinas covid

Instituto Gamaleya/Fundo Russo de Investimento Direto - Sputnik V

País: Rússia

  • Dados divulgados pelo governo russo apontam 92% de eficácia da vacina
  • Acordo no Brasil: Parceria com a União Química para produzir no país, ainda sem detalhes. O governo da Bahia fechou a compra de 50 milhões de doses da Sputnik V; o governo do Paraná também pretende produzir a vacina.
  • Prazo prometido: o governo russo já registrou a vacina, a primeira no mundo a obter a certificação; produção em larga escala é prevista até o final de 2020.
  • Tecnologia: vetor viral não replicante (combina dois adenovírus de resfriados em humanos, Ad26 e Ad5)
  • Capacidade de produção: O RDIF espera produzir até 1,2 bilhão de doses, sendo 230 milhões para a América Latina
  • Armazenamento: 2˚ a 8˚C (refrigerador)
logos empresas vacinas covid

Moderna/Niaid

País: Estados Unidos

  • Moderna divulgou eficácia de 94,5% da sua candidata à vacina com base em resultados preliminares
  • Acordo no Brasil: governo federal enviou carta de intenção à farmacêutica para negociação de um possível acordo para venda de doses
  • Prazo estimado: até final de 2020
  • Tecnologia: RNA
  • Capacidade de produção: o governo norte-americano fechou acordo para compra de 100 milhões de doses até final de 2020, com capacidade de produzir mais 400 milhões de doses
  • Armazenamento: -20˚C (congelador); fabricante anunciou tempo de armazenamento de até 30 dias no refrigerador e até 12 horas em temperatura ambiente
logos empresas vacinas covid

Janssen (Johnson & Johnson)

País: Bélgica

  • Acordo no Brasil: apenas para ensaios clínicos no país; governo federal enviou carta de intenção à farmacêutica para negociação de um possível acordo para venda de doses
  • Prazo estimado: início de 2021
  • Tecnologia: vetor viral não replicante - adenovírus Ad26
  • Capacidade de produção: 1 bilhão de doses por ano
  • Armazenamento: duas formas, uma congelada, mantida a -20˚C, e uma em pó, que pode ser mantida a 2˚ a 8˚C (refrigerada)
logos empresas vacinas covid
logos empresas vacinas covid - Núcleo de Imagem

Bharat Biotech - BBV152

País: Índia

  • Acordo no Brasil: governo federal enviou carta de intenção à farmacêutica para negociação de um possível acordo para venda de dose
  • Tecnologia: vírus inativado
  • Capacidade de produção: milhões de doses (número não informado) já no primeiro semestre de 2021
logos empresas vacinas covid

Novavax – NVX-CoV2373

País: Estados Unidos

  • Acordo no Brasil: não há
  • Prazo estimado: não há, mas a farmacêutica ampliou sua capacidade de produzir
  • Tecnologia: fragmentos de proteínas
  • Capacidade de produção: até 2 bilhões de doses
logos empresas vacinas covid

Instituto de Virologia e Biotecnologia Vector - EpiVacCorona

País: Rússia

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia: fragmentos de proteínas do vírus
  • Capacidade de produção: governo russo não divulgou informações sobre produção ou prazo estimado (ainda não iniciou a fase 3)
logos empresas vacinas covid

CanSino Biologics

País: China

  • Acordo no Brasil: não há
  • Tecnologia que utiliza: vetor viral não replicante - adenovírus Ad5
  • Capacidade de produção: o governo chinês aprovou o uso limitado no país em militares do Exército em junho, mas não há dados sobre produção em larga escala
logos empresas vacinas covid

Sinopharm e Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan

País: China

  • Acordo no Brasil: não há
  • Prazo estimado: até final de 2020
  • Tecnologia: vírus inativado
  • Capacidade de produção: 200 milhões de doses ao ano (anunciada)
  • Armazenamento: 2˚a 8˚ C
Reuters
Covax Facility (OMS)

País: consórcio de países - Organização Mundial da Saúde

  • Acordo no Brasil: governo federal assinou sua participação no consórcio
  • Fase: são várias vacinas em desenvolvimento com diferentes prazos
  • Capacidade de produção: os países participantes receberão doses para vacinar até 20% da sua população; no Brasil, o acordo prevê parcela de 10% da população

*

Nesta fase, com algumas centenas de voluntários, deseja-se saber se o fármaco, além de seguro, tem chances de funcionar. No caso de uma vacina, a ideia é que sejam gerados anticorpos contra o patógeno (ainda resta saber se eles de fato imunizam). É uma fase que, quando há urgência, pode ser combinada ou praticamente suprimida.

logos empresas vacinas covid

Anhui Zhifei Longcom Biopharmaceutical/Institute of Microbiology/Chinese Academy of Sciences

País: China
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid
logos empresas vacinas covid - Núcleo de Imagem

Curevac

País: Alemanha
Tecnologia: RNA

logos empresas vacinas covid

Institute of Medical Biology/Chinese Academy of Medical Sciences

País: China
Tecnologia: vírus inativado

logos empresas vacinas covid
logos empresas vacinas covid - Núcleo de Imagem

Instituto de Pesquisa para Problemas de Segurança Biológica

País: Cazaquistão
Tecnologia: vírus inativado

logos empresas vacinas covid

Inovio Pharmaceuticals - INO-4800

País: Estados Unidos
Tecnologia: DNA (sequência codificante da protéina S)

logos empresas vacinas covid

Osaka University/AnGes/Takara Bio - AG0301-Covid19

País: Japão
Tecnologia: DNA

logos empresas vacinas covid

Cadila Healthcare Limited

País: Índia
Tecnologia: DNA (sequência codificante da protéina S)

logos empresas vacinas covid

Genexine Consortium – GX-19

País: Coreia do Sul
Tecnologia: DNA

logos empresas vacinas covid

Kentucky Bioprocessing Inc. - KBP-Covid-19

País: Estados Unidos
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Duke University/Arcturus – ARCT-021

País: Estados Unidos
Tecnologia: RNA

logo da empresa institute for biological research israel
institute for biological research israel - Reprodução

Instituto de Pesquisa Biológica de Israel

País: Israel
Tecnologia: vetor viral não replicante

logo

Sanofi Pasteur/GSK

País: França
Tecnologia: proteínas ou fragmentos dela

logos empresas vacinas covid

SpyBiotech/Instituto Serum

País: Índia
Tecnologia: VLPs (partículas semelhantes a vírus)

Companhia de Biotecnologia Minhai de Pequim

País: China
Tecnologia: vírus inativado

Biological E Ltda.

País: Índia
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

*

Na etapa que inaugura a fase clínica dos ensaios, o teste é feito, pela primeira vez, com dezenas de seres humanos saudáveis. A ideia é ver se o fármaco é seguro e não causa efeitos colaterais. Esta fase de pesquisa pode demorar alguns meses, e muitas candidatas a vacina falham. Quando há urgência, autoridades regulatórias permitem que ela seja executada de forma combinada com a fase seguinte.

logos empresas vacinas covid

Clover Biopharmaceuticals Inc./GSK/Dynavax

País: China, Reino Unido e Estados Unidos
Tecnologia : aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Vaxine Pty Ltd./Medytox

País: Austrália
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Universidade de Queensland/CSL/Seqirus

País: Austrália
Tecnologia: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Instituto Pasteur/Themis/Universidade de Pittsburg CVR/Merck

País: Estados Unidos e França
Tecnologia: vírus inativado

logos empresas vacinas covid

Imperial College London

País: Reino Unido
Tecnologia: RNA

logos empresas vacinas covid

Medicago Inc.

País: Estados Unidos
Tecnologia: VLPs (partículas semelhantes a vírus)

logos empresas vacinas covid

People’s Liberation Army (PLA) Academy of Military Sciences/Walvax Biotech

País: China
Tecnologia que utiliza: RNA

logos empresas vacinas covid

Medigen Vaccine Biologics Corporation/NIAID/Dynavax

País: Estados Unidos
Tecnologia que utiliza: aplicação direta de proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

ImmunityBio, Inc. & NantKwest Inc

País: Estados Unidos
Tecnologia: adenovírus como vetor

logos empresas vacinas covid

ReiThera/LEUKOCARE/Univercells

País: consórcio de países europeu
Tecnologia: adenovírus como vetor

logos empresas vacinas covid

CanSino/Instituto de Biotecnologia, Academia Ciências Médicas Militares

País: China
Tecnologia: adenovírus como vetor

logos empresas vacinas covid

Vaxart

País: Estados Unidos
Tecnologia: adenovírus como vetor

Ludwig-Maximilians - Universidade de Munique

País: Alemanha
Tecnologia: usa vírus como vetor

Instituto Finlay de Vacunas

País: Cuba
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas (duas vacinas candidatas)

logos empresas vacinas covid

Hospital da China Ocidental, Universidade Sichuan

País: China
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Hospital Universidade Tuebingen

País: Alemanha
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Covaxx

País: Estados Unidos
Tecnologia: proteínas ou fragmentos delas

logos empresas vacinas covid

Merck Sharp & Dohme/IAVI

País: Estados Unidos
Tecnologia: usa vírus como vetor

logos empresas vacinas covid

Beijing Wantai Biological Pharmacy/Universidade Xiamen

País: China
Tecnologia: usa vírus como vetor

Symvivo

País: Canadá
Tecnologia: DNA

*

Pesquisa pré-clínica
São os ensaios feitos antes dos testes em humanos, envolvendo, por exemplo, entender como o patógenos agridem o organismo do hospedeiro e a busca por possíveis antígenos. Pode demorar vários anos até esse corpo de conhecimento ser sólido o suficiente.

No caso da vacina para conter o vírus SarsCoV-2, uma forma de encurtar o prazo é, nesta etapa, aproveitar o conhecimento adquirido sobre os vírus da Sars (síndrome respiratória aguda grave) e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio), ambos coronavírus.

Outros trâmites que podem retardar o processo

  • Construção de fábricas Via de regra a construção da fábrica pode levar anos e só acontece após a aprovação da vacina, dado que ela pode se mostrar insegura ou ineficaz em alguma das etapas de pesquisa clínica, e a obra se torna um investimento perdido. Com a pandemia do novo coronavírus, porém, grandes indústrias e consórcios estão considerando a construção de fábricas em paralelo à realização dos ensaios clínicos.
  • Produção em larga escala Produzir uma vacina requer equipamentos específicos e técnicas também específicas –enquanto algumas vacinas são produzidas após a infecção de ovos de galinha com vírus, outras dependem da produção de antígenos por micro-organismos, por exemplo. Quando se deseja acelerar o processo, inicia-se a produção industrial com a comprovação de eficácia parcial às autoridades reguladoras. No caso da vacina para Covid-19, a Anvisa aceitará 50% de eficácia.
  • Distribuição Além de garantir a quantidade necessária para imunizar potencialmente toda a humanidade, é preciso ter meios para que ela consiga chegar aos diversos países. Para encurtar o prazo, a vacina pode começar a ser distribuída antes mesmo de que sua eficácia esteja totalmente comprovada, e pode ser empregada para imunizar profissionais de saúde e segurança, por exemplo.

Fontes: Diego Moura Tanajura (Universidade Federal de Sergipe), NIH, Universidade Harvard, Universidade de Oxford

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.