Descrição de chapéu The New York Times Velocidade

F-1 se expande, migra para Ásia e Vietnã se torna novo destino

Liberty Media espera elevar número de corridas e, em abril, Hanói sediará a primeira delas

Luke Smith
The New York Times

De suas raízes no começo da década de 1950, como um torneio de automobilismo principalmente europeu, a F-1 se expandiu a todo o mundo, e está presente em cinco continentes, Nos últimos 15 anos, novos grandes prêmios foram acrescentados em Bahrein, China, Coreia do Sul, Índia e Azerbaijão.

Mas a disputa do primeiro Grande Prêmio do Vietnã, em abril de 2020, será especialmente significativa porque será a primeira corrida a ingressar no calendário sob a gestão da nova proprietária da F-1, a Liberty Media.

Desde que adquiriu a organização que controla a F-1, em 2017, a Liberty Media deixou claro seu desejo de conduzir o torneio ao que a empresa designa como "cidades-destino" turísticas, por exemplo Miami, Las Vegas e Londres. A empresa disse que planejava expandir o campeonato para 24 ou 25 provas, nos próximos cinco anos, e está de olho também na África e em acrescentar mais uma corrida nos Estados Unidos.

Romain Grosjean deixa os boxes durante treino  livre para o GP da Itália
Romain Grosjean deixa os boxes durante treino livre para o GP da Itália - Miguel Medina/AFP

Mas Hanói, a capital vietnamita, será a primeira cidade a ingressar no calendário sob a gestão da Liberty Media, sediando o Grande Prêmio do Vietnã em um circuito de rua na zona oeste da cidade, em abril.

"Com a Liberty Media, estamos adotando uma abordagem muito mais estratégica sobre os locais de corrida", disse Chloe Targett-Adams, a diretora mundial de organização e relacionamentos de negócios da categoria.

"Estamos estudando locais que nos darão um destino e capacidades emblemáticas, tanto do ponto de vista da experiência de um evento ao vivo e da perspectiva de uma audiência televisiva, e vamos criar um espetáculo de corrida realmente grande", ela afirmou.

O calendário da F-1 tem 21 provas, no momento. Os locais são uma mistura de tradicionais circuitos rurais, como os de Spielberg, na Áustria, e Spa, na Bélgica, e pistas de rua montadas em cidades como Cingapura; Baku (Azerbaijão); e Mônaco.

Targett-Adams disse que as fortes relações comerciais entre Hanói e Melbourne, a cidade que sedia o Grande Prêmio da Austrália, estimularam o interesse das autoridades vietnamitas pela realização de uma corrida em seu país. A F-1 viu a oportunidade de aproveitar seu crescente mercado asiático, adicionando mais uma prova aos grandes prêmios já existentes em Cingapura, na China e no Japão.

"No Vietnã, temos um mercado emergente incrivelmente empolgante", ela disse. "É uma das economias de mais rápido crescimento no planeta, e até agora não organizou eventos de escala mundial. O governo quer muito atrair turistas ao país. Sabíamos que mais de nove milhões de vietnamitas já são fãs da Fórmula 1 mesmo sem uma corrida no país, e por isso o mercado nos interessava muito estrategicamente".

Porque será a primeira corrida nova criada como parte da estratégia da Liberty Media, seguida por uma nova corrida na Holanda em maio, Targett-Adams disse que haveria "muita atenção ao Vietnã", mas ofereceu perspectivas muito positivas sobre o futuro calendário de corridas de F-1.

"Creio que estamos em ótima posição com as corridas que já temos", ela disse. "Acabamos de anunciar a renovação da prova do México, e antes a da corrida de Silverstone", na Inglaterra. "Também retornaremos à Holanda no ano que vem", a primeira vez que um grande prêmio será realizado no país desde 1985, quando Niki Lauda venceu. As duas novas provas elevarão o total de corridas de 2020 a 22.

"Temos de ser muito estratégicos em termos do que acrescentamos, para que mantenhamos nossas provas existentes e ao mesmo tempo estendamos nosso alcance e aproveitemos as oportunidades do calendário", disse Targett-Adams.

Mas nem todo mundo está convencido de que a estratégia da Liberty Media funcionará. Embora vá adicionar dois novos grandes prêmios, a F-1 perderá uma prova no ano que vem. O GP da Alemanha, que foi disputado a partir de 1951, sairá do calendário. Corridas no Reino Unido, Espanha e Itália também enfrentaram incertezas nos últimos anos, devido ao desafio envolvido em obter o valor que a Fórmula 1 exige dos organizadores, que pode chegar aos US$ 40 milhões (R$ 162,6 milhões).

As corridas fora da Europa em geral envolvem taxas mais altas. Mas elas muitas vezes recebem verbas governamentais, para estimular o turismo e criar empregos. Outros circuitos dependem mais de apoio privado e da venda de ingressos.

A perda da prova na Alemanha em 2020 surgiu apesar do sucesso alemão no esporte. Entre 1994 e 2004, o alemão Michael Schumacher conquistou sete títulos de pilotagem e continua a ser o maior vencedor da Fórmula 1. De 2010 para cá, um piloto alemão venceu o título cinco vezes, e a Mercedes conquistou todos os títulos desde 2014.

"Não sei o que o futuro vai trazer, se há uma chance de manter a corrida, mas certamente quando o assunto é a paixão e o esforço que as pessoas investem na corrida, eles são muito altos", disse o alemão Sebastian Vettel, quatro vezes campeão mundial, sobre a corrida em seu país.

"Espero que as pessoas tomem algumas decisões usando o bom senso, e não com base apenas em quanto a carteira vai ser aberta. Creio que temos grandes prêmios que não devem ser perdidos, como o de Monza, na Itália, ou a corrida de Silverstone no Reino Unido. Alemanha e Espanha têm um longo histórico no automobilismo".

O inglês Lewis Hamilton, atual campeão mundial, elogiou a Liberty Media por "fazer um bom trabalho em termos de trazer outros lugares ao esporte", mas pediu cautela.

"Se você começa a eliminar as corridas lendárias, e fica só com as novas, perde toda a história e toda a cultura que fazem da F-1 o que ela é", ele disse.

Targett-Adams disse que a F-1 compreende o fato. A despeito do desejo da Liberty Media de adicionar cidades turísticas, as corridas em circuitos tradicionais são de fato parte importante da estratégia da empresa, ela disse.

"O que é sempre essencial é ter em mente que estamos agindo no melhor interesse do esporte, além de no melhor interesse dos negócios", ela afirmou. "Sempre há um equilíbrio a buscar".

"Creio que precisamos de uma boa mistura de locais históricos e de novos destinos turísticos, onde grandes corridas possam ser realizadas", disse Targett-Adams.

Com sete meses faltando para a corrida, os preparativos já estão em curso em Hanói. Eles incluem projetos de infraestrutura na área do circuito, como a construção de um pavilhão para os boxes das equipes, a construção de arquibancadas e o asfaltamento de vias.

Para Targett-Adams e sua equipe, a atenção está em criar um primeiro Grande Prêmio do Vietnã único e memorável.

Ela disse que a F-1 planejava festivais gastronômicos, shows com talentos locais e visitas a sítios educativos e históricos, para o final de semana da corrida.

"Queremos usar isso tudo para propiciar uma ótima experiência para os fãs, de modo a que, quando eles aparecerem, sintam estar em Hanói, em um evento de F-1 no Vietnã".

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

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