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Prefeito defende tratamento precoce contra a Covid-19 em Chapecó, que vive colapso na saúde

Sem vagas em UTIs, cidade catarinense registrou morte de bebê de menos de 2 meses

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Curitiba

A prefeitura de Chapecó intensificou no início de 2021 uma campanha pelo chamado tratamento precoce, com uso de medicamentos como ivermectina e cloroquina, sem eficácia comprovada contra a Covid-19. A cidade catarinense sofre hoje um colapso na saúde por conta da alta taxa de internações de pacientes com a doença.

Os remédios já eram ofertados pelo município, mas tiveram o uso estimulado depois que João Rodrigues (PSD) tomou posse como prefeito, em 1º de janeiro.

Em notícia divulgada no site da prefeitura que trata de uma reunião do prefeito com sua equipe, em 4 de janeiro, Rodrigues disse que uma das suas primeiras ações no posto seria estabelecer um protocolo para tratamento precoce contra a Covid-19.

“Não será obrigatório, mas tem que estar disponível. Não pode é dificultar. Não pode alguém ficar entubado na UTI porque faltou tratamento precoce”, afirmou o prefeito.

A reunião foi tema de reportagem no jornal local Balanço Geral, da NDTV. O noticiário afirmou que, a partir daí, a Secretaria Municipal de Saúde passaria a aceitar receitas de médicos particulares para fornecer gratuitamente os medicamentos, que também passariam a ser usados em casos de suspeita de contaminação pelo novo coronavírus.

“Ele [o paciente com suspeita da doença] já recebe de forma imediata o melhor tratamento medicamentoso para a evolução dessa síndrome gripal, que muitas vezes se confirma como Covid-19 e muitas vezes não. Porém, os médicos já prescrevem de maneira precoce [os remédios]. Temos a disponibilização desses medicamentos dentro da Secretaria de Saúde, esse tratamento para a melhor evolução desses pacientes para evitar complicações maiores”, afirmou João Lenz, diretor técnico da secretaria de saúde, em entrevista ao programa.

Hospital Regional do Oeste, em Chapecó (SC), onde morreu de Covid bebê com menos de dois meses - Julio Cavalheiro/Secom

À Folha a assessoria informou que o prefeito não estaria disponível para entrevistas nesta quinta-feira (18), mas enviou uma nota em que afirmou que ele é pessoalmente favorável ao uso de remédios “como cloroquina, ivermectina, azitromicina, zinco e vitamina D, entre outros, em pacientes com Covid-19”.

“Pessoalmente, defendo o tratamento precoce pois eu mesmo fiz e deu resultado. Sou favorável que os médicos recomendem o tratamento, mas aí fica a critério de cada um”, disse o prefeito na nota.

“Se o médico entende que é necessária a prescrição de medicamento A, B ou C, isso é uma conduta médica. O que a administração fez foi orientar para que atuem da melhor maneira que julguem correta.”

Ainda segundo a assessoria, o prefeito tem baseado suas decisões nos apontamentos do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19, composto por médicos que afirmaram que o tratamento na fase inicial da doença “aumenta as chances de cura”.

Entre as primeiras ações de Rodrigues à frente da prefeitura esteve também a flexibilização das atividades comerciais e de serviços na cidade.

No primeiro dia de mandato, o prefeito liberou eventos como aniversários, batizados, casamentos e outras festas, e ampliou o horário de funcionamento de bares, autorizando ainda apresentações musicais nesses locais. Na ocasião, ele também cogitou a reabertura da Arena Condá, da Chapecoense, para o público, mas a medida não vingou.

Desde janeiro, a região Oeste de Santa Catarina sofre com a falta de leitos de UTI. Em fevereiro, a situação se agravou. Por ser a maior cidade da região e possuir melhor infraestrutura, Chapecó é destino de pacientes de outros municípios do entorno.

Nesta quinta-feira, não havia vagas entre os 52 leitos disponíveis para adultos na cidade. Só em fevereiro, 74 moradores que precisaram de internamento tiveram que ser transferidos para outros locais.

Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, na terça-feira (16), Rodrigues admitiu a situação crítica do município. “Lamentavelmente, estamos em colapso. Temos hospitais lotados, pacientes entubados em UPA. Não há espaço para nada. Estamos numa operação de guerra para aumentar leitos de UTI. É uma missão quase impossível. Não importa se tu é bilionário ou sem-teto, não tem leitos de UTI em Chapecó e no oeste catarinense”, afirmou.

No mesmo dia, a prefeitura registrou a morte de um bebê de um mês e 28 dias, vítima da Covid-19, após ficar internado por sete dias no Hospital Regional do Oeste. Até então, em todo o Brasil, haviam sido confirmadas 24 vítimas fatais da doença com menos de um ano de idade.

Mesmo sem capacidade de atendimento hospitalar, Rodrigues afirmou na última segunda (15) que o retorno das aulas presenciais ocorrerá no dia 1º de março, “em qualquer circunstância”.

O prefeito também encaminhou ofício ao ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, solicitando 100 mil vacinas contra a Covid-19, suficientes para imunizar aproximadamente um quarto da população. Segundo o prefeito, “a lotação de hospitais, o fluxo de estrangeiros que buscam emprego na cidade e a condição de polo regional” justificam o pedido.

No final de semana, enquanto esteve em Santa Catarina, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ligou para Rodrigues oferecendo apoio do governo federal diante da crise no município.

A prefeitura anunciou que 22 novos leitos de UTI e 50 de enfermaria serão abertos no Hospital Regional do Oeste a partir desta sexta (19).

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