Descrição de chapéu Mundial de Clubes 2019

Cariocas vão do desespero à resignação com derrota no Mundial de Clubes

Em concentração na zona norte do Rio, muitos torcedores foram embora aos prantos

Michel Alecrim
Rio de Janeiro

O tão sonhado bicampeonato do Mundial de Clubes não veio para o Flamengo, frustrando a torcida que compareceu à praça Varnhagen, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.

Após o apito final do juiz, que decretou a derrota do clube rubro-negro por 1 a 0 na prorrogação, muitos deixaram o local aos prantos.

O quarteirão, que concentra diversos bares e restaurantes, foi um dos que mais atraiu flamenguistas para a rua. No início da partida, com o bom futebol do clube carioca, a empolgação era total entre os que aproveitavam as TVs e telões colocados pelos estabelecimentos. 

Em um local já cortado pela avenida Maracanã os flamenguistas gritavam e cantavam como se estivessem no estádio de mesmo nome. “Pra cima deles, Flamengo”, era o coro mais comum entoado. 

O clima de irreverência e descontração também estava presente entre os torcedores. Muitos foram vestidos com turbantes rubro-negros à moda árabe, em referência ao Qatar, que sediou o torneio.

O ambulante Álvaro Luiz Verdan, 56, morador do bairro de Santa Cruz, zona oeste, vendeu dezenas de kits com o escudo no pano e o anel para prender na cabeça.

Para entrar no clima das Arábias, o torcedor precisou desembolsar R$ 20. Segundo o vendedor, tudo foi comprado no comércio popular de Madureira. “Estou sem trabalho e aproveitei a oportunidade”, afirmou Verdan.

A aposentada Maria Aparecida Cunha, 60, saiu do subúrbio de Quintino para assistir à partida na Tijuca. “Acho que todos juntos ajudam a mandar energias positivas”, afirmou a torcedora rubro-negra.

Mas a empolgação foi dando lugar à tensão. O placar de 0 a 0 e os erros do time começaram a irritar a torcida no segundo tempo. Foram cobradas substituições, e as entradas de Vitinho e Diego foram  comemoradas.

Apesar da apreensão, os flamenguistas não pararam de cantar músicas em homenagem ao clube. A mais lembrada foi a versão de “Primeiros Erros”, de Kiko Zambianchi, que lembra o título do Flamengo no Mundial de 1981, sobre o mesmo Liverpool.

Com o anúncio da prorrogação, o silêncio começou a tomar conta da torcida. Os gritos de irritação com erros de passe, acompanhados de palavrões, eram ouvidos. O gol de Firmino, ainda na primeira etapa da prorrogação, levou tristeza à galera.

Com o placar desfavorável e os erros de finalização, a revolta de uns era tanta que gritaram: "Esse time está comprado!", apesar de os jogadores terem mostrado empenho.

“Pela memória do meu avô, vamos virar, Flamengo!”, gritava um torcedor inconformado com a derrota iminente.

Apesar de tantos clamarem pela virada, o time continuou perdendo gols, deixando os torcedores mais irritados. Após o apito final, com a derrota consumada, os rubro-negros tentaram mostrar orgulho, cantando o hino oficial do clube, mas muitos começaram a deixar o local chorando.

O estudante Marcelo Ribeiro, 21, fez jus ao lema "Uma vez Flamengo, sempre Flamengo" e elogiou o time. "Pelo menos lutamos de igual para igual. O time não se entregou", avaliou o torcedor.

Com a tristeza, não houve espaço para revolta, e o clima foi calmo. Viaturas da Polícia Militar que reforçaram a segurança no local e não precisaram entrar em ação.

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