Descrição de chapéu Coronavírus

Em carta, Bolsonaro pede à Índia urgência para antecipar envio da vacina de Oxford

Imunizante é produzido pelo Serum Institute; presidente tenta, assim, começar vacinação ainda em janeiro, assim como SP

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro assinou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pedindo ajuda para antecipar a entrega ao Brasil de um lote de 2 milhões de vacinas contra a Covid-19 produzidas por um laboratório indiano.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi encaminhado nesta sexta-feira (8).

O imunizante é produzido pelo Serum Institute, mas foi desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca.

O lote de 2 milhões de vacinas é a principal aposta do governo federal para começar ainda em janeiro o programa de imunização no Brasil.

"Para possibilitar a imediata implementação do nosso Programa Nacional de Imunização, muito apreciaria poder contar com os bons ofícios de Vossa Excelência para antecipar o fornecimento ao Brasil, com a possível urgência e sem prejudicar o programa indiano de vacinação, de 2 milhões de doses do imunizante produzido pelo Serum Institute of India", diz o documento enviado.

O imunizante AstraZeneca/Oxford sempre foi o preferido de Bolsonaro, que ao longo do ano passado atuou contra a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan (SP) em parceria com o laboratório chinês Sinovac e no centro da "guerra da vacina" entre o governador João Doria (PSDB) e Bolsonaro.

No ano passado, o presidente determinou que ela não fosse comprada pelo Ministério da Saúde e disse que o produto não transmitia confiança por conta de sua origem.

No entanto, diante da pressão de governadores, a Coronavac acabou incluída no planejamento do Ministério da Saúde, que na quinta (7) anunciou a compra de 100 milhões de doses do imunizante.

Na mesma ocasião, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que o Brasil trabalhava com três hipóteses para o início da sua campanha de imunização, sendo que o mais otimista era começá-la em 20 de janeiro. A pasta afirmou que o pontapé seria dado com a vacina que primeiro estivesse disponível —tanto o Butantan quanto a Fiozruz (Fundação Oswaldo Cruz), que no Brasil produzirá a vacina Oxford/AstraZeneca, pediram o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nesta sexta.​

Apesar do discurso oficial de que a imunização poderia começar com a vacina Oxford/AstraZeneca ou com a Coronovac, auxiliares no Palácio do Planalto sabem que o início da imunização com a Coronavac será explorado por Doria como uma vitória política. O cenário será ainda pior para o Planalto caso o governo de São Paulo saia na frente na imunização.

O instituto paulista tem a seu favor o fato de já ter um estoque no Brasil, de cerca de 11 milhões de doses —não há nenhuma dose do imunizante Oxford/AstraZeneca ainda.

Nesta sexta, o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, confirmou que a vacinação contra Covid-19 começa no próximo dia 25 de janeiro no estado, mesmo se o governo federal não conseguir iniciar a imunização em todo país na mesma data.

Pazuello também informou na quinta que o país tem garantidas 212 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca.

O ministério ainda prevê ter 42 milhões de doses da Covax facility, consórcio da Organização Mundial de Saúde que acompanha nove estudos de potenciais vacinas. Ainda não há prazo para essa oferta. O ministério, porém, já contabiliza a previsão de 354 milhões de doses, equivalente à soma desses três acordos.

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