Rússia tem 456 cidadãos banidos da Copa e ainda mapeia estrangeiros

Mais de cem agentes de outros países atuarão com autoridades russas para garantir segurança no Mundial

Policiais russos em frente a um estádio
Policiais fazem segurança de estádio durante partida entre Spartak Moscow e Tosno durante o campeonato russo, em Moscou - Pavel Golovkin - 18.abr.2018/Associated Press
Fábio Aleixo
Moscou

A oito dias do início da Copa do Mundo, em 14 de junho, a Rússia tem uma lista-negra com 456 cidadãos do país que estão banidos de entrarem em estádios. O documento elaborado pelo Ministério do Interior do país está sendo usado pelas autoridades para impedir que estas pessoas comprem ingressos e obtenham o Fan ID (Identidade do fã), obrigatório para entrar nas arenas durante o Mundial.

Quanto a cidadãos estrangeiros não existe oficialmente uma lista pública, e o mapeamento tem sido constante em contato com autoridades de força de segurança espalhadas por todo o planeta.

Se torcedores com problemas forem identificados e já tiveram emitido o Fan ID, o documento será anulado.

Mais de cem agentes de outros países estarão na Rússia colaborando com as forças locais.

"O Ministério da Defesa tem recebido listas com torcedores que têm problemas com a Justiça de seu país ou são suspeitos. É um trabalho contínuo de monitoramento", disse o major da Polícia Anton Gusev, primeiro vice-diretor do Ministério do Interior da Rússia para Administração de Segurança em Eventos Internacionais de Massa. 

"Em um evento de grandes proporções como este é impossível para apenas uma agência fazer a segurança. Por isso, assinamos acordos de cooperação internacional. Este trabalho já vem sendo conduzido há um longo tempo para combater todos os tipos de ameaças", afirmou Alexei Lavrischev, chefe do Centro de Operação de Segurança para a Copa do Mundo.

Neste trabalho de cooperação internacional, o Brasil, por exemplo, enviará cinco agentes da Polícia Federal.

A Rússia não divulga o número total do efetivo que trabalhará na Copa do Mundo, mas fala em 15 órgãos de sua força de segurança, como Polícia, Guarda Nacional e Exército. Paramilitares e agências privadas também estarão em ação para garantir a ordem durante o torneio.

"É difícil precisar um número, pois são vários os serviços em todas as cidade-sedes. E também temos a segurança nas cidades que não fazem parte do Mundial", afirmou Gusev.

O hooliganismo e as ameaças terroristas são as principais ameaças ao sistema de segurança russo durante a Copa. Por isso, as autoridades dedicam a mesma atenção a ambos os problemas, sem priorizações.

"Nos preparamos para todos os ricos. Temos contra-medidas para qualquer tipo de ação", disse Gusev.
"Quero lembrar que este não é o primeiro grande evento pelo quais seremos responsáveis. Antes da Olimpíada [de Inverno de Sochi, em 2014] havia muitas suspeitas, mas tudo correu bem, no mais alto nível de segurança. As pessoas que não fogem da lei, não tem que temer nada", afirmou Lavrischev.

As autoridades reconheceram que existem partidas no qual o nível de alerta precisará ser mais alto e com reforço na contingência. Um exemplo citado foi o duelo entre Rússia e Uruguai, em Samara, em 25 de junho. Será a última dos anfitriões no Grupo A.

"Por ser uma partida decisiva, os ânimos devem estar exaltados. Sempre existe risco", afirmou Gusev. 
O major falou também que todos os estrangeiros que acompanharem a Copa estão sujeitos a punição pela lei russa. Dependendo da gravidade, as punições podem ser de multa, prisão imediata e até deportação. 

"Sempre que houver algum problema com o torcedor estrangeiro, avisaremos os policiais deste país que estiver na Rússia e a embaixada. A partir daí, serão tomadas as medidas legais", disse Gusev. 

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