Novatos na Olimpíada, skate e surfe salvam esporte brasileiro em mundiais

País esteve em 15 pódios em competições internacionais, segundo levantamento do COB

Daniel E. de Castro
São Paulo

O ano de 2018 nas modalidades olímpicas foi marcado pelo sucesso do Brasil em esportes que farão sua estreia nos Jogos de Tóquio, em 2020, e também pela decepção com fontes tradicionais de medalhas para o país.

Levantamento divulgado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) nesta quarta-feira (19) mostra que o país foi ao pódio 15 vezes em campeonatos mundiais ou equivalentes, como rankings internacionais e a competição mais importante daquele esporte no ano.

Se esses resultados fossem projetados para uma edição de Olimpíada, o Brasil teria cinco medalhas de ouro, quatro de prata e seis de bronze.

Os dois resultados mais expressivos do país neste ano foram de Gabriel Medina, campeão da Liga Mundial de Surfe, e Pedro Barros, vencedor do Mundial de skate na modalidade park. Os dois esportes serão estreantes no Japão.

Medina e Barros fizeram parte do trio de indicados ao prêmio de melhor atleta do ano, anunciado pelo COB na terça (18). Isaquias Queiroz, bronze na prova olímpica C1 1.000 m do Mundial de canoagem, foi o vencedor.

Também estiveram no topo de seus esportes a nadadora de maratonas aquáticas Ana Marcela Cunha, ganhadora do prêmio do COB entre as mulheres, a equipe masculina do revezamento 4 x 100 m nado livre e a dupla do vôlei de praia Agatha e Duda.

Desde o anúncio de que entrariam no programa olímpico a partir de Tóquio-2020, skate e surfe alimentam as esperanças de medalha do Brasil. Até agora os resultados confirmam as expectativas, embora o processo de classificação para as duas modalidades só comece em 2019.

O caratê, outro novato em Jogos Olímpicos, foi responsável por uma medalha de prata no seu campeonato mundial, com Vinícius Figueira, na categoria até 67 kg.

Por outro lado, o desempenho brasileiro ficou abaixo do esperado em esportes nos quais costuma ter bons resultados.

No judô, maior fonte de medalhas olímpicas do país, apenas Érika Miranda, 31, subiu ao pódio no Mundial disputado no Azerbaijão em setembro. No mês seguinte, ela anunciou sua aposentadoria.

Nos mundiais de vôlei, a seleção masculina ficou com a medalha de prata após ser derrotada pela Polônia na decisão, mas a seleção feminina terminou longe do pódio.

Já no Mundial de vela, o Brasil passou em branco pela primeira vez nas cinco edições já realizadas da competição.

“Não fomos tão bem nos esportes em que temos maior consistência, ao mesmo tempo que mostramos crescimento em modalidades que estão mudando de patamar. Sem falar das novas modalidades do programa olímpico, que nos dão uma perspectiva positiva para Tóquio”, disse Jorge Bichara, diretor do COB.

Usando os mesmos critérios, o Brasil somou 15 medalhas em 2010, segundo ano do ciclo olímpico de Londres-2012, e 24 em 2014, período correspondente da preparação para os Jogos do Rio-2016, quando faturou 19 medalhas e registrou seu melhor desempenho.

Bichara argumenta que a diferença no investimento em comparação com o último ciclo, quando o Brasil seria a sede dos Jogos, influencia na queda.

Apenas no ano que vem o valor investido pelo comitê por meio do repasse de recursos da Lei Agnelo/Piva vai superar o patamar de 2016, quando foram aplicados R$ 178,6 milhões.

Depois esse número caiu para R$ 134,7 milhões, em 2017, e voltou a subir em 2018, para R$ 168,7 milhões. A previsão do ano que vem é de R$ 194,3 milhões aplicados em esporte.

Desde o fim dos Jogos do Rio, o comitê encontra dificuldades para fechar contratos de patrocínio. Seus únicos parceiros oficiais são a chinesa Peak, que fornece material esportivo, e a Estácio, com quem o comitê tem contrato para ensino a distância.

“Não é possível comparar ciclos olímpicos [pela diferença no valor investido]. Nós já estávamos cientes que o cenário deste ciclo seria de queda de investimentos e resultados, o que é natural para um país que organiza os Jogos Olímpicos”, afirmou Bichara.

Brasileiros entre os 3 melhores nos eventos mais relevantes do ano

Primeiro lugar

Ana Marcela Cunha
circuito mundial de maratonas aquáticas
Duda/Agatha
circuito mundial de vôlei de praia
Gabriel Medina
Liga Mundial de Surfe
Pedro Barros
Mundial de skate park
Revezamento 4 x 100 m livre
Ranking da natação

Segundo lugar

Arthur Zanetti
Prova de argolas no Mundial de ginástica artística
Bruno Fratus
Ranking da natação nos 50 m livre
Seleção masculina de vôlei
Mundial
Vinícius Figueira
Mundial de caratê (até 67 kg)

Terceiro lugar

Almir Santos
Ranking do atletismo no salto triplo
Anderson Ezequiel
Mundial de ciclismo BMX
Érika Miranda
Mundial de judô (até 52 kg)
Filipe Toledo
Liga Mundial de Surfe 
Isaquias Queiroz
Mundial de canoagem (C1 1.000 m)
Núbia Soares
Ranking do atletismo no salto triplo

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