Thiago Wild se torna o mais jovem tenista brasileiro a ganhar título da ATP

Paranaense de 19 anos vence noruguês Casper Rudd na final do ATP 250 de Santiago

São Paulo

O paranaense Thiago Wild tem apenas 19 anos, mas já começa a se acostumar a quebrar recordes no tênis brasileiro.

Primeiro atleta do país a vencer a chave juvenil do US Open, em 2018, ele se tornou neste domingo (2) o mais jovem tenista brasileiro a conquistar um torneio do circuito da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).

Na final do ATP 250 de Santiago, Wild (que ocupava a 182ª posição do ranking mundial) venceu o norueguês Casper Ruud (38º do mundo) por 2 sets a 1, com parciais de 7/5, 4/6 e 6/3, e bateu o recorde de Gustavo Kuerten, o Guga, que venceu o Grand Slam de Roland Garros com 20 anos e 9 meses em 1997.

O brasileiro Thiago Wild comemora título do ATP de Santiago - Claudio Reyes/AFP

O último título de um atleta do país nesse nível havia sido com Thomaz Bellucci, no ATP de Genebra, na Suíça, em maio de 2015.

"A partida foi muito equilibrada, nós dois tivemos chances, mas aproveitei um pouco melhor as minhas e consegui vencer", disse Wild, que passou a ocupar a 113ª posição do ranking mundial nesta segunda-feira (2).

Ele só disputou o torneio no Chile porque recebeu um convite da promotora do evento, a Octagon, que também o agencia —até o ano passado, essa semana do calendário da ATP era ocupada pelo Brasil Open, em São Paulo, mas a empresa decidiu levar o torneio para Santiago.

Na sua estreia, o brasileiro bateu o argentino Facundo Bagnis (131º). Em seguida, passou pelo também argentino Juan Ignacio Londero (63º) e encontrou nas quartas de final o chileno Cristian Garin (18º), que havia conquistado o Rio Open no último dia 23.

Após vencer o primeiro set por 7/6, ele viu o cabeça de chave número um do torneio desistir da partida com dores na lombar e se credenciou a brigar por uma vaga na final contra o argentino Renzo Olivo (297º do mundo).

Na semifinal, a pressão sobre Wild era grande. Desde abril de 2017, quando Thomaz Bellucci chegou à decisão do Torneio de Houston, nos EUA, um brasileiro não chegava à final de um campeonato da ATP.

Sem dar atenção para o jejum e com uma vitória tranquila por 6/1 e 6/3, quebrou a escrita de quase três anos.

Na decisão contra o norueguês Casper Ruud, o brasileiro começou na frente, vencendo o primeiro set por 7/5. O nervosismo apareceu dos dois lados da quadra, com os tenistas alternando bons e maus momentos.

O segundo set foi de bastante equilíbrio, com os dois confirmando os seus serviços até que, na oitava parcial, o norueguês conseguiu quebrar o saque de Wild e, confirmando seu serviço, empatou o jogo com um 6/4.

O brasileiro começou melhor o terceiro e decisivo set. Ele confirmou os seus dois primeiros serviços e quebrou o do adversário, abrindo vantagem de 3 a 0.

Depois, os tenistas confirmaram em sequência, até que o brasileiro fechou o jogo em 6/3.

"Ele jogou um tênis impressionante durante toda a semana. Não posso ficar chateado com a minha derrota", disse Ruud. "Ele provou que merecia o convite e aproveitou bem a oportunidade. Espero poder jogar muitas outras finais com ele no futuro."

Nono brasileiro a ter conquistado um ATP (após Guga, Luiz Mattar, Bellucci, Fernando Meligeni, Jaime Oncins, Thomaz Koch, Ricardo Mello e Carlos Alberto Kirmayr), Wild também tornou-se o primeiro tenista do mundo nascido nos anos 2000 a obter o feito.

Segundo o paranaense de Marechal Cândido Rondon, a pressão gerada pela quebra de recordes é algo com o que ele terá que aprender a lidar.

"Não pensei mais adiante, e sim que com essa semana ganho confiança para o restante da temporada", disse. "Não há muito o que pensar no que vou ser ou no que fiz antes, e sim no que estou fazendo no momento, como estou jogando e como quero jogar. Tenho que pensar no trabalho e nada mais."

Agora, ele se juntará à equipe brasileira que disputará contra a Austrália, em Adelaide, confronto da Copa Davis valendo vaga na fase final da competição por países, realizada em Madri no mês de novembro.

A equipe convocada pelo capitão Jaime Oncins conta também com Thiago Monteiro, João Menezes, Felipe Meligeni e Marcelo Demoliner.

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