Descrição de chapéu Coronavírus Textos liberados

No maior salto da pandemia, Brasil tem novo recorde de mortos, 1.726

País bate recorde de média móvel de óbitos pelo quarto dia seguido e completa 41 dias acima de 1.000

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

O Brasil registrou 1.726 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, o maior número diário de vidas perdidas de toda a pandemia. O país também registrou, pelo quarto dia consecutivo, a maior média móvel de óbitos pela doença: 1.274. A média de mortes já está há 41 dias acima de mil.

Além de ser o maior número absoluto de mortes por Covid registradas em 24 horas na pandemia, o dado representa também o maior salto em relação ao recorde anterior. Foram 144 mortos a mais nesta terça (2) do que em 25 de fevereiro, o ápice anteriorm um avanço de 9,1%.

A vez que isso chegou mais perto de ocorrer foi em 4 de junho do ano passado, quando o recorde registrado, 1.473 mortes, superava o anterior em 124 óbitos.

No dia seguinte, o governo federal deixou de divulgar os dados compilados, o que levou à posterior criação do consórcio de veículos de imprensa formado por Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1, que coletam dados diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais todos os dias, até as 20h.

A média móvel é recurso estatístico que busca dar uma visão melhor da evolução da doença ao atenuar números isolados que fujam do padrão. Ela é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

O recorde anterior da média móvel era de 1.223. Já o recorde anterior de mortes em 24 horas pertencia ao dia 25 de fevereiro de 2021, com 1.582 mortes.

Outro recorde foi registrado no estado de São Paulo, com 468 mortes em um dia. O estado também teve o maior número de internações em UTI por Covid-19 na última semana. O número foi 14,7% maior do que na semana mais grave da pandemia em 2020.

Em redes sociais, João Doria, governador de São Paulo, destacou a gravíssima situação do Brasil e do estado, e falou em colapso do sistema de saúde e dos esforços paulistas para evitar que se chegue a esse ponto. "Porém diante da força dessa nova onda, os esforços não serão suficientes se a população não fizer sua parte", afirmou o governador.

O governo paulista pode colocar todo o estado na fase vermelha do Plano SP. A decisão deve ocorrer em reunião na manhã de quarta-feira (3).

A decisão final sobre o assunto ocorrerá em reunião na manhã de quarta (3).

Os dados elevados podem, em parte, ser explicados por atrasos de notificação relativos a domingo e segunda-feira. De toda forma, a última segunda-feira teve o 2º maior número de mortes em uma segunda durante toda a pandemia.

O Brasil enfrenta o pior momento da pandemia, com situações críticas em todas as regiões do país. A Fiocruz publicou nota técnica nesta terça-feira com um alerta: "Pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Srag [Síndrome Respiratória Aguda Grave], a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais".

Dez capitais têm UTIs com mais de 90% de ocupação. O sistema de saúde do Rio Grande do Sul já entrou em colapso, com mais de 100% de ocupação. Santa Catarina também está em colapso e precisou transferir pacientes para o Espírito Santo.

A situação em Porto Velho também é de colapso: não há leitos disponíveis. Há um mês a ocupação se mantém em 100%. No Nordeste, Teresina, por exemplo, tem 95% das UTIs lotadas.

O cenário começou a piorar de forma contínua logo após as festas de fim de ano. Na época, especialistas já alertavam que as reuniões poderiam provocar uma situação grave em 2021.

Como consequência da transmissão descontrolada, passaram a circular variantes com maior potencial de infecção, como a identificada em Manaus, nomeada P.1.

Além dela, já foi observada no país a variante B.1.1.7, também com maior potencial de transmissão e identificada inicialmente no Reino Unido —o país faz intenso rastreamento genômico, ao contrário do Brasil.

A situação brasileira parece caminhar na direção oposta de outras nações, que têm visto os números de casos e mortes de Covid-19 caírem a partir de medidas restritivas para conter a circulação do vírus e com o avanço da vacinação.

O consórcio de imprensa também atualizou informações repassadas sobre a vacinação contra a Covid-19 por 19 estados e o Distrito Federal. O processo de imunização no país avança lentamente ao mesmo tempo em que a pandemia piora.

Foram aplicadas no total 9.273.129 doses de vacina (7.106.147 da primeira dose e 2.166.982 da segunda dose), de acordo com as informações disponibilizadas pelas secretarias de Saúde.

As vacinas disponíveis no Brasil são a Coronavac, do Butantan e da farmacêutica Sinovac, e a Covishield, imunizante da Fiocruz desenvolvido pela parceria entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca.

​O consórcio de veículos de imprensa foi criado em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.