Mágoa, marketing e gols marcaram passagem de Ronaldo no Corinthians

Contratação do atacante campeão do mundo completa 10 anos

Alberto Nogueira Luciano Trindade
São Paulo | Agora

“Aqui está mais um louco para este grande bando de loucos”, disse o atacante Ronaldo com o microfone em mãos durante sua apresentação como jogador do Corinthians, para delírio dos cerca de seis mil torcedores presentes no Parque São Jorge naquela sexta-feira, 12 de dezembro de 2008.

O ano não poderia terminar melhor para a torcida, que lotou os estádios e cantou sem parar ao longo da temporada que garantiu o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro.

Anunciada no dia 9 de dezembro, a contratação do pentacampeão mundial teve enorme repercussão no país e mexeu com o ânimo de corintianos e irritou flamenguistas.


Mágoa rubro-negra

Ronaldo estava longe dos gramados havia pouco mais de seis meses, em razão de uma cirurgia no joelho esquerdo, quando, em setembro daquele ano, decidiu aprimorar sua forma física na Gávea, sede do Flamengo, seu clube de coração nos tempos de criança.

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens de sucesso por PSV (HOL), Barcelona, Inter de Milão e Real Madrid, o jogador, eleito três vezes como o melhor do planeta (1996, 1997 e 2002), vinha de uma passagem curta e aquém das expectativas pelo Milan antes de desembarcar no Brasil.

Acompanhado de perto pelo então médico do Flamengo e da seleção brasileira José Luiz Runco, o centroavante mostrou boa evolução durante os três meses que permaneceu no clube rubro-negro e passou a ser considerado como possível reforço.

No entanto, o Corinthians, através do presidente Andrés Sanchez e o diretor de marketing Luís Paulo Rosenberg, se aproximou do atleta e de seu empresário, Fabiano Farah, e fechou negócio sem dar chance aos cariocas.

“Este rapaz é um mau caráter”, esbravejou à época o presidente flamenguista Márcio Braga. Segundo o mandatário do time carioca, o Fenômeno havia deixado claro em diversas oportunidades a sua intenção de jogar pelo time de coração.

Camisa outdoor 

A operação para tornar a mais nova contratação corintiana sustentável se deu através de uma série de patrocínios fechados após a chegada do jogador. A camisa alvinegra ficou repleta de anunciantes --alguns pontuais e outros fixos. Houve exploração comercial até da área das axilas do uniforme.

O jogador virou um garoto-propaganda e chegou, inclusive, a participar do Programa Silvio Santos em outubro de 2009. O grupo do dono do SBT foi um dos parceiros do clube alvinegro.

Ronaldo tinha direito a 80% dos valores arrecadados, e o Corinthians ficava com a parte restante. O negócio acabou sendo vantajoso para todos os lados envolvidos. Com Ronaldo, o Corinthians fechou 2009 com R$ 49,1 milhões em contratos comerciais, já descontando a parte do jogador. O valor é quase o dobro do arrecado pelo clube no ano anterior, com R$ 49,1 milhões.

A arrecadação com bilheteria também subiu de R$ 16,6 milhões em 2008 para R$ 27,7 milhões em 2009.

Dentro de campo, a estreia aconteceu apenas em 4 de março. O atacante foi chamado pelo técnico Mano Menezes aos 21 minutos do segundo tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Itumbiara, em Goiás, pela Copa do Brasil.

O primeiro jogo pelo time paulista foi discreto, mas o centroavante encerrou ali um jejum de 384 dias fora dos gramados. Seu retorno ao futebol brasileiro após 15 anos.

Muro caiu

Antes mesmo de entrar em campo, Ronaldo já era reverenciado. Idolatria que foi potencializada em seu segundo jogo, quando marcou seu primeiro gol com a camisa corintiana. E não poderia haver adversário melhor para a ocasião especial.

Foi contra o arquirrival Palmeiras, pela 12ª rodada do Campeonato Paulista, que o camisa nove mostrou, de fato, que era mais um louco no bando. A equipe perdia por 1 a 0 até os 47 minutos do segundo tempo, quando o jogador desviou de cabeça escanteio cobrado por Douglas e empatou a partida. Na comemoração, ele correu até a torcida corintiana e subiu no alambrado do estádio Eduardo José Farah, que cedeu com a euforia de todos que ali se penduraram.

O futebol do Fenômeno só cresceu após o gol e ele se tornou fundamental nas conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2009.

A trajetória do atleta no clube, no entanto, foi prejudicada ao longo da temporada seguinte, em razão de uma sequência de problemas físicos.

De sua estreia em 2009 até a sua aposentadoria no início de 2011, Ronaldo fez 69 jogos com a camisa do Corinthians e marcou 35 gols

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