Descrição de chapéu Mundial de Clubes 2019

Firmino decide, Liverpool vence o Flamengo e conquista seu 1º Mundial

Clube inglês, vice em 1981, devolveu aos cariocas a derrota de 38 anos atrás

Doha

Segundos após perder para o Liverpool por 1 a 0 a final do Mundial de Clubes, os jogadores do Flamengo se reuniram no centro do campo. Juntos, caminharam de forma bem lenta para o setor atrás do gol em que Roberto Firmino decidiu a partida no Qatar.

Ergueram as mãos para as cadeiras onde estava concentrada a maioria de seus torcedores, que agradeceram de volta o gesto dos jogadores.

O sonho do segundo título mundial flamenguista morreu neste sábado (21), em Doha, diante dos campeões europeus em um dos melhores jogos da história do torneio.

Firmino comemora, sem camisa, o gol que deu ao Liverpool o título do Mundial de Clubes
Firmino comemora, sem camisa, o gol que deu ao Liverpool o título do Mundial de Clubes - Giuseppe Cacace/AFP

Da forma como o técnico Jorge Jesus havia previsto, o time brasileiro atacou e foi atacado. Poderia ter vencido, mas perdeu. Este não tem sido o roteiro recente das participações sul-americanas no torneio organizado pela Fifa.

De 2013 a 2018, três vezes o representante da Conmebol caiu ainda nas semifinais: Atlético-MG em 2013, Atlético Nacional (COL) em 2016 e River Plate (ARG) em 2018.

“Tratou-se de um teste para uma equipe que não está na Europa. Foi mostrado que uma boa organização tática, com jogadores de qualidade —há jogadores de qualidade no Brasil— pode fazer um grande time. O Flamengo fez uma partida extraordinária”, elogiou o técnico rubro-negro.

O Liverpool venceu porque desgasta os seus adversários e, quando chegou a prorrogação após os 90 minutos de 0 a 0, o time inglês estava em melhores condições. Atuava da mesma maneira desde o primeiro segundo: com pressão na saída de bola, triangulações e avanços pelo meio ou lançamentos longos para a velocidade de Salah ou Mané.

Os cerca de 10 mil flamenguistas eram os mais ouvidos no Khalifa International Stadium, mesmo não sendo a maioria entre os 45 mil pagantes. A torcida brasileira era composta por um público acostumado a ir a estádios e com as músicas dedicadas ao clube. Os fãs do Liverpool em Doha eram locais que vibravam apenas nos ataques ou nos bons momentos da equipe e de forma esparsa.

Jesus percebeu, após o tempo normal, que o Flamengo caía de rendimento e o adversário estava melhor. Preparou a entrada de Piris da Motta para ajudar na marcação no meio-campo. Mas quando o volante estava pronto para entrar, Mané viu Firmino entrar sozinho na área e rolou para o atacante brasileiro abrir o placar. O paraguaio voltou para o banco de reservas porque a necessidade passou a ser atacar.

As melhores chances da partida foram do Liverpool, especialmente nos primeiros cinco minutos de cada tempo. Com o passar dos minutos, mais e mais o Flamengo entrava na partida e igualava o que o campeão europeu fazia. Os avanços de Keita e Henderson abriam espaços que eram explorados. Se Gabriel não conseguia superar o zagueiro Virgil van Dijk, Joe Gomez parecia ser o caminho das pedras para os flamenguistas.

“Nada vai apagar o que fizemos neste ano e a vida é aprendizado”, resumiu Rodrigo Caio, que esticou a perna de forma desesperada para tentar parar o lançamento de Henderson para Mané no lance que seria decisivo, mas não conseguiu alcançar a bola.

O aprendizado, na opinião de jogadores como Diego, Rafinha e o próprio Jorge Jesus, é que os times brasileiros precisam encarar o Mundial de outra maneira, mais com o pensamento em jogar futebol do que se defender do europeu.

O Flamengo criou com Gabriel duas vezes e Lincoln, o garoto de 19 anos que entrou no lugar que seria de Piris da Motta. A sua oportunidade foi no último lance da partida quando a torcida atrás do gol assistiu, quase agonizando, o chute do atacante revelado nas categorias de base passar por cima do gol.

 

“Eles são implacáveis. Não param nunca”, analisou para a Folha nesta semana o ex-atacante inglês Michael Owen, ídolo do próprio Liverpool. Ele falava sobre o elenco atual de Jürgen Klopp, campeão da Champions League e líder do Campeonato Inglês.

Mesmo a segundos do final da prorrogação, Mohamed Salah, eleito o melhor do torneio, para delírio do público qatariano que o idolatra, dava piques de um lado a outro do campo. Como se a decisão tivesse acabado de começar. O lateral Andrew Robertson ganhava na corrida de Bruno Henrique e Virgil van Dijk, se rebateu errado três vezes (e pediu desculpas em todas elas), ganhou todas as disputas pelo alto e por baixo.

“Nós não ganhamos, mas jogamos para ganhar”, elogiou o técnico Jorge Jesus.

E foi por isso que a torcida flamenguista em Doha aplaudiu o time, apesar da derrota que acabou com o sonho de ser campeão mundial.

“Quando você chega ao topo e ganha, tem de festejar. Mas quando não ganha, também tem de saber festejar porque só os grandes chegam”, concluiu o técnico português.

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