Transferências alteram ordem de forças e tornam NBA imprevisível

Movimento sem precedentes de atletas muda presente e futuro da liga de basquete

Marcos Guedes
São Paulo

Começou no dia 30 de junho, às 18h de Nova York, o período em que a NBA permite a negociação das equipes com os atletas sem contrato. Antes, às 17h52, já havia sido noticiado o acerto de Kevin Durant com o Brooklyn Nets.

Além da óbvia demonstração de que o prazo estipulado não é respeitado por ninguém, foi só o começo de uma enxurrada de acordos que mudaram a cara da liga americana de basquete. Reordenadas, as forças poderão ser observadas a partir de terça-feira (22), quando terá início a temporada 2019/20.

"Não consigo me lembrar, em minha carreira de 20 anos, de um momento em que tantos jogadores importantes trocaram de time. Foi um verão maluco", disse o recém-aposentado Dirk Nowitzki, 41.

Poucos minutos após a notícia sobre o destino de Durant, Kyrie Irving anunciou que seria seu colega. Em seguida, Kemba Walker se tornou um membro do Boston Celtics e o Miami Heat levou Jimmy Butler, substituído no Philadelphia 76ers por Al Horford.

Em seis horas, já havia mais de 40 assinaturas apalavradas. A mais aguardada seria acertada apenas na semana seguinte: Kawhi Leonard, campeão pelo Toronto Raptors e eleito melhor jogador das finais, decidiu se juntar ao Los Angeles Clippers e deu um jeito de levar consigo Paul George.

As transações citadas estão longe de oferecer um retrato completo. George ainda estava sob contrato com o Oklahoma City Thunder e só pôde partir rumo a Los Angeles depois de pedir para ser envolvido em uma troca.

Aí, passou a fazer pouco sentido Russell Westbrook ficar em um Thunder em fase de reconstrução, sem grandes aspirações no curto prazo. Seu destino, definido em outra troca, foi o Houston Rockets, onde agora forma curiosa dupla com James Harden —os dois precisam da bola o tempo todo para brilhar.

Também tem potencial explosivo a parceria formada no Los Angeles Lakers. Após uma temporada na qual conviveu com lesões e companheiros inexperientes, o astro LeBron James ganhou a companhia de Anthony Davis.

Na troca por ele, o Lakers teve que abrir mão de boa parte dos jovens nos quais tinha investido recentemente. Lonzo Ball e Brandon Ingram hoje são do New Orleans Pelicans, time que promete se tornar uma potência quando amadurecer seu grupo de garotos.

É do Pelicans, franquia pouca expressiva, o atleta que acaba de chegar à NBA com a expectativa de se tornar seu próximo grande nome. Escolha número um do "draft", sistema de recrutamento de calouros, Zion Williamson é o mais aguardado novato desde LeBron, hoje com 34 anos.

Nos quatro amistosos de pré-temporada de que participou, o ala-pivô de 19 anos deu uma amostra do que poderá oferecer. As médias de 23,3 pontos e 6,5 rebotes por confronto levam a crer que seu impacto será imediato.

Ou quase isso. A dias do que seria sua estreia, o jogo de abertura do campeonato, Williamson sofreu uma lesão no joelho direito que não foi considerada grave, mas que o deixará afastado por "algumas semanas", segundo a avaliação dos médicos.

Repare que ainda não foi citado o Golden State Warriors, presente em cada uma das últimas cinco finais e vencedor em três delas. Pela primeira vez em muito tempo, a equipe californiana —que trocou a cidade de Oakland por San Francisco, na mesma região— começa sem favoritismo.

Kevin Durant e Andre Iguodala foram embora, Shaun Livingston se aposentou e Klay Thompson, após cirurgia no joelho, vai demorar a ficar à disposição. Sobraram Stephen Curry e Draymond Green, com a companhia do recém-chegado D'Angelo Russell e uma velha sensação.

"Fazia tempo que não éramos azarões. Eu gosto. Traz aquela coisa de zebra, de provar algo, isso fazia falta. Tenho certeza de que o Steph também sentia falta. Vamos ter que provar", disse Green.

Responsável por destronar o Warriors em junho, o Toronto Raptors também está longe de ser considerado favorito. Sem Kawhi Leonard, o cenário mudou bastante na Conferência Leste, cujos favoritos, nas bolsas de apostas, são o Milwaukee Bucks, de Giannis Antetokounmpo, e o Philadelphia 76ers.

O calouro Zion Williamson, de 19 anos, chega à NBA com a expectativa de se tornar sua próxima estrela 
O calouro Zion Williamson, de 19 anos, chega à NBA com a expectativa de se tornar sua próxima estrela  - Dale Zanine - 7.out.19/USA Today

No Oeste, a maior parte das apostas se concentra nos times de Los Angeles, embora haja crenças no Houston Rockets e, em menor grau, no Warriors. A conferência ainda tem como candidatos o Utah Jazz, o Denver Nuggets e o Portland Trail Blazers.

O primeiro adicionou peças importantes, como o armador Mike Conley, e os outros jogaram suas fichas na continuidade após boas campanhas.

"Está completamente aberto. Qualquer um pode ganhar", resumiu Anthony Davis, em frase que se aplica à temporada que se inicia agora e às próximas. O insano verão da NBA terá ramificações que vão além da disputa pelo troféu de 2019/20. Durant, por exemplo, novo craque do Brooklyn Nets, está em recuperação de ruptura no tendão de Aquiles e só deverá voltar a jogar no campeonato seguinte.

Já o Oklahoma City Thunder vislumbra um futuro promissor ainda mais distante, com as escolhas de "draft" recolhidas nas saídas de Paul George e Russell Westbrook. Dallas Mavericks e Sacramento Kings também estão entre os times com jovens talentosos.

O fato é que o ordenamento das forças mudou bastante desde a última briga pelo título, há apenas quatro meses.

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