Descrição de chapéu Futebol Internacional

Madrilenos e catalães refutam teor nacionalista no clássico espanhol

Real Madrid e Barcelona se enfrentam neste sábado (2), no Santiago Bernabéu

Garoto com a camisa de Messi durante passeata pela independência da Catalunha, em 2014 - Quique Garcia/AFP
Bruno Rodrigues
Madri

Fora da Espanha, o clássico entre Real Madrid e Barcelona é visto muitas vezes como um duelo que extrapola o âmbito esportivo e confronta espanhóis nacionalistas e catalães separatistas

Apesar dos recentes protestos da direita espanhola, pedindo pela antecipação das eleições de abril sob a justificativa de que o premiê espanhol Pedro Sánchez lida de forma indolente com o separatismo da Catalunha, esse clima político não deverá estar presente neste sábado (2), no Santiago Bernabéu, onde os rivais se enfrentam pela liga.

"O clássico é movido pelas pessoas que gostam de futebol, ou seja, eu não relaciono o futebol com a política. Eu considero que as duas torcidas são da Espanha, e cada um pode pensar o que quiser. O rumo que cada lugar quer tomar pertence às pessoas que o governam e às que votam. O que move uma pessoa neste caso é o futebol", diz Juan Francisco de Ramírez, 33, que trabalha como camareiro e caminhava pelo Parque Retiro com uma camisa azul do Real.

A despolitização do clássico na capital espanhola encontra concordância até mesmo na opinião de catalães que torcem fervorosamente para o Barça. É o caso de José Ramón Casas, 58, presidente da Penya Barcelonista do Centro Catalão de Madri, um grupo de torcedores reconhecido pelo próprio clube que se reúne para assistir a jogos e promover eventos aos barcelonistas da capital espanhola.

 

"Há um nacionalismo catalão e um nacionalismo espanhol. Mas entre os torcedores do clube, prevalece o futebol acima de tudo. Em Barcelona, sim, há um ambiente mais político", diz Casas, que vive em Madri desde 1970.

De fato, o Camp Nou é um ambiente mais politizado que o Bernabéu no passado recente. Em 2012, se tornou célebre a manifestação de torcedores do Barça no clássico contra o Real, quando aos 17:14 de cada tempo, gritaram "Independência!" --o minuto faz referência ao ano de 1714, em que a Catalunha perdeu o comando independente de sua região.

Nos jogos do Barça, é comum ver nas arquibancadas as "senyeras", bandeiras catalãs. 

Neste sábado, as manifestações políticas devem se limitar a gritos contra o zagueiro Gerard Piqué, como já aconteceu na última quarta (27), quando o Barcelona venceu o Real Madrid por 3 a 0 no Santiago Bernabéu.

O defensor já negou-se a responder uma pergunta feita em entrevista coletiva sobre se era independentista ou não.

"É a pergunta de um milhão e não vou respondê-la. Nós jogadores somos figuras globais, e eu não posso me posicionar por um lado ou pelo outro", disse ele, que não esconde o desejo de se tornar presidente do Barça um dia.




 

O jornalista viaja a convite de LaLiga, que organiza o Campeonato Espanhol 

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