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Cidades do oeste do Pará, divisa com o Amazonas, sofrem com falta de oxigênio

Governo do estado informou que enviou oxigênio para a região e que empresa que fornece o produto já garantiu produção suficiente para a demanda

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Eduardo Laviano
Belém

Municípios da região Oeste do Pará registraram um aumento no número de casos e internações por Covid-19 nos últimos dias e já registram escassez de oxigênio em unidades de saúde. Os municípios fazem divisa com o estado do Amazonas, que enfrenta um colapso na saúde pública.

Na cidade de Faro (920 km de Belém), seis pessoas, duas delas da mesma família, morreram nas últimas 24 horas em unidades de saúde com falta de oxigênio, escassez de leitos e medicamentos. Apenas na comunidade Nova Maracanã, 34 pacientes estão hospitalizados, de acordo com a prefeitura. A cidade tem 12 mil habitantes.

"As hospitalizações na cidade atingiram níveis que não vimos no primeiro pico [da pandemia da Covid-19]. Os polos que nos abastecem, que são Manaus, Parintins e Santarém, estão sem nada", diz o prefeito Paulo Carvalho (PSD). A prefeitura recebeu 20 novos cilindros com oxigênio, mas estes devem durar até, no máximo, esta quarta-feira (20).

Na avaliação de Carvalho, o sistema público de saúde de toda a região vive uma situação de colapso. Os próprios prefeitos da região têm se ajudado mutuamente. "Os prefeitos vão se ajudando, quem está com oxigênio arruma para um, troca. O governo do estado tem disponibilizado aviões, mas a logística é muito delicada", afirma.

Também no Baixo Amazonas, o prefeito de Oriximiná, William Fonseca (PRTB), afirmou que o município precisa de ajuda principalmente com o transporte de insumos. Um cilindro cheio de oxigênio que atenderia unidades de saúde da cidade chegou a ser furtado. Após investigações, foi recuperado em um estaleiro e devolvido para a maternidade do município.

Cilindros de oxigênio são embarcados para a cidade de Faro, oeste do Pará. Cidade tem escassez de insumo para hospitais. - Prefeitura de Faro (PA) / Divulgação


"Estamos consumindo de 30 a 40 cilindros de oxigênio por dia. Cada um faz muita diferença, pois tivemos um crescimento repentino dos casos. Pegamos 15 cilindros emprestados do Hospital Regional, que foi o que deu para a gente segurar aqui o povo que está internado", afirmou Fonseca.

As distâncias amazônicas são o principal desafio do ponto de vista logístico. A cidade de Oriximiná realizou a compra de uma usina de oxigênio com capacidade de produção de 26 metros cúbicos por hora, mas ainda não sabe como irá transportá-la até a cidade, que fica a 820 quilômetros da capital Belém.

"A empresa fica em São José dos Pinhais, no Paraná. Então já solicitamos este apoio para as autoridades e também fizemos um apelo nas redes sociais mesmo, para que nossos deputados e o governador possam intermediar este pedido de uma aeronave de grande porte para trazer a usina para Oriximiná, pois isso ajudará Terra Santa, Juruti, Faro e todas as cidades vizinhas", disse o prefeito.

Em reunião virtual com prefeito de Oriximiná, o governador Helder Barbalho (MDB) afirmou que o Ministério da Defesa irá fazer o transporte da usina até às 18h de quarta-feira (20).

Até o momento, a Secretaria de Saúde de Oriximiná não identificou a variante P1, nova cepa da Covid-19 identificada em Manaus por pesquisadores, entre os novos casos registrados na cidade.

Durante entrevista à imprensa do início da vacinação no Pará nesta terça-feira (19), o governador Helder Barbalho informou que cilindros de oxigênio foram encaminhados aos municípios do oeste paraense e chegaram por volta de 12h.

Ao todo, 79 cilindros foram para Oriximiná e outros 20 para Faro. Barbalho disse ainda que a empresa que fornece oxigênio para o Pará já garantiu produção suficiente para a demanda do estado. A empresa possui duas fábricas de oxigênio, além de duas unidades de envasamento de cilindros, com uma capacidade de produção de 58 mil metros cúbicos diários.

Na semana passada, o tráfego fluvial entre o Pará e o Amazonas foi proibido por meio de decreto estadual e, ainda assim, a avaliação epidemiológica da região do Baixo Amazonas, no Oeste do Pará, regrediu para a bandeira vermelha.

"Elevamos para vermelho porque percebeu-se uma pressão no sistema de saúde, o que nos obriga a sinalizar que é preciso tomar medidas enérgicas para evitar o colapso", informou o governador.​

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